Eu não sou cachorro não - Um musical brega resgata temas românticos populares nos anos 1970

O espetáculo fica em cartaz até dia 25, no Teatro Dom Silvério, mas somente nos fins de semana

por Ailton Magioli 02/11/2012 07:00

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Guto Muniz/Divulgação
(foto: Guto Muniz/Divulgação)
 

 

Indiferente ao cenário repressivo de então, Eu não sou cachorro não – Um musical brega, de Leo Mendonza, que estreia nesta sexta-feira à noite, no Teatro Dom Silvério, passa longe do livro homônimo do jornalista e historiador baiano Paulo César de Araújo, que contextualiza a música brega em plena ditadura militar. “Apesar de a maioria das canções ser da década de 1970, não há qualquer referência política no espetáculo”, diz o autor, admitindo ter se inspirado na obra exatamente para se orientar no aspecto histórico.

 

“A princípio”, recorda Leo Mendonza, “a produção queria um musical biográfico, com algum personagem específico daquele período na trama. Com o desenrolar das coisas, no entanto, a trama foi mudando. A nossa ideia é mostrar para as novas gerações a beleza da chamada música romântica, centrada principalmente nas décadas de 1970 e 80”, acrescenta o autor. A trama do musical gira em torno de Roberto Rock, o vocalista da banda de heavy metal The Funeráveis, que, em plena ascensão no cenário musical, vê tudo mudar após uma armadilha do destino. INCLUSÃO Mesmo não sendo baseado em seu livro, Paulo César de Araújo comemora o fato de a música brega não ser mais excluída do cenário cultural brasileiro, como ocorreu ao longo de décadas. “Hoje, com certeza, além de ter avançado na compreensão do brega, a sociedade brasileira também está mais vigilante contra o racismo e a homofobia”, comemora o escritor, cujo livro Eu não sou cachorro não atualmente foi transformado em documentário da diretora paulistana Helena Passara, depois de também inspirar a cineasta Ana Rieper a fazer Vou rifar meu coração.

 

Além de fazer homenagens a Wando, Waldick Soriano, Vanuza, Lindomar Castilho, Paulo Sérgio, Nelson Ned, Odair José, Benito Di Paula e Agnaldo Timóteo, Eu não sou cachorro não – Um musical brega também faz referências a superproduções da Broadway. Em cena estão 15 atores, cantores e bailarinos, responsáveis pela interpretação de 45 canções clássicas que, na montagem, ganharam arranjos de Pedro Durães (instrumentais) e Beto Sorolli (vocais).

 

“Uma coisa é a forma, outra o conteúdo”, faz questão de ressaltar o diretor Fernando Bustamante, para quem a forma é o musical americano, diante da técnica, do número de artistas em cena e da troca de cenários e figurinos. Já o conteúdo, garante, é brasileiro, “porque apesar de se tratar de uma história ficctícia, ela é intercalada de músicas brasileiras”. TÂNIA ALVES Atriz e cantora com experiência em musicais (Calabar e Ópera do malandro, ambos de Chico Buarque), a paraibana Tânia Alves é uma aposta da Cyntilante Produções para emplacar Eu não sou cachorro não – Um musical brega nacionalmente. “Nossa meta é esta, assim como fizemos com outros musicais que levamos ao eixo Rio-São Paulo, além de Manaus”, confirma o diretor Fernando Bustamante, admitindo que a presença de Tânia abre portas para o espetáculo. “Se eu puder contribuir, vai ser um prazer”, retribui a atriz, que suspendeu a participação em Mulheres alteradas, que estava em cartaz em São Paulo, para encenar o musical mineiro. “Estou muito feliz. O pessoal é profissional e tem me ajudado muito”, comemora ela. Em Eu não sou cachorro não ela viverá uma crise conjugal em trama paralela à principal, na pele de Laura Montarroi, a mãe de Roberto Rock.



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