Webtiras conquistam admiradores e se espalham nas redes sociais

Criadores mantêm contato com leitores e começam a ganhar mercado, inclusive com direito a traduções

por Carolina Braga 16/06/2013 08:00

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Arquivo Pessoal
Pacha Urbano começou a desenhar de brincadeira e hoje suas tiras podem ser lidas em inglês, francês e espanhol, traduzidas por voluntários (foto: Arquivo Pessoal)
Houve um tempo em que os amantes de tirinhas e quadrinhos precisavam ir às bancas atrás dos personagens favoritos. Na era das redes sociais, o movimento é ao contrário. Basta abrir o Facebook, que certamente algum exemplar do tipo chegará até você. O volume impressiona tanto quanto a variedade de abordagens. E mais: mesmo que protagonistas históricos como Mafalda ou Snoopy continuem na ativa, o leque de figuras irreverentes, atrapalhadas, emburradas e sobretudo bem-humoradas não para de crescer.

Ricardo Tokumoto
Ryotira, por Ricardo Tokumoto (foto: Ricardo Tokumoto)
“A popularização do conceito dos memes tornou o quadrinho mais acessível. Hoje, todo mundo pode fazer”, comenta o ilustrador carioca Pacha Urbano. Mas não se trata de brincadeiras, embora muitas sejam. A circulação na rede tem contribuído para o desenvolvimento de uma linguagem própria para o meio. “A internet é a maior vitrine para o trabalho de um artista, principalmente o autoral”, ressalta o mineiro Ricardo Tokumoto, criador do Ryotiras.

O caso dele é um exemplo. No início dos anos 2000, quando os blogs viveram seu auge, Tokumoto migrou do fanzine para os sites gratuitos que pipocavam na internet. Quando as redes sociais deram as caras, as Ryotiras também se adaptaram. Assim vão. “A gente acaba seguindo essas tendências para popularizar nosso trabalho. É muito importante para achar o caminho para publicar”, comenta. A página do artista no Facebook tem mais de 10 mil seguidores.

“Esses números pressionam”, reconhece o gaúcho Pedro Leite. Há apenas dois meses, em parceria com o também ilustrador Leandro Dafini, criou uma tirinha sobre alguns hábitos contemporâneos, especialmente para Facebook. “Esse quadrinho viralizou. Como fez sucesso, pensei que poderia pegar aquele padrão e criar uma série. Foi uma ideia que deu certo”, conta. Agora, os comentários são tantos que a dupla corre para atender a demanda.

Desde 1º de abril, a comunidade conquistou 17 mil seguidores. Pedro mantém publicações semanais, todas elas com críticas ao modo de ser das pessoas. Tem alfinetadas para os viciados no Face, como também para ciclistas, professoras e até para os animais de estimação. “Tudo que faço é pensando em como as pessoas vão receber isso na internet”, revela.

Pedro Leite, que é formado em publicidade e ilustrador profissional, não descarta a possibilidade de um dia ter o desenho reproduzido em páginas de jornais ou revistas. Mesmo com esse desejo, sabe muito bem que a rede é a responsável por dar visibilidade ao que ele faz. “Estou vendo muita gente que está só na internet e, inclusive, ganhando dinheiro. O retorno é diferente”, reconhece.

Pedro Leite/Divulgação
Quadrinhos ácidos de Pedro Leite (foto: Pedro Leite/Divulgação)


Nem Freud explica

Pacha Urbano começa a experimentar algumas operações comerciais em torno dos personagens que ele viu consolidar na web. Estudante de pedagogia, foi depois de uma aula sobre a psicanálise de Freud que ele produziu os primeiros traços do que hoje demanda dedicação. “A professora passou um filme sobre a vida do Freud e pensei na hora como deve ter sido difícil ser filho dele”, lembra.

Como sempre anda com um caderno de rascunhos na mochila, na hora, desenhou a primeira tira de As traumáticas aventuras do filho de Freud. Quando chegou em casa, escaneou o material e pôs para circular no Facebook. “Aí vi que um desses sites de piada havia editado o meu material. A partir daí comecei a produzir”, conta.

Nos desenhos de Pacha, como o nome indica, os protagonistas são dois filhos do psicanalista, Anna e Jean-Martin. A webtira As traumáticas aventuras do filho de Freud começou a ser publicada em maio do ano passado e hoje é seguida por quase 25 mil pessoas. Além do português, as brincadeiras com o universo da psicanálise são traduzidas por voluntários para o francês, o inglês e o espanhol. Pouco a pouco, Pacha Urbano vai entendendo seu público e buscando corresponder às expectativas.

“A minha maior dificuldade é fazer uma tirinha que seja para o leigo e também para o técnico”, confessa. Pelo que tem observado, quanto mais ácido for o conteúdo abordado, mais rápido ela se espalha na rede. As webtiras inéditas são publicadas impreterivelmente às terças-feiras. Atendendo a pedido de fãs, o ilustrador começou a produzir – e obviamente a vender também pela internet – canecas personalizadas com as tramas.

Para o segundo semestre, está prevista a publicação do primeiro livro com As traumáticas aventuras do filho de Freud, com a reprodução de 80 webtiras e outras 20 inéditas. O plano é lançar durante a Bienal do Livro do Rio de Janeiro e, em novembro, no Festival Internacional de Quadrinhos, em Belo Horizonte.

pachaurbano.com
As traumáticas aventuras do filho de Freud, de Pacha Urbano (foto: pachaurbano.com)

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