Artistas trocam de atividades e se realizam em outras áreas

Após trabalhos de destaque, profissionais se reinventam na busca por novos desafios

por Sérgio Rodrigo Reis 22/02/2013 09:39

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Zuleika de Souza/CB
Carla Camurati foi das funções de diretora a distribuidora e gestora cultural: "meu impulso veio da paixão de fazer meu filme chegar ao público (foto: Zuleika de Souza/CB)
Com carreiras artísticas consolidadas, eles eram conhecidos e respeitados nos respectivos setores. Mas seja por inquietação, oportunidade, por situações inesperadas ou em busca de novos horizontes, resolveram mudar de ramo. Não é que deu certo?

Na década de 1980, quando surgiu como atriz na televisão, Carla Camurati nem de longe poderia imaginar que se transformaria em cineasta, produtora, diretora de ópera e gestora pública. “Sou uma pessoa apaixonada pelas coisas que faço. Por causa disso, vou passando por projetos e situações, mas nada é planejado”, esclarece ela.

Depois do sucesso como cantor na década de 1980, interpretando hits como 'A fórmula do amor', o roqueiro Leo Jaime sumiu de cena. Nos últimos anos, ele reapareceu como ator e apresentador de TV. Deu certo. Hoje, Leo é figura onipresente na Rede Globo e no canal pago GNT.

Outro que se reinventou foi o jornalista Marcelo Tas. Ele ficou famoso, também na década de 1980, ao incorporar o personagem Ernesto Varela, divertido repórter especializado em ironizar os políticos. Depois de vários trabalhos sem tanta repercussão, Tas voltou agora ao primeiro time da TV como apresentador do programa CQC, da Band.

AFP PHOTO/ALBERTO PIZZOLI
Escritor Paulo Coelho já foi letrista, diretor de teatro, ator e executivo de gravadora (foto: AFP PHOTO/ALBERTO PIZZOLI )
Autoajuda
A reviravolta na carreira fez de Paulo Coelho uma celebridade mundial. O escritor brasileiro mais conhecido no exterior foi ator e diretor de teatro nos anos 1960, executivo de gravadora de discos e letrista de Raul Seixas a partir de 1972. O sucesso internacional, entretanto, chegou depois de uma viagem a Santiago de Compostela, na Espanha, fonte de inspiração para sua série de livros de autoajuda que conquistaram milhões de leitores.

A maioria dessas reviravoltas não foi caso pensado. Diretora de 'Carlota Joaquina – Princesa do Brasil' (1995), longa que marcou o ressurgimento do cinema brasileiro depois da crise provocada pelo governo Collor, a atriz Carla Camurati conta ter sido praticamente obrigada a assumir novos ofícios.

“Meu impulso veio da paixão de fazer meu filme chegar ao público. Ele poderia ter sido enterrado em uma semana de exibição, pois as distribuidoras não se interessavam por nosso cinema. Então, resolvi distribuí-lo”, relembra Carla. A estratégia funcionou. O longa-metragem atraiu 1,5 milhão de pessoas e se tornou símbolo da retomada da sétima arte brasileira.

Municipal
A repercussão de Carlota Joaquina possibilitou à diretora lançar outros filmes, como 'La serva padrona' e 'Copacabana'. Mas ela não se acomodou. Em 2007, aceitou o convite para presidir a Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

“Sabia que o Municipal se encontrava em condições lastimáveis de conservação, conhecia seus problemas internos e tinha consciência de que não tinha experiência de gestão”, relembra a atriz e cineasta. Hoje, ela está feliz por ter encarado o desafio. “Consegui restaurar e modernizar o Muncipal”, comemora.

Carla Camurati tem mais planos no setor público. “Quero criar uma fábrica de espetáculos onde o público possa vivenciar todas as etapas das montagens”, diz ela, referindo-se ao megaprojeto envolvendo o Centro Técnico de Produções (CTP) do Theatro Municipal. As obras já começaram. O imenso espaço fica na zona portuária do Rio de Janeiro.

Fernando Mucci/divulgação
João Carlos Martins foi pianista aclamado, é maestro e se entusiasma ao ensinar música a jovens (foto: Fernando Mucci/divulgação )
Do piano à batuta
Nascido em 1940, o paulista João Carlos Martins começou a estudar piano aos 8 anos. Fez sucesso internacional como concertista e se especializou na obra de Bach. Em 2002, por problemas físicos, teve de abandonar o ofício.

Martins aprendeu a reger. Voltou aos palcos como maestro, em performances elogiadas. Aos 72 anos, não parou de se reinventar. Atualmente, comanda a Fundação Bachianas, em São Paulo, e desenvolve ações voltadas para a educação musical de crianças e adolescentes em situação de risco social. “Em 10 anos, quero formar 1 mil orquestras jovens no país”, avisa ele.

O problema de saúde que o afastou do piano faz parte do passado. “Virei essa página. Hoje, minha luta é a excelência musical aliada à responsabilidade social”, explica. Seu objetivo é ver crianças brasileiras tocando violino como as do conservatório de Moscou. “Esse é o legado que pretendo deixar”, afirma João Carlos.

O maestro criou um método de ensino de instrumentos de cordas, reunido em cinco livros. “Quero que todos tenham acesso a essa metodologia. Para aprendê-la é necessário ter disciplina de atleta e alma de poeta”, diz João Carlos.

A região onde está instalada a Fundação Bachianas – uma sala embaixo do viaduto ao lado da Avenida 9 de Julho, em São Paulo – é o espelho da transformação deflagrada pela persistência do ex-pianista. “Aqui era um antigo ponto de tráfico de drogas. Virou ponto da música. Meu sonho é ampliar esse projeto para o Brasil. Não precisamos importar o vitorioso modelo venezuelano de ensino musical. Já temos algo aqui, atendendo 4 mil crianças”, conclui João Carlos Martins.

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