Maurício Tizumba estrela releitura de Molière para escolas públicas

Companhia Burlantins leva para os palcos mais um clássico; desta vez, 'O avarento' ganha os palcos da Funarte MG

por Ana Clara Brant 21/03/2013 09:24

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Daniel Protzner/Divulgação
Com a mão na grana, Maurício Tizumba interpreta o patético Harpagon, do original 'O avarento' (foto: Daniel Protzner/Divulgação)
Desde novembro oferecendo uma programação intensa com teatro, dança, circo, oficinas e atividades especiais para escolas públicas, a Mostra Benjamin de Oliveira será encerrada com um espetáculo inédito da Cia. Burlantins. Em cartaz até dia 31, 'Munheca' segue a linha adotada pelo grupo desde 'Oratório – A saga de dom Quixote e Sancho Pança', propondo a releitura de mais um clássico, no caso 'O avarento', de Molière.

O espetáculo tem Maurício Tizumba no papel do homem rico e acumulador que, de forma mesquinha e patética, relaciona-se amorosamente apenas com o dinheiro. “É um cara avarento até com os próprios sentimentos”, explica a diretora Elisa Santana. “Tudo na vida dele é direcionado para a grana, para os bens materiais. O dinheiro é o vínculo que ele tem com o mudo e sua única relação amorosa de fato. Resumindo, é o que ele realmente ama e valoriza, e nada mais importa.”

ATEMPORAL Com uma hora de duração e elenco totalmente negro, formado por nove artistas, 'Munheca' tem como inspiração texto do dramaturgo francês Jean-Baptiste Poquelin, o Molière, que estreou em Paris em 1668, e conta a história de Harpagon, um velho mão de vaca que carrega os filhos para sua mesquinharia e desconfia da lealdade de todos. Ele não descansa com medo de ser roubado, pois guarda todoo seu dinheiro em casa e faz vigília para que os filhos não se casem com alguém sem dotes.

Elisa Santana diz que a peça do século 17 é uma crítica à burguesia e traz à tona a mesquinharia de um homem em todos os sentidos. Para ela, o interessante é que, até nos dias de hoje, a montagem se mantém atual. “Isso ocorre porque o ser humano não mudou nada. Infelizmente, o mais importante ainda é o ter e não o ser”, acrescenta.

Como traço emblemático da Burlantins, a releitura do texto clássico apresenta muita música e referências à cultura mineira. A diretora acredita que o grande desafio deste trabalho é mostrar a história de uma maneira risível e que ao mesmo tempo leve à reflexão. “Fazer com que a gente tenha um olhar crítico. É contraditório, mas o protagonista é um homem rico, mas extremamente miserável. E conseguir com que os atores percebam isso e passem para o público é um processo instigante e bacana”, ressalta.

Munheca
Até dia 31, na sede da Funarte MG (Rua Januária, 68, Floresta). De quinta-feira a sábado, às 20h; e domingo, às 19h. Ingressos a R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada). Informações: burlantins.com.br/benjamin

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