Mary del Priore lança 'O castelo de papel', sobre a princesa Isabel e seu marido, o conde d'Eu

Trabalho revela o lado humano dos personagens históricos

por Carlos Herculano Lopes 16/04/2013 08:36

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Bel Pedrosa/Divulgação
Mary del Priore revela que, ao contrário de muitos casais reais, Isabel e Gastão de Orleáns eram felizes no casamento (foto: Bel Pedrosa/Divulgação)
Dois destinos que se cruzaram em decorrência de um casamento arranjado, como era comum entre a nobreza da época, a vida da princesa Isabel, então herdeira do trono do Brasil, e do seu marido, o príncipe francês Gastão de Orleáns, o conde d’Eu, é contada em detalhes no novo livro de Mary del Priore, 'O castelo de papel'. O lançamento, com bate-papo com a autora, será nesta terça-feira, às 20h, no Teatro Oi Futuro Klauss Vianna.

Historiadora com mais de 30 livros publicados, entre eles 'A carne e o sangue e História das mulheres do Brasil', em seu novo trabalho, Mary del Priore, além de abordar as questões políticas, mostra também como era o dia a dia do casal, no então provinciano Rio de Janeiro do século 19. “Foi um casamento aparentemente feliz. O conde e a princesa se adoravam e levavam uma vida burguesa, a ponto de Gastão confessar que, a cada dia, agradecia a Deus por tudo o que havia encontrado no seu casamento”, conta Mary.

A jovem Isabel, por sua vez, também se derretia de amores pelo príncipe. Chamava-o de “meu querido, meu bem-amado, meu amigo, meu tudo”. Bordava pantufas para ele, mandava bilhetinhos apaixonados, num romantismo sem limites, bem ao estilo da época. Mary del Priore, numa linguagem das mais saborosas, conta também que, quando dom Pedro II, em fevereiro de 1869, resolveu enviar o genro para o campo de batalha no Paraguai, em substituição ao duque de Caxias, que havia deixado o comando das tropas, o mundo pareceu cair para Isabel. Acusou o pai de querer matar o marido, pois Gastão estava debilitado e o médico recomendara que ele não pegasse chuva nem sereno. “Ela não queria seu bem-amado fazendo papel de capitão do mato, caçando López. E, ameaçava, iria segui-lo até o inferno”, diz a historiadora.

Embora tenha voltado vitorioso do Paraguai e sido recebido em triunfo no Rio de Janeiro, a relação entre o conde d’Eu e o sogro não era das melhores. O imperador não deixava que o genro e a princesa participassem de questões políticas e os mantinha a distância das decisões ministeriais. Várias cartas de Gastão ao seu pai, conde de Namours, revelam o mutismo e o total alheamento em que Pedro II os deixava. Era constrangedor. “ Isabel chegou a esfriar as relações com o pai depois da morte de sua primeira filha, Luíza Vitória. Ela queria fazer o parto na Europa, onde o casal se encontrava, e dom Pedro II os obrigou a voltar ao Brasil. Um parto malfeito fez perder a filha”, diz Mary.

Coleção Museu Imperial/Reprodução
Isabel e o conde d%u2019Eu, recém-casados (foto: Coleção Museu Imperial/Reprodução)
REPÚBLICA E ESCRAVIDÃO
Rusgas domésticas à parte, por trás de tudo estava a política, com seus desdobramentos. Os clubes republicanos se multiplicavam, o clamor pela libertação dos escravos também. Os oficiais brancos, que haviam lutado lado a lado com os negros na Guerra do Paraguai, passaram a ter respeito por eles.

A monarquia, aos poucos, começa a desmoronar. Foi nesse ambiente que a princesa Isabel (seus pais estavam de viagem para a Europa) assinou a Lei Aúrea, em 13 de maio de 1888, acabando com a escravidão no Brasil, pelo menos oficialmente. Consta que, ao perguntar ao barão de Cotegipe o que ele teria achado do gesto, ele teria respondido: “Redimiste, sim, alteza, uma raça; mas perdeste vosso trono”. E estava certo, pois no ano seguinte, em 15 de novembro de 1889, foi proclamada a República.

Em seguida, a família imperial teve de deixar o Brasil e foi para a França, onde Isabel e o amado conde d’Eu viveram até o fim de suas vidas. Isabel, que passaria a assinar simplesmente condessa d’Eu, morreu em 14 de novembro de 1921, e o seu amado no ano seguinte, em 28 de agosto, ano do centenário da Independência. Em abril de 1971, com toda as honras, os restos mortais do casal foram trasladados para o Brasil.

O CASTELO DE PAPEL
Lançamento do livro de Mary del Priore, com bate-papo com a autora, nesta terça-feira, às 20h, no Teatro Oi Futuro Klauss Vianna, Avenida Afonso Pena, 4.001, Mangabeiras, dentro do projeto Sempre um Papo. Informações: (31) 3261-1501.

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