Gorete Milagres e a sua Filó estão entre os destaques da Campanha de Popularização do Teatro e da Dança

Maratona teatral segue até 4 de março, apresentando diversos tipos de espetáculos

por Ailton Magioli 04/01/2013 09:02

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Andreia Machado /Divulgação
(foto: Andreia Machado /Divulgação)
O frio na barriga é o mesmo de 1991, quando Gorete Milagres estreou profissionalmente, no mesmo Palácio das Artes, na opereta Il festino, do Teatro Universitário (TU/UFMG). Vinte e dois anos depois, já na pele da doméstica com a qual se consagrou na cena brasileira, a atriz – que hoje vive em São Paulo – volta a participar da 39ª Campanha de Popularização do Teatro e da Dança de Belo Horizonte, nos dias 22 e 23, com Filodaemprego.com. A maratona teatral segue até 4 de março, apresentando uma infinidade de espetáculos para todos os públicos e gostos, em variados espaços da cidade. Confira a programação da campanha Esta será a terceira participação de Gorete Milagres no evento de cunho popular. “Em 1998 e 1999, fiz a Filó em espetáculos diferentes do que vou apresentar agora”, recorda a atriz. De olho na transformação da classe media brasileira, na qual surgiu novo segmento de consumo, denominado Classe C, Gorete vai encenar a ascensão social de Filomena. De diarista à atual governanta, proprietária de uma agência virtual de empregos, a personagem cresceu e apareceu, depois de também exercer as funções de mensalista, arrumadeira e copeira. Grande Filó! Quarto espetáculo solo de Filomena, Filodaemprego.com é de autoria da própria atriz, que, para dirigi-la e supervisionar o texto, convidou a também atriz e diretora Eliana Fonseca, com quem já havia trabalhado na TV. “Como atriz, Gorete Milagres é um presente para o diretor, já que ela nos ouve completamente e apura”, avalia Eliana, que diz estar se divertindo com o trabalho prazeroso ao lado da atriz. O que, obviamente, reflete no resultado. “Gorete é uma atriz capaz de fazer de tudo no palco, diante do domínio e desenho cênicos que tem”, elogia Eliana Fonseca, salientando que a atriz consegue ser popular e refinada ao mesmo tempo. “Filó é muito verdadeira. Ela é meio um Macunaíma de saias”, ela diz, comparando a doméstica à antológica personagem de Mário de Andrade. Para a diretora, em 18 anos, a criação de Gorete Milagres acabou evoluindo, perdendo características como a barriga de lombriga e dentes podres. “É como se ela tivesse tido uma experiência de vida. Como o mundo todo está mudando diante do fenômeno de globalização e da internet, a personagem também acabou mudando”, afirma a diretora, lembrando que a própria postura das domésticas – atualmente mais politizadas – vem sofrendo alterações ao longo do tempo. “Mais do que uma empregada, Filó representa a mudança do próprio Brasil. Ela acabou virando a consciência de uma classe”, constata Eliana Fonseca, ressaltando que, apesar de preservar a alma mineira, a doméstica não é mais uma tonta. “Esperta ela já era, agora Filó ampliou a consciência social”, conclui a diretora. Responsável pela cenografia e figurinos do espetáculo, André Cortez acredita ter encontrado no croché o tecido ideal para vestir a atriz e decorar o ambiente da peça. “Filó é pura de alma e rica em observação sarcástica”, salienta o figurinista e cenógrafo, para quem a delicadeza do produto foi essencial para manter a brejeirice da personagem. “O croché é sofisticado e, ao mesmo tempo, popular. Ele está presente no inconsciente coletivo brasileiro”. PREÇOS POPULARES Para Gorete Milagres, é uma maravilha fazer um espetáculo a preços populares (em média R$ 12, no Sinparc). “Essa é a função da arte e do teatro”, afirma, empolgada com a volta à campanha. Ela fica triste quando vai ao teatro e paga preços altos para assistir a um espetáculo. “Os patrocínios normalmente são milionários”, critica, dizendo que a atual produção está mais preocupada em captar recursos, sem maiores preocupações com o público. “Pelo menos em São Paulo vejo isso, acho que em BH é diferente, diante dos preços mais acessíveis”. Sem qualquer patrocínio ou uso de leis de incentivo, a própria atriz produziu Filodaemprego.com. “É melhor encher o teatro a preços baixos do que cobrar caro e ter apenas um terço da casa”, acredita a atriz que há seis anos não interpretava Filó no palco. Além de integrar elencos de outras produções (Decameron e Chá com limão, a última de volta ao cartaz em breve), Gorete Milagres foi para a TV Cultura fazer a série P&B, de Cao Hamburguer, na qual vive a cabeleireira Zuzu, mãe dos protagonistas Pedro e Bianca. “Trata-se da Malhação da escola pública”, compara a atriz, cujo mais recente trabalho na telinha estreia nova temporada em março. “É um dos trabalhos mais ricos que já fiz na TV”, garante Gorete, que, paralelamente, prepara a estreia de Filomena no cinema. Outros tempos Nos idos dos anos 1970 Criada em 1974, em 1999, a campanha incorporou a dança na programação. Já o circo e ópera chegaram em 2007, enquanto as oficinas, cursos, exposições e debates passaram a integrar a programação a partir de 2011. Campanha de sucesso Na expectativa de repetir a performance de sucesso do ano passado, quando levou 350 mil pessoas ao teatro, o presidente do Sindicato de Produtores de Artes Cênicas de Minas Gerais (Sinparc-MG), Rômulo Duque, já prepara para o ano que vem a festa de 40 anos da Campanha de Popularização do Teatro e da Dança. Prova disso é a exposição que promove na nova edição do evento, Fatos & fotos, por meio da qual pretende narrar a história da campanha, década por década, destacando imagens e acontecimentos de impacto no meio, como o fechamento do extinto Cine Metrópole, na década de 1980. Depois de exibida este ano, a mostra irá se transformar em um livro alusivo às quatro décadas do evento. A 39ª edição que, além da capital se estenderá a Juiz de Fora, Ipatinga (em março) e, provavelmente, Araxá, vai apresentar mais de 150 espetáculos, mais de 50 inéditos na campanha. A comédia, de acordo com Rômulo, continua prevalecendo na programação, a exemplo de outros anos. “Mas também há muitas peças que não são comédias”, afirma, chamando a atenção para a presença do teatro de grupo, representado por elencos como os do Armatrux e do Galpão. Além da presença do teatro de rua, com Medeia e Rei Lear, com apresentações previstas inclusive na periferia da capital. “Há dois anos ainda se discutia a questão da presença da comédia, hoje, no entanto, isso é fato superado”, avalia Rômulo, lembrando que, por questões político-ideológicas houve quem preferisse se afastar da promoção do Sinparc-MG, enquanto outros descobriram nela a oportunidade de ampliar o seu público. Orçada em cerca de R$ 800 mil, a 39ª edição da campanha já captou R$ 780 mil via leis estadual e municipal de cultura. “A dificuldade tem sido maior na Lei Rouanet”, lamenta Rômulo Duque. OS NÚMEROS Maratona cênica 156 espetáculos 101 adultos 40 palcos 41 infantis 58 estreias 12 espetáculos de dança 39ª CAMPANHA DE POPULARIZAÇÃO DO TEATRO E DA DANÇA Até 4 de março, em vários espaços da cidade. Confira programação a partir da página 14.

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