Morre o ator, escritor, diretor e professor Ronaldo Boschi

Artista lutou para aproximar o teatro do cidadão

por Walter Sebastião 31/05/2013 08:07

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Estevam Musso/EM/D.A Press
(foto: Estevam Musso/EM/D.A Press)
Um homem com enorme conhecimento da história do teatro, que dedicou a vida a dar às novas gerações o gosto pelas artes cênicas. Assim colegas definem o ator, escritor, diretor e professor Ronaldo Boschi, de 66 anos, que morreu de câncer na quarta-feira. O corpo do artista foi enterrado ontem de manhã, no Cemitério do Bonfim.


Colegas ressaltam a importância de Boschi para as artes cênicas em Minas Gerais. Em 1973, ele criou uma das primeiras escolas do setor da capital, o Centro de Pesquisas Teatrais (CPT). Dirigiu dezenas de peças e incentivava o teatro amador. Artistas se lembram dele como homem bem-humorado, divertido e atencioso.


“Ronaldo Boschi era inteligente, tinha sabedoria e organização. Era uma enciclopédia de teatro”, afirma o ator Leo Quintão, que, na adolescência, participou de um curso com o diretor. Os dois trabalharam também na montagem de um espetáculo infantil. “Foi um homem que se dedicou a formar novas gerações para o teatro”, acrescenta Leo.


De acordo com o ator, aprendia-se teatro não apenas estudando com Ronaldo Boschi, mas conversando e convivendo com ele. “Ele era um desses profissionais que se formaram fazendo. Tinha a história do teatro na cabeça, algo muito rico”, observa Quintão.

Pioneiro O dramaturgo Walmir José ressalta o espírito solidário do colega. “Sempre vi Ronaldo Boschi atuando, trabalhando, dando aulas e apoiando os projetos de todo mundo. Ele trabalhou com quase todos que fazem teatro em Belo Horizonte, era querido por toda a classe”, afirma. “Ronaldo criou o CPT, uma das primeiras escolas da capital, e com ela apresentou várias montagens com entrada franca. Ajudou a criar a consciência de que o teatro deve ser aberto para a população – algo que, com o passar do tempo, só se expandiu e teve nele um pioneiro.”


Atriz durante muitos anos, Priscila Freire, ex-diretora do Museu de Arte da Pampulha, lembra que a Belo Horizonte dos anos 1970 era carente de escolas, grupos e de movimentos teatrais. “O Teatro Escola da Cruz Vermelha (Tesc), o CPT e o Teatro Universitário lutavam para preencher esse vazio”, recorda.


Priscila conta que o CPT – “com seu caráter de escola onde se aprende teatro fazendo teatro” – guardava afinidade com as ideias do diretor e crítico Celso Nunes. Naquela época, ele visitava Minas Gerais para dar aulas no Festival de Inverno. Esse modelo também inspirava o Tesc. “Admiro Ronaldo Boschi por ter participado de um momento que representou o início da cena teatral que temos hoje”, conclui Priscila.

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