Dança das provocações

Fórum internacional começa amanhã em nove espaços de BH e Nova Lima com as propostas inusitadas que o consolidaram

por Carolina Braga 25/10/2012 09:56

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Marc Domage/Divulgação
A Cia Emmanuelle Huynh mostra Cribles live, com música tocada ao vivo do Grupo de Percussão da UFMG (foto: Marc Domage/Divulgação)
 

 

A proposta foi irrecusável. Acompanhar um grupo de dança internacional com peça de música contemporânea do naipe de Persephassa, do grego Iannis Xenakis. “É uma obra superimportante na história do século 20. Até onde sei, nunca foi tocada em Belo Horizonte e poucas vezes no Brasil”, diz o professor e diretor do Grupo de Percussão da UFMG, Fernando Rocha. Como dizer não? Mesmo com a agenda de apresentações apertada, não restaram dúvidas. O grupo encarou o desafio de participar da criação da coreógrafa francesa Emmanuelle Huynh, diretora do Centre National de Danse Contemporaine-Ange

“Aumentamos a carga de trabalho porque não poderíamos perder essa oportunidade. É muito legal poder fazer música junto com a dança. Dá outra camada de percepção para a obra”, afirma Fernando. A inusitada parceria entre dois grupos artísticos que nunca se viram é uma das ousadias do Fórum Internacional de Dança, o FID 2012. A maratona de dança contemporânea começa amanhã, em nove espaços de Belo Horizonte e de Nova Lima.

Realizado há 16 anos, o evento já passou da fase de provar a que veio. O FID é, sim, espaço consolidado – e reconhecido – para provocações em dança. “Desde o começo o festival trouxe trabalhos que não necessariamente eram para agradar, para vender, para lotar o teatro. É para ajudar a pensar melhor”, sustenta a diretora artística Adriana Banana. “É para informar e ver que existem outras coisas que ocorrem no mundo, no corpo, na dança”, completa a diretora executiva, Carla Lobo.

A ideia de inserir os músicos mineiros em Cribles live, a coreografia de 2009 de Emmanuelle, foi uma escolha da diretora artística. “Existe uma coisa eurocêntrica que é arrogante. Mas a Emma é diferente. Da última vez que ela fez uma residência aqui, estabelecemos uma relação que não é de cima pra baixo. Quando fiz a proposta, ela topou na mesma hora”, conta Adriana.

Em Cribles live, enquanto os bailarinos traduzem com o corpo questões relacionadas ao sentido de comunidade no mundo contemporâneo, seis percussionistas mineiros estarão espalhados pelo teatro executando a composição de Xenakis. “Uma das principais características da obra é a sua espacialização. Os músicos ficam ao redor da plateia. Cada instrumentista fica em uma estação de percussão”, explica Fernando Rocha.

Os ensaios de Persephassa já começaram, mas somente a partir de terça-feira todo o grupo estará junto. Até então, os contatos dos mineiros com o trabalho de Huynh se darão por meio de vídeos na internet e trocas de e-mails com o diretor musical da companhia. Fernando Rocha acredita que a distância não representará nenhum problema, já que a coreografia é extremamente fiel à partitura.

 
Respeito às individualidades
Nas palavras de Carla Lobo, a edição 2012 do FID é “de peso”, apesar de todas as dificuldades para realização. Cribles live, com participação do Grupo de Percussão da UFMG, é a atração do encerramento, no dia 4, no Grande Teatro do Sesc Palladium. Até lá, muita experimentação ocupará palcos, ruas e espaços alternativos. A estreia, amanhã, será com Piracema, da Lia Rodrigues Cia de Dança, no Teatro Oi Futuro Klauss Vianna. “O trabalho de Lia é um tipo de pensamento em dança. A condição dele é entender que os indivíduos que formam o grupo são diferentes uns dos outros. É uma comunidade de bailarinos que não é homogênea”, detalha Adriana Banana. Piracema se inspira no movimento de reprodução dos peixes.

Além de Lia Rodrigues, compõem a grade nacional os brasileiros Cristian Duarte, com The hot one hundred choreographers e Swingnificado, do Entretantas conexão em dança. Entre as atrações internacionais, Emmanuelle Huynh mostra o inédito Cribles live e também Muá, que esteve no FID de 2007 e causou alvoroço. Isso porque comporta, no máximo, 80 pessoas. “A limitação não é do espaço, é do espetáculo. Ele foi concebido para poucas pessoas”, frisa Carla Lobo.

Outra coreógrafa que promete atrair principalmente a comunidade da dança é a austríaca Meg Stuart. “Ela veio pela primeira vez em 1997 e, de lá pra cá, teve carreira meteórica. É muito boa. A pesquisa dela envolve o trabalho com artistas de outras áreas, como artes plásticas, visuais”, conta Carla. Serão apresentados em Belo Horizonte Violet (2011) e The fault lines (2010), em parceria com Philipp Gehmacher e Vladimir Miller. “É uma instalação de vídeo. Estamos construindo uma parede para receber esse espetáculo”, diz a produtora.

Também compõem a grade do FID dois espetáculos direcionados a crianças (Têtes à têtes e Kodak) e quatro montagens mineiras, sendo três inéditas: Quadronegro, da Cia Suspensa; Solo(s), de Izabel Stewart e Tana Guimarães; e De nós dois. Só, da Quik Cia de Dança, com Letícia Carneiro e Rodrigo Quik.

Fórum Internacional de Dança – FID 2012
De quinta-feira, 25 de outubro, a 4 de novembro, em nove espaços de Belo Horizonte e Nova Lima.Ingressos: R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia). Programação completa e endereços dos espaços em www.fid.com.br.


• O QUE VER

De sexta a domingo

Amanhã
• 21h – Lia Rodrigues Cia de Danças (RJ) – Piracema – Teatro Oi Futuro Klauss Vianna
• 21h – Cris Oliveira (BH) – Espaço para dança – Praça da Matriz em frente ao teatro municipal de Nova Lima

Sábado
• 16h – Neto Machado (PR/BA) – Kodak – Espaço Cultural Ambiente
• 19h – Izabel Stewart e Tana Guimarães (BH) – Solo(s) – Funarte MG
• 21h – Lia Rodrigues Cia de Danças (RJ) – Piracema – Teatro Oi Futuro Klauss Vianna

Domingo
• 16h – Neto Machado (PR/BA) – Kodak – Espaço Cultural Ambiente
• 19h – Izabel Stewart e Tana Guimarães (BH) – Solo(s) – Funarte

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