Festival de Verão da UFMG começa com oficinas e termina na folia de carnaval

Zé do Poço, o sanfoneiro José Nogueira da Silva e o grupo Os Sucatas tocam nesta sexta-feira no Espaço TIM UFMG do Conhecimento

por Ailton Magioli 08/02/2013 07:40

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André Hauck/Esp. EM/D. A. Press
(foto: André Hauck/Esp. EM/D. A. Press)
Homem de “mil profissões e 16 necessidades”. É como se define José Jacinto Neto, o Zé do Poço, de 57 anos, perfil que se encaixa perfeitamente no conceito da sétima edição do Festival de Verão da UFMG, que será promovido durante o carnaval em Belo Horizonte. De hoje a terça-feira, o público poderá curtir música, teatro, cinema, baile, palestras e oficinas sobre temas variados.

Na abertura, às 20h15, no café do Espaço TIM UFMG do Conhecimento, na Praça da Liberdade, haverá palestra da professora Patrícia Kauark sobre filosofia e física quântica. Às 21h15, tem bate-papo musical com Zé do Poço. Cantor, compositor, percussionista, escritor, ator, diretor dos próprios clipes, agitador cultural, pintor, vendedor de bugigangas e catador de sucatas, o multiartista expressa o conceito e o método adotados pelo festival que tem o lema: “Vadiar é preciso, o resto é improviso.”

Acervo pessoal
A portuguesa Mafalda Saloio no espetáculo Felicitações madame. A atriz vai coordenar a oficina sobre improvisação cênica Ginástica do ator, que trabalhará o movimento, o gesto, a voz e o ritmo. De amanhã a dia 12, das 15h30 às 18h30, no Centro Cultural UFMG. (foto: Acervo pessoal)
A diretora de Ação Cultural da universidade, Lúcia Castelo Branco, responsável pela coordenação e curadoria do evento, diz que a ideia é trabalhar com improviso e restos. Assim, uma oficina atravessará a outra, culminando em baile carnavalesco, que funcionará como exposição do resultado do festival. De amanhã a terça-feira, a programação gratuita será transferida para o Centro Cultural UFMG, no Centro. Além da atriz portuguesa Mafalda Saloio, que está trazendo à cidade o espetáculo Senhorita dos Aires, o público poderá conferir uma montagem de teatro butô, de São Paulo.

Trata-se de TABI, cujo título em japonês significa viagem. A pesquisa de Dorothy Lerner e Emilie Sugai representa a busca no tempo da ancestralidade por meio de questionamentos feitos a partir do corpo. Já o show Rap de repentes promoverá um duelo de MCs e violeiros repentistas, reunindo no palco os MCs mineiros Monge, PDR, DIN e Ozléo e a dupla nordestina formada pelos violeiros cantadores Edmilson Ferreira e Antônio Lisboa. Zé do Poço se apresentará com o sanfoneiro José Nogueira da Silva, o Sarieiro, com quem faz dupla, e a banda Os Sucatas, especialmente formada para acompanhá-lo no festival por Thiago Gazzinelli (sanfona), Eduardo Hargreaves (bateria), Pedro Miranda (baixo) e Pedro Fonseca (guitarra) integram a jovem banda, cuja faixa etária não passa dos 20 anos.

ZÉ DO POÇO & OS SUCATAS

Nesta sexta-feira, às 21h15, no Espaço TIM UFMG do Conhecimento, Praça da Liberdade, s/nº, Funcionários. Entrada franca. Informações: (31) 3409-8278.

OPERÁRIO DA ARTE

Natural de Itabirinha de Mantena, Leste de Minas, Zé do Poço mora em Ribeirão das Neves e vem atraindo a atenção da juventude pela originalidade de sua música, que traz à tona a figura do cantador, adepto do improviso e das músicas caipira, popular e também contemporânea. “Zé do Poço gosta de dizer que o público dele são esses tais de intelectuais”, relata o francês Augustin deTugny, professor da Escola de Belas-Artes da UFMG, que conheceu o artista por meio da mulher, Rosangela Pereira, que tem aluna de mestrado amiga do artista.

“De certa maneira, Zé desafia o bom gosto musical estabelecido”, constata Augustin, ressaltando a potência e a veracidade poética do artista. “Público para a sua música tem sim. Já mercado, não me pergunte porque não sei”, acrescenta, lembrando que, não por acaso, o grupo Graveola e o Lixo Polifônico gravou com Zé do Poço.

“O Zé é demais. Trata-se de um cara muito interessante. Ele tem pluralidade, uma coisa muito vinculada à palavra”, garante Luiz Gabriel Lopes, do Graveola, que, depois de tocar com o artista levou-o para estúdio, onde gravaram a faixa de sua autoria, Não tem coisa mais feia do que pobre num caminhão Chevrolet. Anteriormente, Zé havia gravado o disco Renda de cristal com Pereira da Viola.

Zé do Poço diz que, depois do canto, que aprendeu no meio da roça tocando boi, passou a praticar a palavra. Resultado: tudo pode virar música. O artista já contabiliza mais de 500 composições, registradas em mais de duas dezenas de discos de produção independente. De poética e veracidade implacáveis, a música de Zé do Poço vem conquistando fãs pelo potencial e originalidade. “Ele tem um jeito diferente de se expressar. Quer ser um mestre, está sempre preocupado em nos ensinar”, diz Thiago Gazzinelli, d’Os Sucatas, contando que ele e os amigos tocam a música do artista à maneira deles.

“A música do Zé fala da alma, da verdade”, diz a irmã dele, Ardelina Jacinta de Oliveira, afirmando que falta a ele um patrocinador. No YouTube, Zé do Poço já se tornou figura carimbada. Confira lá!


OFICINAS:

Eixo: Ciências da vida e saúde
l Comunicação em linguagem visual, com o professor Tales Moreira
l Musicalização infantil, com o professor Pedro Lutterbach Rodrigues Campos
l O espírito do lugar, com a professora Lia Krucken
l Poesia expandida, com os professores Cinara de Araújo
e João Rocha

Eixo: Ciências exatas, da Terra e tecnologias
l Aerodinâmica no cotidiano, com o professor Alberto Francisco do Carmo
l Céu: armazém de sinais, com os professores Cinara de Araújo, Luciana da Cunha Ferreira e Renato Las Casas
l Inovação rima com invenção, com o professor Eduardo de Campos Valadares

Eixo: Humanidade, letras e artes
l Adereços sucateiros, com o professor Augustin de Tugny
l Desvio de objetos, com o professor Marcelo Lustosa
l Ginástica do ator, com o professora Mafalda Saloio

Eixo: Projetos especiais
l Arte cinética sonora, com os professores Marco Scarassatti e Pierre Souza Fonseca

(*) Havendo vagas, as inscrições de cada oficina custam R$ 20 e podem er feitas no Centro Cultural UFMG, na Avenida Santos Dumont, 174, Centro. nformações: (31) 3409-8290. Oficina errante – práticas do não saber, com o professores Adriano Mattos Corrêa, Ângela Guerra Monteiro, Bruna Piantino, Claudia Vilela, Joseana de Oliveira Jorge, Luciana Oliveira, Priscila Musa e Sílvia Herval

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