Verão Arte Contemporânea reúne manifestações de BH e de fora da capital

por Ailton Magioli 18/01/2013 08:00

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Paulo Santos/Divulgação
(foto: Paulo Santos/Divulgação)
A dança é o destaque da segunda semana de programação do Verão Arte Contemporânea (VAC), que, em sua sétima edição, volta a privilegiar a vertente contemporânea da manifestação, com apresentações de companhias locais e de fora. De Belo Horizonte, participam as bailarinas e coreógrafas Margô Assis, Renata Ferreira e Thembi Rosa, com Olho + 1331, enquanto o Grupo Cena 11 Cia. de Dança, de Florianópolis (SC), traz à capital mineira Carta de amor ao inimigo, seu mais recente espetáculo.

Apesar de se cruzarem nos bastidores e palcos desde o início da nova década, somente em 2010 Margô, Renata e Thembi oficializaram o que classificam de compartilhamento formal em dança, no então batizado Dança Multiplex, grupo que traz ao VAC7 dois duetos (Olho: Aresta ou Fresta) e um dispositivo (1331) para pesquisa em dança, software, música e imagens.

Em Olho, Margô Assis e Renata Ferreira fazem um exercício de olhar para construir conexões ou simplesmente observar as mudanças que ocorrem no tempo, trabalhando com objetos como madeira. Já em 1331, Thembi Rosa conta com a bailarina belga convidada Dorothé Depeauw para apresentar ao público um software especialmente criado para a performance, por meio do qual os movimentos do corpo podem alterar o som. Com trilha sonora originalmente criada pelo grupo O Grivo, a coreografia parte de cinco parâmetros, entre os quais a velocidade e o deslocamento de eixos.

Segundo a bailarina e coreógrafa mineira, o Festival Internacional de Dança (FID) foi responsável pela formação do trio que resultou em Dança Multiplex. Hoje, elas encontram no VAC o canal ideal para mostrar o trabalho do coletivo, que reúne dança, teatro, música e artes plásticas, além da (a esta altura indispensável) tecnologia.

CORPO VODU

De Florianópolis (SC), Belo Horizonte terá a oportunidade de assistir pela primeira vez ao Grupo Cena 11 Cia. de Dança, no espetáculo Carta de amor ao inimigo. Peça densa, segundo o coreógrafo uruguaio criado no Brasil, Alejandro Ahmed, o espetáculo traz perguntas como: O que é estar junto? O que é convívio? O que é interdependência de opostos? Em cena, seis bailarinos levam para o palco italiano a ideia de “situação coreográfrica”, criada pela companhia catarinense, por meio da qual o próprio público pode criar uma dramaturgia emocional para o corpo, diferente da simples postura contemplativa.
Cristiano Prim/Divulgação
O Grupo Cena 11 Cia. de Dança em 'Carta de amor ao inimigo' (foto: Cristiano Prim/Divulgação)
 
O interesse pela imaterialidade coreográfica, de acordo com Alejandro, vem do trabalho anterior, que ele fazia com um grupo de bailarinos e espectadores, com o qual era criado o que ela classifica de “ações integradas de consentimento para ocupação e resistência”. Com trajetória de 20 anos, nos últimos 12 o Grupo Cena 11 Cia. de Dança passou a pesquisar a dança e suas extensões, entre as quais a tecnologia acabou entrando de forma complementar na maneira de pensar o corpo e o movimento.

Conforme relata o coreógrafo, Violência, o espetáculo que fizeram em 2000, acabou responsável por uma guinada forte na mudança estética do grupo. Foi a partir da técnica de relacionamento com o chão, de uma maneira diferente, que o Cena 11 chegou à disponibilidade do corpo em função do risco, criando na companhia o lugar a que chamam de “corpo vodu”, por meio do qual pesquisa o comportamento do corpo, público e movimento.

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