Galpão busca poesia em canções italianas

Trilha sonora e antropologia vocal marcam preparação do novo espetáculo do grupo

por Carolina Braga 30/05/2013 00:13

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Edésio Ferreira/EM/D.A Press
Edésio Ferreira/EM/D.A Press (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
Se de uma forma ou de outra a música sempre esteve presente nas criações do Grupo Galpão, o pulo do gato desta vez é o trabalho de antropologia da voz desenvolvido com a performer italiana Francesca Della Monica. Ela chegou até o grupo por indicação do diretor musical e arranjador Ernani Maletta, que a conheceu em 2006. “Fiquei muito encantado com as coisas que ela falou e fui para a Itália fazer o meu pós-doc. Chegando lá, me apresentou para o país inteiro e pensei: ‘Preciso espalhar a genialidade da Francesca pelo Brasil’”, conta.

Desde 2011, Francesca Della Monica faz intercâmbio com artistas brasileiros. A metodologia dela propõe ao ator relações diferentes com o espaço e o próprio corpo. “É um trabalho de libertação vocal. Por intermédio de alguns exercícios favorece a busca de uma sonoridade”, explica Ernani. Assim que começou os treinamentos com o Galpão, Francesca iniciou um trabalho de reconhecimento da identidade vocal de cada um dos atores para, depois, adequá-los ao espetáculo.

“Partimos do nosso desejo de cantar, de expressar alguma coisa e depois disso procuramos uma técnica que nos ajude a expressar aquele desejo”, conta Ernani, já com o Galpão há 21 anos. Para a preparadora vocal Babaya, a parceria com Francesca chega em momento de maturidade da companhia. “De renovar técnicas mesmo. É uma linguagem que traz um sopro de novidade”, avalia.

Lúdico Há quatro anos, Francesca Della Monica participou de outra montagem de Os gigantes da montanha na Itália. Segundo ela, a cena proposta por Gabriel Villela em nada se compara à versão italiana. “É completamente diferente. As escolhas do Gabriel são lúdicas”, define.

Como conterrânea do dramaturgo, Francesca entende a trilha sonora como outro modo de se apropriar do cancioneiro italiano, propondo maneira singular para cantá-la. Como são brasileiros interpretando em outro idioma, o sotaque é inevitável. Mas, para ela, até isso é um charme. “É um suplemento de poesia que também nos fala sobre o relacionamento da Itália com o Brasil, que é tão importante. Do mesmo modo que essas canções chegaram aqui, é importante que o sotaque se mantenha presente no modo de cantar”, frisa.

Francesca Della Monica não poupa elogios ao profissionalismo do Galpão. A italiana se surpreendeu com a estrutura da companhia. Para se ter uma ideia, a criação de Os gigantes da montanha envolveu a transferência do ateliê de Gabriel Villela para a sede do grupo, no Horto. Junto com ele vieram Shicó do Mamulengo e Zé Rosa, responsáveis pela execução dos figurinos e todos os adereços de cena. É impossível contar quantos são.

“Importado” do Rio Grande do Norte, Shicó modelou desde caveiras até máscaras decoradas com palha de bananeira. Zé Rosa, por sua vez, se dedicou aos bordados, trazidos pelo diretor das viagens pelo Peru e reestilizados para o espetáculo, e também as sombrinhas, desta vez rendadas, marca registrada da visualidade barroca e popular de Gabriel Villela.

Assista ao vídeo de bastidores do espetáculo:

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