'A marca da água' propõe o desafio de um jogo cênico que provoca a plateia

A música de Ricco Vianna, os vídeos e o cenário ajudam a fazer a ponte entre o real e a fantasia

por Carolina Braga 26/04/2013 09:15

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Mauro Kury/Divulgação
(foto: Mauro Kury/Divulgação)
Nada de temas complexos, assuntos envolvendo o homem contemporâneo ou inquietações filosóficas. 'A marca da água', novo espetáculo da Armazém Cia. de Teatro, em cartaz no Sesc Palladium nesse fim de semana, partiu do desejo da trupe de experimentar outras formas de estar em cena, o que vale muito para quem há 25 anos se dedica à pesquisa do fazer teatral. “Queria trabalhar com água, pelo elemento que representa e também criar uma certa instabilidade para os atores”, revela o diretor, Paulo de Moraes.


Mas isso não significa que o espectador não terá provocações a refletir na saída da sala de espetáculos. Com texto de Maurício Arruda Mendonça e do próprio Paulo, a peça narra a história de Laura e a inusitada aparição de um peixe gigante no jardim dela. Isso é só o começo da montagem que procura explorar de uma maneira diferente engrenagens do cérebro e – por que não? – do nosso pensamento. Se a forma foi a mola propulsora para a trama, o cenário indicado ao Prêmio Shell monta literalmente uma piscina no palco, por onde os personagens transitam entre sonho e realidade. O elenco é formado por Patrícia Selonk, Ricardo Martins, Marcos Martins, Marcelo Guerra e Lisa E. Fávero.


Simbologia Segundo Paulo de Moraes, a água apareceu no processo de maneira natural. “A partir de um momento isso foi aprofundando e virou uma simbologia daquilo que no início era uma coisa intuitiva”, conta. Ao desafiar a estabilidade do ator com o uso do elemento, a pesquisa dramatúrgica também tinha como objetivo transformar o sentido comum do líquido vital. “Não poderia ser só água, teria que ser um estado”, comenta o diretor.


Moraes reconhece que 'A marca da água' tem pitadas surrealistas, ainda que não seja ideal rotular o espetáculo assim. “Foi um elemento de estudo”, frisa. Como é comum nos espetáculos do Armazém, a música e o uso de vídeos também estão presentes. “Como a gente queria o clima de sonho, a peça tem que oscilar entre o que é real e o que é sonhado. Como alternamos os tempos da narrativa a todo momento, o vídeo ajuda a contar a história”, conta


A música, por sua vez, também é usada como texto. O encontro com o peixe gigante dispara na protagonista um sintoma antigo: ela tem uma música dentro da cabeça que a atormenta. Assim, o compositor Ricco Vianna divide a cena com os atores e é o responsável pelas sonoridades disparadas no decorrer da peça.


'A marca da água' pontua as comemorações dos 25 anos da Armazém Cia. de Teatro. O grupo criado em Londrina em 1987, se transferiu para o Rio de Janeiro em 1998. Ao longo da carreira, sempre teve a pesquisa como norte. Uma das criações mais ousadas da trupe foi 'Alice através do espelho', espetáculo que proporcionou uma experiência teatral totalmente diferente para os espectadores. Além da indicação do cenário, 'A marca da água' também concorreu aos prêmios de texto e atriz no Shell.

A MARCA DA ÁGUA
Sábado, às 21h; e domingo, às 19h, no Grande Teatro do Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro). Ingressos a R$20 e R$ 10 (meia-entrada). Informações: (31) 3279-1500.

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