Ópera A viúva alegre flerta com o musical e alterna bons e maus momentos

Se a dramaturgia fica aquém do esperado, as interpretações das canções são convincentes

por Sérgio Rodrigo Reis 18/10/2012 07:35

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Marcos Vieira/EM/D.A Press
(foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)
A intenção da opereta A viúva alegre, nova montagem da Fundação Clóvis Salgado, era transportar o público para a atmosfera da Paris dos anos 1920, quando bailes, leques, valsas e diamantes dividiam as atenções entre príncipes, reis, aristocratas e milionários, além de mulheres lindas e elegantes. Na prática, a proposta foi ofuscada por cenário que, apesar de minimalista na utilização de linhas curvas como elemento gráfico, tornou-se confuso visualmente. E também por excelentes cantores, que fizeram belas interpretações musicais, mas não conseguiram ter boa atuação dramática. A montagem, com direção cênica de Jorge Takla, teve altos e baixos. O que trouxe de melhor foi a aproximação, arriscada e eficaz, com a linguagem dos musicais. Takla é especialista no gênero e conseguiu resolver bem a difícil tarefa de envolver todos os artistas na proposta. Até o Coral Lírico de Minas Gerais, que vinha recebendo, nos últimos anos, críticas pela atuação engessada e estática, conseguiu se soltar em cena. Mas quem aproveitou a oportunidade mesmo foi o Ballet Jovem Palácio das Artes, que soube impressionar com as movimentadas coreografias do segundo e terceiro atos. Outro ponto que merece destaque é o figurino assinado por Fábio Namatame. Os mais de 200 modelos trouxeram soluções curiosas de estamparias, criando efeitos de bordados e volume, e oferecendo frescor à linguagem, como há muito não se via. Infelizmente, em várias situações, o efeito das roupas diante do cenário se perdeu. A cenografia foi realizada a partir de traços sinuosos e orgânicos, que brotam do chão ao teto, preenchendo a maior parte do espaço do palco do Grande Teatro do Palácio das Artes. A proposta parece ser reproduzir leitura mais subjetiva da Paris da década de 1920. Mas a profusão de linhas acabou tendo efeito indesejado e mais confundiu que ajudou a transportar a imaginação para aqueles tempos. NÃO ATORES Mas foi a atuação o maior problema da montagem. Ao apostar em excelentes cantores líricos, que deveriam também interpretar os diálogos em português (inaudíveis em alguns momentos), sobretudo no primeiro ato, evidenciou-se a dificuldade do elenco de solistas sob o ponto de vista dramático. Eles não são atores. São cantores, que, envolvidos no clima da ópera, com apoio da belíssima música do compositor húngaro Franz Lehár (1870-1948), conseguem convencer. Quando se tira de cena o principal, a música, deixando-os apenas com aquilo que não conseguem realizar bem, abre-se espaço para falhas. Felizmente, a força da música prevaleceu. Conduzida de maneira eficiente pelo maestro Silvio Viegas, a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais foi precisa durante toda encenação, e ajudou a construir alguns dos bons momentos, anteontem, na noite de estreia. Com mais acertos que erros, a terceira versão de A viúva alegre da Fundação Clóvis Salgado serviu para apontar novas possibilidades para o gênero, bastante desgastado pela repetição de fórmulas. Mais que isso: deixou, ao fim, o desejo de se ver uma opereta aproximando-se ainda com mais entusiasmo da linguagem dos musicais, como havia sido, aliás, a promessa inicial. A viúva alegre Récitas nesta quinta-feira e nos dias 20, 22, 24 e 26, às 20h, no Grande Teatro do Palácio das Artes, Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro. Ingressos: Plateias 1, 2 e superior: R$ 50 (inteira). Nos dias 22 e 24, na plateia superior haverá preço promocional: R$ 15 (inteira). A duração é de duas horas e meia (com um intervalo). Classificação etária: 12 anos. Informações: (31) 3236-7400.

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