Morte de Décio Pignatari deixa vazio na literatura brasileira

Falecido no último domingo, 2, escritor de 85 anos foi um dos maiores ícones do concretismo

por Agência Estado 04/12/2012 15:30

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Valeria Mendonca/Divulgacao
(foto: Valeria Mendonca/Divulgacao )
A morte do poeta Décio Pignatari, domingo, 2, aos 85 anos, de infecção pulmonar, após longa convalescença, sofrendo do mal de Alzheimer, provoca um vazio na literatura brasileira, que ganhou com ele e os irmãos Augusto e Haroldo de Campos direito a ingresso no exclusivo grupo concreto internacional, não só no campo poético como visual e musical (durante os anos 1950 ele viveu na Europa, sendo próximo de artistas como o maestro Pierre Boulez). Grande momento da arte brasileira no século 20, o concretismo recebeu impulso enorme das criações literárias de Décio, cujos poemas visuais ajudaram a formatar a estética dos artistas do grupo Ruptura nos anos 1950, que forçaram a entrada do Brasil no campo da abstração pictórica. Nascido em Jundiaí e formado pela Faculdade de Direito da USP, Décio começou sua carreira literária como poeta, em 1949, ao lado dos irmãos Campos, igualmente figuras fundamentais para o advento do concretismo no Brasil e presentes nos principais movimentos culturais dos anos 1950 em diante, inclusive no Tropicalista, nos anos 1960. No ano da realização da 1ª. Bienal Internacional de São Paulo, 1951, Décio rompeu com os poetas da geração de 1945 e fundou, no ano seguinte, o grupo Noigrandes com os irmãos Campos, dedicado à renovação da linguagem poética brasileira. Décio teve um papel importante na divulgação da produção de poetas, romancistas e músicos da vanguarda europeia e americana, notadamente a do compositor John Cage. Esse livre trânsito entre as diversas artes sempre caracterizou a carreira do poeta, cujos interesses multidisciplinares o levaram a criar, por exemplo, poemas-cartazes no quarto número da revista Noigandres, em 1958, onde Pignatari apresentou seu plano-piloto para a poesia concreta brasileira, defendendo que não existe poesia revolucionária sem forma revolucionária, o que o aproximava do credo poético de Maiakovski. Exercendo as mais diferentes funções nos anos 1960, de publicitário a cronista de futebol, Pignatari, que foi colaborador do jornal O Estado de S. Paulo, organizou happenings performances e, nos anos 1970, tornou-se professor de Teoria Literária no curso de pós-graduação da USP, doutorando-se sob orientação do professor Antonio Candido. Além de diversos livros de poemas e traduções de Dante, Shakespeare e Marshall McLuhan, entre outros, Pignatari foi ensaísta (Teoria da Poesia Concreta, 1965), contista (O Rosto da Memória, 1988), romancista (Panteros, 1992) e dramaturgo (Céu de Lona, 2004). Seu poema mais conhecido é Cloaca, musicado por Gilberto Mendes, que faz alusão ao mais popular refrigerante americano e termina com um arroto. Décio, que estava internado no Hospital Universitário da USP, foi enterrado nesta segunda-feira, 3, no Cemitério do Morumbi.

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