Editora recupera em livro textos de Álvaro Lins

Obra organiza 22 anos de produção do famoso crítico literário pernambucano

por Agência Estado 16/01/2013 11:56

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Escritor pernambucano foi considerado o "imperador da crítica brasileira" (foto: Divulgação)
Sim, nós tivemos o nosso Henry Louis Mencken. Não era o Paulo Francis, como muitos estimaram. Esse exemplar de que falamos foi "o imperador da crítica brasileira" (expressão usada por Drummond) entre os anos de 1940 e 1950, e o próprio Francis, um sucedâneo no métier, o saudou como exemplo de antiprovincianismo.

Seu nome era Álvaro Lins, pernambucano de Caruaru, e foi um dos mais profícuos intelectuais de sua época. "Se houvesse que se traçar a genealogia do tipo 'diário crítico', então seria preciso, após Montaigne e Gide, falar de Charles du Bos e Álvaro Lins", sentenciou o sociólogo francês Roger Bastide. Já George Bernanos profetizou que ele usufruiria toda a vida do "ódio dos mesquinhos".

A partir de um "rodapé semanal" escrito no antigo 'Correio da Manhã', no Rio de Janeiro, Lins espraiou influência, polêmica, verve, ironia, destruição e construção no ambiente literário nacional. "E não há dúvida de que o sr. Álvaro Lins é, quimicamente falando, o crítico mais puro que existe hoje em dia no Brasil", disse o insuspeito crítico literário Antonio Candido.

Problema é que ao mito não se contrapunha um testamento adequado em texto. Sua obra ficou encerrada em artigos velhos. Até que, por obra da pernambucana Cepe Editora, saiu este ano o volume 'Álvaro Lins - Sobre Crítica e Críticos' (241 págs, R$ 35), compilação de sua produção entre 1941 e 1963 (ele morreu em 1970 no Rio). A organização é de Eduardo Cesar Maia. É um assombro o frescor das ideias e da sua presença de espírito em embates admiráveis.

Álvaro Lins tinha como mote a ideia de que "certos ódios honram mais do que a solidariedade". Não os cultivava, mas quando eles o atingiam, se nutria deles para crescer no combate crítico. "Eu sou talvez o crítico que, nos seus artigos, menos fornece frases de elogios para a propaganda na capa dos livros", divertia-se. Brémond, Baléry, Joyce, Machado, Dostoievski, Mário de Andrade, Goethe, Flaubert: tudo passava pelo seu coador.

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