A peça 'Adélia' investiga mistérios do universo feminino

Três atrizes dão vida a poemas da mineira Adélia Prado

por Ailton Magioli 31/05/2013 00:13

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Carol Beiriz/Divulgação
(foto: Carol Beiriz/Divulgação)
Afeto, teatralidade e capacidade de diálogo. Em síntese, esses foram os critérios utilizados pela Companhia de Teatro Íntimo para selecionar os poemas que compõem a peça 'Adélia'. O espetáculo chega nesta sexta-feira a Belo Horizonte e será levado a Divinópolis na semana que vem. A turnê mineira encerra a programação do Prêmio de Circulação Miriam Muniz.

O diretor Renato Faria promete revelar um pouco do segredo do sucesso de sua companhia, que já levou para os palcos versos de Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Manuel Bandeira, Manoel de Barros e Mário Quintana. A peça inspirada em Adélia Prado está em cartaz há quatro anos. A próxima montagem do grupo carioca abordará o universo de João Cabral de Melo Neto.

Para Renato Faria, o preconceito em relação à poesia se deve ao fato de esse gênero ser apresentado de maneira infeliz na escola. “É como obrigação e, além disso, dão a ideia de que há poemas e poetas difíceis”, lamenta o diretor. Ele garante: à medida que o público entra em contato com os versos de Adélia, a identificação é imediata.

“Por meio da poesia, conhecemos um mundo inesgotável de imagens e sonhos”, diz Renato, lembrando que o teatro busca textos cujas imagens se destinam exatamente a estimular a imaginação da plateia. Em 'Adélia', as jovens atrizes Bellatrix, Fernanda Boechat e Gabriela Haviaras se alternam na pele da escritora para transformar o cotidiano em poesia, criando o diálogo entre o sagrado e o profano – característica da obra de Adélia Prado.

“Nessa peça, as palavras vêm da ligação da autora com o espiritual. Isso é teatro, que nasce da conjugação entre o sagrado e o profano”, enfatiza o diretor gaúcho. Para ele, não se deve entender a poeta de Divinópolis a partir da religiosidade, que partidariza, mas da espiritualidade, uma característica do ser humano.

“Enquanto a religião separa, a espiritualidade une. Daí o fato de a gente conseguir tocar as pessoas de maneira tão profunda. Em nosso espetáculo, a poesia é dita – e não declamada –, passando pelo corpo e pela alma das atrizes”, conclui Faria.

Para montar Adélia, o grupo carioca recorreu a 'Poesia reunida' (Siciliano, 1991), volume que reúne os livros 'Bagagem', 'O coração disparado', 'Terra de Santa Cruz', 'O pelicano' e 'A faca no peito'.

ADÉLIA


>> BH

Sexta e sábado, às 19h e às 21h. Funarte MG, Rua Januária, 68, Floresta. Capacidade: 100 pessoas. Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada). Informações: (31) 3213-3084
>> Divinópolis
Em 4 e 5 de junho, no Teatro Municipal Usina do Gravatá.


MULHERES POSSÍVEIS

Gabriela Haviaras, uma das três protagonistas de 'Adélia', diz que a poeta de Divinópolis desenha mulheres possíveis em sua obra. “Elas lavam roupa, têm filhos, varrem casa, trabalham fora. Enfim, são aquelas que conhecemos e que todo homem tem perto dele, sejam mães, esposas ou amigas. Em cena, somos todas as mulheres que Adélia apresenta em sua poesia”, afirma. A dualidade entre o sagrado e o profano chama a atenção da atriz. “Na verdade, trata-se de uma pincelada na obra de Adélia servida mineiramente, com café e bolo, além da cachacinha”, brinca.

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