'Doidas e santas' leva aos palcos mulher que foge do comodismo

Cissa Guimarães produz e estrela história da personagem de fibra

por Carolina Braga 14/06/2013 00:13

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Claudia Ribeiro/Divulgação
Um casamento morno une Orlando (Giuseppe Oristanio) e Beatriz (Cissa Guimarães) (foto: Claudia Ribeiro/Divulgação)
Foi às vésperas dos 50 anos que Cissa Guimarães resolveu dar uma guinada na vida. Não pelos fatos que acabaram atravessando sua rotina de maneira transformadora. Foi antes disso. “Estava me achando muito adolescente, só esperando ser chamada para projetos. É doloroso pra caramba ser mulherzinha. Queria virar gente grande no teatro”, diz a atriz e, agora, produtora. No momento em que se deu conta de “estar chegando lá na curva”, começou a se questionar.


“Como está a minha vida? Os meus fracassos, vitórias, lutas, amores, erros, acertos? Então, liguei para Martha Medeiros”, conta. Foi desse contato que surgiu o embrião de 'Doidas e santas', espetáculo em cartaz de sexta-feira a domingo no Sesc Palladium. Depois de dois anos no Rio, com mais de 130 mil espectadores, Belo Horizonte será a primeira parada do espetáculo fora do eixo. “Sei que tem muitos eventos em BH este fim de semana, mas queria muito que as pessoas fossem nos ver”, convida.

E o convite tem outro motivo: além de a peça marcar novo momento na vida da atriz, Cissa diz coisas que considera relevantes sobre o mundo hoje. Daí o interesse de que mais pessoas consigam ver o que ela conta no palco. “Acho relacionamento, independentemente da natureza, uma das coisas mais difíceis. Um exercício de sabedoria, paciência e aprendizado diário”, frisa. Eis o cerne de 'Doidas e santas'.

Com direção de Ernesto Piccolo (que também fez o bem-sucedido 'Divã', com Lília Cabral), a montagem tem dramaturgia de Regiana Antonini. Inspirado no livro da escritora gaúcha, Doidas e santas conta a história de Beatriz (personagem de Cissa), psicanalista que decide dar um basta no morno casamento de 20 anos com Orlando (Giuseppe Oristanio). Como não é adaptação do livro homônimo, as situações narradas em diversas crônicas compõem a colcha de retalhos da vida da protagonista. Apesar do tom de comédia romântica, a peça cutuca a ferida especialmente dos acomodados.

Assim como em um dado momento a atriz se questionou como andava a própria vida, Beatriz se pergunta: “Há quanto tempo não dou uma gargalhada?”. A partir daí, as coisas começam a mudar. Guardadas as devidas exceções, Cissa diz que 'Doidas e santas' fala sobre um mal comum: de gente que se deixa cair nas amarras do cotidiano.

“Acho uma questão muito séria. As pessoas não conseguem parar e perceber que a vida está entrando em uma monotonia, que está somente sobrevivendo àquilo. A peça fala muito sobre o olhar para o outro, não só para o marido, mas para a filha, a mãe, os amigos”, continua. A atriz Josie Antello se desdobra nos papéis das mulheres da vida de Beatriz.

Para Cissa Guimarães, a grande diferença em capitanear uma produção nos palcos é o poder de escolha. “Teatro é muito casamento, não é uma empresa. É a única maneira de você fazer com quem quer”, diferencia. É nítido o quanto a atriz parece confortável com a decisão de tomar as rédeas da carreira teatral, o que a coloca em patamar bem diferente da personagem.

“Jamais ficaria muito tempo sem me divertir. Fiquei algum tempo sem gargalhar por uma tragédia. Jamais ficaria 20 anos em uma relação morna. Identifico-me com a Beatriz quando ela percebe a situação e tem garra. Não é que não tenha medo de algumas mudanças, sei que algumas são necessárias. Mas o medo não me cristaliza”, garante.

Doidas e santas
Sexta-feira, 14 de junho, às 21h30; sábado, 15, às 20h; domingo, 16, às 18h. Sesc Palladium. Av. Augusto de Lima, 420, Centro, (31) 3279-1500. Ingressos: plateia 1 e 2: R$ 70 (inteira); plateia 3: R$ 60 (inteira). Meia-entrada para estudantes, maiores de 65 anos e desconto de 30% para clientes Bradesco Seguros.

DE PÉ
Idealizadora e apresentadora do programa 'Viver com fé', do canal GNT, Cissa Guimarães é uma mulher de fibra. A mudança de postura em relação à carreira foi antes da traumática morte do filho Rafael Mascarenhas, atropelado no Rio de Janeiro. “É obvio que depois que acontecem coisas muito boas ou muito ruins, cabe a você evoluir”, ensina. Quase três anos depois, quando fala sobre o processo que culminou na realização de 'Doidas e santas', o filho é lembrado como “anjo Rafael”. “Quando a peça estreou, o Rafa estava lá. Me deu a maior força. Parece que ele deixou tudo preparado para eu poder ficar de pé”, diz.

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