Cia. Burlantins oferece programação de dança, teatro e circo

Com promoção da Funarte, a mostra começa hoje, e terá apresentações até março de 2013

por Ana Clara Brant 15/11/2012 07:00

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O mineiro Benjamin de Oliveira nasceu em 1870 e foi compositor, cantor, ator e é conhecido como o primeiro palhaço negro do Brasil. O artista de Pará de Minas e precursor do circo-teatro dá nome à mostra idealizada pela Cia. Burlantins, que oferece até março programação focada na cultura afro. Todas as semanas, de quinta a domingo, o público que for à Funarte, no Bairro Floresta, vai conferir espetáculos teatrais, de dança e de circo, entre apresentações para o público adulto e infantil, além de oficinas e atividades especiais para escolas públicas. A programação integra as celebrações do Dia da Consciência Negra, celebrado na terça, dia 20.

Katrin Arruda/Divulgação
Carolina, o luxo do lixo, monólogo de Wilson Rabelo, será apresentado amanhã (foto: Katrin Arruda/Divulgação)
Esta semana, quem abre a mostra é a ópera O Alabê de Jerusalém, que será apresentada hoje à noite. Criação do instrumentista, cantor e compositor Altay Veloso, a montagem trata da história do africano Ogundana, que viveu há mais de 2 mil anos. É a entidade espiritual de Ogundana, chamada Alabê de Jerusalém, que, em um dia de festa em um templo de religião de matriz africana, retorna à Terra para contar sua história.

Amanhã, será a vez de o ator mineiro radicado no Rio Wilson Rabelo apresentar o monólogo Carolina, o luxo do lixo, baseado no livro O quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus, autora descendente de escravos, nascida em Sacramento, no interior de Minas, em 1914. Apesar de todas as mazelas, perdas e discriminações que sofreu em sua cidade por ser negra e pobre, Carolina, que escreveu seis livros, revela, por meio de seus textos, a importância do testemunho como meio de denúncia sociopolítica de uma cultura hegemônica excludente. “Carolina representa uma pessoa que tinha capacidade de transformar sua adversidade em produto cultural. Pretendia transformar o mundo em que vivia e interferir de certa maneira nisso. Sem dúvida, ela é um dos alicerces que uso para me construir como homem e negro”, destaca Wilson, que começou sua carreira em Belo Horizonte com Pedro Paulo Cava, e tem no currículo trabalhos como Agosto, JK, Amazônia, Força tarefa e Por toda a minha vida, onde interpretou o mestre Cartola e que, inclusive, concorre ao Emmy Internacional 2012, o Oscar da TV mundial, como melhor programa artístico.

GRIOT

A peça estrelada por Wilson Rabelo, e que tem direção de Denise Zenicola, traz como figura central um caminhante do tempo, ou griot, contador de histórias africano. A importância desse personagem na cultura africana é tamanha que, quando um griot morre, eles consideram uma biblioteca queimada. Ele narra a aventura da catadora de papel Carolina, que, no dia a dia, revirando o lixo e catando papelão e garrafas, resolve narrar seu cotidiano em forma de diário. À medida que começa a contar a história, transporta-se para sua realidade, mostrando seu universo de resistência, tenacidade e coragem.

No sábado, será a vez de a atriz e poeta Elisa Lucinda mostrar a versão pocket da peça Parem de falar mal da rotina. Criado, dirigido e interpretado por ela, o espetáculo une histórias vividas e ouvidas por Elisa como observadora do cotidiano, além dos poemas selecionados dos seus livros O semelhante, Euteamo e suas estreias e A fúria da beleza. A peça coloca o indivíduo como protagonista de sua história: somos nós os diretores, atores, produtores e, principalmente, roteiristas de nossas próprias vidas.

Dalton Valério/Divulgação
Atriz e poeta, Elisa Lucinda mostra a versão pocket da peça Parem de falar mal da rotina (foto: Dalton Valério/Divulgação)
Fechando a semana, a atriz Iléia Ferraz encena, no domingo, o monólogo musical O cheiro da feijoada, que conta, por meio da memória de uma preta velha, a história da origem da feijoada, lançando um novo olhar sobre a história do Brasil, da formação do nosso povo, nossas alegrias, riquezas, misérias e contradições. 

Mostra Benjamin de Oliveira
Hoje, às 20h, O Alabê de Jerusalém; amanhã, às 20h, Carolina, o luxo do lixo; sábado, às 20h, Parem de falar mal da rotina; domingo, às 19h, O cheiro da feijoada. Na Funarte MG, Rua Januária, 68, Floresta. Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). 
A bilheteria abre uma hora antes do horário da apresentação. Informações: www.burlantins.com.br.

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