Gustavo Maia apresenta extenso conjunto de obras no Museu Inimá de Paula

Exposição 'Sangradouro' fica em cartaz até o dia 25 de fevereiro

por Walter Sebastião 08/02/2013 11:22

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Palavras cruzadas, obra de Gustavo Maia, da mostra Sangradouro
O belo-horizontino Gustavo Maia, de 34 anos, vem, há cerca de sete anos, expondo obras em diversos espaços. Realizou desde mostra em ateliês coletivos a exposições em galerias comerciais, passando, ainda, pelos endereços institucionais. Em todas as mostras, apresentou trabalhos cuja singularidade é transformar em prática, com linguagem clara e de grande contundência visual, o que, na teoria, é tema complexo: as relações da pintura com as novas tecnologias. E surpreendente é como o artista consegue que o pictórico se mantenha tão íntegro com meios tão alheios (computadores e afins) aos modos convencionais de alcançar tal objetivo (tintas e pincéis especialmente). Vale recordar que o autor já fez o mesmo com o desenho, mas computador e gráfica têm tudo a ver.

Gustavo Maia, no momento, está apresentando extenso conjunto de obras no Museu Inimá de Paula, em exposição que leva o nome de 'Sangradouro'. O título vem de trabalhos recentes em que confronta, brutalmente, geometria e manchas. Outra série, 'Span', traz imagens construídas com apropriação de imagens da internet vindas “de fontes distintas e pouco nobres”. São “paisagens da cultura digital”, segundo o artista. Desconcertante é o conjunto 'Geométricos': abstrações criadas a partir de gabaritos de arquitetura, diagramas de placas e teclados de computador, esquemas gráficos (como os de palavras cruzadas ou da tela do YouTube). Em expoisição também sequência inteira de trabalhos realizados a quatro mãos com Manuel Carvalho.

Não se trata apenas de motivos excêntricos ao repertório da pintura, mas também de obras realizadas com práticas experimentais: desde gravações com impressoras caseiras até uso de máscaras (recortes de papel) e também pelo uso de tintas e pincéis. As peças de 'Sangradouro', por exemplo, foram realizadas criando estruturas geométricas em “relevo”, barrando ou dirigindo tinta escorrida sobre a superfície. “É encontro de tradição de pintura mais racional com outras que trabalham com processos mais casuais”, conta Gustavo. 'Geométricos', continua, volta-se para transposição para telas de “estruturas encontradas e não inventadas”. A visualidade despojada é desejo de “síntese, concentração, condensação”. Massas de tintas, explica, são para evidenciar a fartura e a matéria.

Reticente em teorizar a própria obra, Gustavo Maia não se nega a indicar aspectos de suas pesquisas. Interessa-se por “lugares ambíguos, intermediários, entre abstração e figuração”. Deixa visível, nas obras, os processos usados para realizá-las. “Pintura procura uma relação presencial com o espectador. É ao vivo que dá a noção de dimensão, especificidade”, defende. Todas as técnicas que utiliza foram criadas por ele, e ele se vale delas de acordo com o projeto a ser realizado. Adora a geometria, “desde criança ficava intrigado com as abstrações”. Aceita que há, na linguagem dele, “uma semente” pop, e gosta que as imagens carreguem algum humor. “É trabalho que tem um viés conceitual à medida que questiona a pintura, os temas dela e as formas de realizá-la”, observa.

O uso do computador como ferramenta, explica, remete aos tempos do curso de publicidade. Aos poucos, conta Gustavo, procurou aproveitar o equipamento para criação de arte e, gradativamente, para a pintura. Anda procurando romper com a excessiva planaridade e lisura da imagem digital. Em momento que faz exposição “aparentemente sem estilo”, Gustavo Maia fala com admiração pelo pintor alemão Gehard Richter. O motivo: transitar, indistintamente, entre várias proposições, da abstração ao hiperrealismo, sem perder a qualidade. Sobre Manuel Carvalho, com quem divide obras, conta que é colega de conversas sobre a pintura, dúvidas e inquietações artísticas.

Sangradouro

Mostra de obras de Gustavo Maia. Museu Inimá de Paula, Rua da Bahia, 1.201, Centro, (31) 3213-4320. Aberta terça, quarta, sexta e sábado, das 10h às 19h; quinta, das 12h às 21h; domingo, das 12h às 19h. Até dia 25. Entrada franca.

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