Instalação 'Aplique de carne' estreia nesta quinta na Funarte

Parte de fábula pós-moderna cria espetáculo multimídia e mescla artes visuais, música, body art, vídeo e teatro

por Ana Clara Brant 06/03/2013 07:10

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Beto Novaes/EM/D. A Press
O ator Paulo Tiefenthaler, o artista plástico Guga Ferraz e o poeta Botika trazem contribuições de suas áreas de trabalho ao espetáculo (foto: Beto Novaes/EM/D. A Press)
Desde a semana passada, uma turma de artistas plásticos, produtores, escritores e músicos cariocas está morando num apartamento no Prado, região Oeste de Belo Horizonte, para se dedicar a um projeto ousado e inédito: o espetáculo multimídia 'Aplique de carne', que estreia amanhã no Galpão 5 da Funarte, na Floresta. “A gente brinca que viramos uma espécie de novos baianos. Nos tornamos uma família, mas isso facilita porque somos muito amigos. Há pelo menos quatro meses estamos convivendo mais intensamente, quando alugamos um loft no Rio para realizar nossos ensaios, os vídeos e experimentações. Aqui em BH, estamos dormindo em colchão, pegamos fogão emprestado. Mas tudo vale pela arte”, destaca o poeta e escritor Botika.

Contemplado pelo edital da Fundação Nacional das Artes para Arte Contemporânea, 'Aplique de carne' mescla várias linguagens e manifestações artísticas como escultura, body art, música, show, videoarte e performance, além de trabalhar no universo cognitivo tradicional e subversivo brasileiro (folclore, indigenista, pornochanchada e antropofagia). Responsável pela produção, Ana Maria Bonjour acredita que o mais interessante dessa iniciativa foi criar algo em que todos se ajudam e aprendem, além do fato de proporcionar que um artista plástico se enverede pela música ou vice-versa. “Hoje em dia, a cultura está muito dentro de padrões e acho que esse espetáculo permite uma experimentação muito grande para todos e é uma potência de criação. O mais complicado, mesmo tendo captado patrocínio da Funarte, é a falta de recursos. Ainda precisamos de um complemento de verba de R$ 30 mil. Por isso, fizemos uma parceria com o Benfeitoria, site de arrecadação no formato patrocínio coletivo (crowndfunding) – www.benfeitoria.com/apliquedecarne”–, revela Ana.
 
O entusiasmo do grupo é visível e supera o frio na barriga pela estreia de 'Aplique de carne', que fica em cartaz até 21 de abril, sendo que todas as quintas e sextas de março tem apresentação ao vivo com a banda. A ideia surgiu há seis anos, numa mesa de bar, entre Botika, o artista plástico Alexandre Vogler e o ator, cineasta e apresentador do programa 'Larica total', Paulo Tiefenthaler. 

CARNE DE SEGUNDA

Ao longo do tempo, foi tomando corpo e incorporando outros parceiros, como o artista plástico Guga Ferraz, que ficou a cargo das esculturas que compõem o cenário e as próteses que serão vestidas pelos atores. Ele chegou a utilizar carnes de segunda para poder fazer as formas e os moldes das esculturas e confessa estar com boa expectativa para as apresentações. “É uma obra viva e estamos experimentando constantemente. A gente não sabe como o público vai reagir a essa história, mas ela ainda está sendo construída; é aberta e isso é muito interessante do ponto de vista do artista e dos espectadores”, ressalta Guga.

Um caminhão chegou no fim de semana do Rio de Janeiro com vários materiais, como carteiras de escola, madeira, figurinos, equipamentos de som para ajudar a montar a instalação, que terá uma sala de aula, uma borracharia, um lago com vitórias-régias, um palco, um caraoquê e até um canteiro de couves. E tudo será permeado com vídeos, serigrafias, slides e música.

A trilha é um capítulo à parte. Foi composta em apenas três semanas e conta com nove canções e duas paisagens sonoras. Um vinil colorido trazendo todas as faixas será lançado amanhã, junto com um livro que será distribuído gratuitamente. “Foi um processo arriscado, pela rapidez, mas muito rico e espontâneo, porque gravamos quase ao vivo. O clima no estúdio era de muita felicidade e isso certamente vai estar presente nas apresentações aqui na Funarte”, assegura o produtor musical Emiliano 7.

Uma história surreal

Beto Novaes/EM/D. A Press
A cantora Nana Carneiro da Cunha faz o principal papel, Aplique (foto: Beto Novaes/EM/D. A Press)
Uma fábula sobre um ser andrógino de lábios vaginais gigantes. 'Aplique de carne' é uma personagem que fugiu da barriga da mãe para seguir vitórias-régias incandescentes e nadou durante dias pelo Rio Amazonas, amparada e nutrida por arraias, até ser deixada na beira do rio para ser criada por um casal sem filhos. A menina cresceu saudável, brincando como qualquer criança ribeirinha e alimentou o sonho de ser uma estrela, como as que assistia, fascinada, na TV da comunidade. Crescida, a menina tem uma revelação através de um sonho e, ao acordar, percebe que é diferente de todas as mulheres. Esta descoberta irá afetar toda a vida de Aplique, até ela se tornar uma superstar. 

“Ela é uma mulher que os grandes lábios não param de crescer e passa por várias aventuras. Quando fica adolescente, ela menstrua couves, vai parar na Baía de Guanabara depois de um tsunami e vira uma artista pop do caraoquê. É uma história surreal para muita gente, mas na arte contemporânea se permite inventar esses absurdos. Isso que é legal”, resume o ator e cineasta Paulo Tiefenthaler, que junto com o escritor Botika e o artista plástico Alexandre Vogler é o responsável pelo roteiro. 

A atriz e cantora Nana Carneiro da Cunha fará o papel principal de Aplique, e as colegas Amora Pêra e Flávia Belchior, da banda Chicas, vão interpretar as assistentes da diva, as apliquetes.

APLIQUE DE CARNE
Exposição, desta quinta-feira a 21 de abril, das 13h às 19h
Apresentações dias 7 e 8, 14 e 15 e 21 e 22 deste mês, às 19h30
Entrada franca, sujeita à lotação (40 lugares)
Local:Galpão 5 da Funarte
Endereço: Rua Januária, 68, Floresta
Informações: (31) 3213-3084


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