Realização do monólogo 'Farnese de saudade' no Rio de Janeiro impulsionou a carreira de Vandré Silveira

Ator mineiro participará de espetáculo de Gianfrancesco Guarnieri

por Carolina Braga 21/01/2013 08:23

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 (Rodrigo Castro/Divulgação )
Vandré Silveira está indicado ao Prêmio Shell pela criação do cenário de Farnese de saudade (foto: (Rodrigo Castro/Divulgação ))
A caminho do primeiro dia de ensaios da remontagem de 'Botequim ou céu sobre chuva', de Gianfrancesco Guarnieri, o ator mineiro Vandré Silveira reafirma o quanto 2012 foi um divisor de águas na carreira dele. “Não tenho a menor dúvida”, reforça. O convite para reviver Júlio, personagem defendido pelo galã Eduardo Tornaghi na década de 1970, é apenas um dos desdobramentos de um ano muito importante profissionalmente.

Formado em publicidade pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e em teatro pelo Centro de Formação Artística do Palácio das Artes (Cefar), Vandré trocou Belo Horizonte pelo Rio de Janeiro em busca de mais oportunidades profissionais na área que escolheu para atuar. Há sete anos na Cidade Maravilhosa, fez cursos, oficinas e participações em montagens como 'Transtchekhov', 'Dois jogos: sete jogadores' e o ótimo infantil 'O menino que vendia palavras'.

Foi a realização do monólogo 'Farnese de saudade' – projeto muito pessoal, com direção de Celina Sodré sobre a obra e a vida do artista plástico também mineiro Farnese de Andrade – a responsável pela conquista do respaldo artístico em solo carioca. Vandré Silveira está indicado ao Prêmio Shell pela criação do cenário da montagem.

Televisão

“No Rio, a influência da televisão é muito forte. O tipo de teatro feito tem apelo mais comercial. Não tenho nada contra, acho maravilhoso. Mas é importante ter teatro de pesquisa. Fui por esse caminho”, comenta. 'Farnese de saudade' nasceu a partir do encantamento do ator pelos trabalhos do artista plástico. “É identificação extrema com o discurso e o olhar dele sobre o mundo.”

Vandré Silveira dedicou cinco anos à elaboração do espetáculo. O cenário que criou foi inspirado em uma exposição de Louise Bourgeois, vista em Paris, em 2008. Trata-se de uma particular reprodução do ateliê de Farnese, com objetos escolhidos a dedo pelo ator. “Durante dois anos, fui garimpando tudo que fosse alusivo ao universo dele e montei a estrutura”, explica.

O texto foi construído a partir de fragmentos das obras de Farnese, alguns manuscritos e até referências retiradas de filmes sobre o artista. “Ele trabalhava com fragmentos, nada mais coerente do que construir a dramaturgia a partir disso também”, explica. 'Farnese de saudade' estreou em março, para temporada de dois meses no Espaço Sérgio Porto, no Rio.

Nos planos de 2013, está conseguir levar a montagem para outros cantos. Claro que Belo Horizonte está na lista de Vandré Silveira, mas, por enquanto, o ator não conseguiu nem ter retorno dos contatos que fez por aqui. O Sesc foi um deles. “A peça está inscrita em alguns editais. Acho que merece circular mais. 'Farnese de saudade' é pleno. Fiz da maneira que quis e senti que poderia fazer. Não fiz nenhuma concessão. Foi uma entrega absoluta”, diz.

Guarnieri

O convite para a remontagem da peça de Guarnieri surgiu a partir das apresentações de 'Farnese de saudade'. Depois de vê-lo em cena, a produtora e atriz Márcia do Valle o chamou para uma leitura do clássico 'Eles não usam black-tie', ao lado de Fernanda Montenegro e Nelson Xavier, entre outros. Depois disso, surgiu a oportunidade de participar da remontagem de 'Botequim ou céu sobre chuva', também com direção de Antônio Pedro. A estreia da peça está prevista para março.

No cinema

Este ano, Vandré Silveira também voltará à telona. Ele está convocado para o elenco de 'Makumba', novo longa-metragem da filha de Glauber Rocha, Paloma. “Não sou só um ator de teatro. Sou ator e ponto. Antes de ela me telefonar, estava em um teste para publicidade. Estou aberto a qualquer trabalho, em qualquer linguagem.”

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