Grupo Ponto de Partida estreia hoje na Praça da Liberdade

por Sérgio Rodrigo Reis 25/11/2012 09:01

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Edson Inacio/Divulgacao
(foto: Edson Inacio/Divulgacao )

Dois pra lá, dois pra cá, e o grupo teatral Ponto de Partida, de Barbacena, teceu, nos últimos meses, os passos do novo espetáculo, Par, que estreia hoje, às 20h, na Praça da Liberdade. A montagem busca potencializar a aproximação da trupe com o universo musical, quando saem de cena os diálogos para dar lugar às coreografias. A tentativa é de construção de estética e linguagem para um musical genuinamente nacional, feito por atores que cantam, dançam, interpretam e constroem, com a ação, o espaço cênico.

A música, desta vez, é soberana. Questões como o enamoramento, a paixão, o ciúme, a dor, os encontros, os desencontros e a celebração do amor aparecem em cena nas canções pinçadas do repertório de Chico Buarque, Dorival Caymmi, Tom Jobim, Ary Barroso, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Vander Lee, Cartola, Rita Lee e dos integrantes do grupo Pablo Bertola e Lido Loschi. O repertório ganha força com o violão de Gilvan de Oliveira, o sax de Cléber Alves e a percussão de Serginho Silva.

Como a intenção era produzir algo dançante, o Ponto de Partida foi buscar ajuda na Alemanha, do bailarino e coreógrafo brasileiro Wagner Moreira, professor convidado em 2013 da Universidade de Dança de Dresden – Palucca Hochschüle für Tanz. Ele assina a preparação corporal e coreografias do espetáculo, que, vez por outra, convida o espectador a fazer parte da dança.

A plasticidade e a beleza são buscas incessantes nas montagens do Ponto de Partida. Desta vez não foi diferente. A proposta do figurino, desenho cênico e da luz busca o encantamento do espectador. A mesma missão tem o elenco, formado pelos atores Ana Alice Souza, Carolina Damasceno, Dani Costa, Érica Elke, João Melo, Júlia Medeiros, Lido Loschi, Lourdes Damasceno, Pablo Bertola, Renato Neves, Ronaldo Pereira e Soraia Moraes.

SEM PALAVRAS Par tem direção geral e dramaturgia de Regina Bertola. “Há um par para todo mundo, basta encontrar. Fiz um ensaio geral e as pessoas saíram absolutamente leves. A intenção é que cada um leve seu par ou encontre um ali”, conta. Para realizar a nova montagem a diretora queria criar um movimento que emprestasse e tornasse físico o ritmo musical. “A proposta é que o público percebesse no movimento dos atores esse ritmo dançante e, às vezes, lânguido. É tudo dançante. Não tem texto. Tudo foi construído com canções e o mais difícil foi realizar essa junção”, diz ela, que conseguiu desenvolver o projeto em tempo recorde: 40 dias. “Foi tudo intenso”, conta.

O desafio foi ainda maior porque não contava com bailarinos, mas sim atores. “Só consegui pela maturidade do grupo. É tudo marcado. As pessoas não perceberão, vai parecer espontâneo, mas não haverá um passo que não tenha sido ensaiado antes”, explica Regina.

A Praça da Liberdade trouxe outros desafios. Como a proposta não era interferir prejudicando visualmente o espaço, a opção de Regina Bertola foi propor um palco sem coxia, sem as laterais, onde as cenas nascerão do fundo. “Mudei o meu e o raciocínio do ator”, completa a diretora.

PAR
Com o grupo Ponto de Partida. Estreia hoje, às 20h, na Praça da Liberdade, Funcionários, Belo Horizonte. Informações:
(32) 3331-5803. Entrada franca.

FORA DO EIXO

Em 32 anos de história, o Ponto de Partida virou um dos casos mais bem-sucedidos de ação cultural privada fora dos grandes centros do país. A trupe de Barbacena se tornou um movimento regional em torno das artes cênicas e da música. Com verba de cerca de R$ 3 milhões, vindo de patrocínio das leis de mecenato, mantém cerca de 260 colaboradores, entre eles 36 contratados. São vários os projetos desenvolvidos: núcleo de teatro fixo, trabalho de formação com coro de Araçuaí, Escola de Música Profissionalizante Bituca e Corredor Cultural, em processo de implantação em três grandes sobrados de Barbacena. Só a Bituca recebe alunos de 62 cidades. As atividades desenvolvidas este ano já beneficiaram cerca de 100 mil pessoas.

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