Sebastião Salgado abre mostra 'Genesis' quarta-feira, no Rio

Exposição vem a Belo Horizonte em 2014

por Sérgio Rodrigo Reis 28/05/2013 00:13

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Sebastião Salgado/Divulgação
Mulheres zo'e towari ypy, conhecidas por usar o urucum para cozinhar e decorar o corpo. Pará, 2009 (foto: Sebastião Salgado/Divulgação)
O fotógrafo mineiro Sebastião Salgado se deparou há alguns anos com uma constatação e uma ideia: diante do caos do planeta e das transformações provocadas pelo ser humano nos cinco continentes, ainda havia paisagens remotas, em lugares ermos e praticamente intocados. Começou aí a aventura do projeto 'Genesis', que, a partir desta quarta-feira, o país começa a conhecer. Depois de inúmeras viagens, quando realizou milhares de fotografias, ele selecionou as 245 retratando um mundo preservado e intocado, que estarão no Museu do Meio Ambiente do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, depois de temporada em Londres. Em setembro, as imagens irão para São Paulo e, em maio de 2014, chegam a Belo Horizonte.

Na primeira mostra de grandes proporções em 10 anos, Sebastião Salgado revela o olhar de documentarista diante das cinco seções geográficas do planeta, em busca das maravilhas ainda imunes à aceleração da vida moderna. Encontrou a realidade entre 2004 e 2011 em montanhas, desertos, florestas, tribos, aldeias e animais. As imagens em preto e branco foram fruto de 30 viagens a regiões remotas do globo, a maioria de dificílimo acesso.

A aventura, cada uma com várias semanas de duração, deu origem ao conjunto de imagens que, ao fim do processo, foi dividido em cinco seções que formam os núcleos da exposição. Entre os lugares registrados estão a Antártida, as Ilhas Galápagos, Nova Guiné, Indonésia, Madagascar, Botswana, Ruanda, Congo, Uganda e Etiópia.

O Norte do planeta aparece em fotos tiradas nas regiões do Alasca e do Colorado, nos Estados Unidos, além do Canadá e do extremo norte da Rússia. O Brasil, ao Sul do planeta, está representado pela enorme floresta tropical que, vista do céu, cortada pelo Rio Amazonas e seus afluentes, parece um desenho que lembra uma gigantesca árvore da vida, com braços e mãos se estendendo em direção ao coração do país.

'Genesis' é o terceiro mergulho de longa duração em questões globais feito por Sebastião Salgado. Sua primeira imersão foi com 'Trabalhadores' (1986-1992) e, em seguida, com 'Êxodos' (1994-1999). Ambos retrataram as duras consequências das mudanças econômicas e sociais sobre as vidas humanas. A opção atual é pelo ambiente natural. A curadora, Lélia Wanick Salgado, esposa do fotógrafo, explica que a intenção foi exaltar a majestade e a fragilidade do nosso planeta.

GENESIS Fotografias de Sebastião Salgado. Abertura no Rio de Janeiro quarta-feira, no Museu do Meio Ambiente, Rua Jardim Botânico, 1.008. Até 26 de agosto, de terça a domingo, das 9h às 17h. Entrada franca. Informações: (21) 2294-6619. A mostra vai, em seguida, para São Paulo, no Sesc Belenzinho, a partir de 11 de setembro. Ano que vem, em maio, será aberta no Palácio das Artes. As imagens estão sendo lançadas em livro pela Taschen (520 páginas, R$ 169), editado e desenhado por Lélia Wanick Salgado.

Três perguntas para...
Sebastião Salgado, fotógrafo

Qual a história que buscou contar indo atrás de lugares inóspitos?
Fui ver um mundo com um prazer imenso de ver. Queria escrever uma carta de amor ao meu planeta. Fui vê-lo não como jornalista ou antropólogo. No fundo, quis revelar nessa coleção de fotos o que ainda há de puro no planeta. São lugares ameaçados pela sociedade de consumo, formada por nós mesmos.

O que mais o surpreendeu?
Muita coisa. Mas principalmente o fato de descobrir que todas as espécies têm uma racionalidade. Não só nós seres humanos. Outra coisa que me surpreendeu foi constatar que  somos os mesmos dos nossos antepassados, que já se amavam, eram solidários, tinham seus costumes parecidos em sua essência com os nossos atuais. A sabedoria da humanidade já existia há muito tempo.

Sua reflexão em torno da preservação da natureza ganhou efeito prático, há 10 anos, quando o senhor fundou em Aimorés, em Minas, o Instituto Terra. Como está o projeto?
O amplo processo de reflorestamento na propriedade de 700 hectares com espécies originais da mata atlântica hoje tem resultados visíveis. São 2 milhões de árvores plantadas e já é possível ver 177 espécies de pássaros e até onças voltando. Minha meta é chegar a um projeto maior de recuperação do Rio Doce, que está morrendo. A ideia é recuperar as nascentes. Será um projeto-piloto. Se der certo, a intenção é realizar o mesmo em todo o país. Já temos a tecnologia para fazer. Vai dar certo.

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