Instituto Cervantes fecha filiais no Recife e em Curitiba por falta de recursos

Medida está relacionada a corte de verbas promovido pelo governo Espanhol

por Agência Estado 10/10/2012 16:15

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Reprodução / belohorizonte.cervantes.es
Filial do Instituto em Belo Horizonte (foto: Reprodução / belohorizonte.cervantes.es)

O Instituto Cervantes anunciou na segunda o fechamento de três de suas unidades — duas no Brasil, em Recife e Curitiba, e outra em Damasco, na Síria —, além da suspensão da instalação de um novo centro em Sofia, na Bulgária, que agora vai depender de investimentos do governo local. As unidades de Rio e São Paulo, segundo Pedro Benítez Pérez, diretor do Instituto Cervantes de São Paulo, também devem sofrer cortes. "O orçamento e a programação vão diminuir também no Rio e em São Paulo, mas continuam com a mesma qualidade. Poderemos ter e trazer menos atividades, por exemplo, só que mais fortes e mais importantes. Não vai ser uma programação de crise", garante Benítez.

A medida está relacionada com o corte generalizado de verbas estatais promovido pela Fazenda espanhola. Segundo informações publicadas nesta terça no diário espanhol El Pais, o instituto receberá em 2013 37% a menos de verbas do que em 2012 (50 milhões de euros em vez de 80 milhões de euros). O jornal criticou o fechamento das unidades no Brasil, ressaltando que o País é "estratégico para a difusão do espanhol por meio da introdução do idioma no sistema educacional".

Segundo Benítez, ainda não há informações precisas sobre o destino que será dado às verbas que deixarão de ser repassadas pelo Governo Central da Espanha a Curitiba e Recife. "É fato que cada centro tem uma verba que depende do lugar onde está, da economia e relevância local, do número de estudantes que tem, mas não sabemos valores precisos e definitivos sobre cortes de orçamento em outras cidades. É tudo muito prematuro, já que estas medidas foram anunciadas para nós apenas ontem", declarou o diretor, ressaltando que o Brasil é o país que mais centros tem no mundo. "Estamos em várias regiões, do sul ao nordeste. É triste que tenhamos que cortar dois centros no País por conta da crise. Mas temos o compromisso de continuar desenvolvendo um trabalho de qualidade, como sempre fizemos."

Para isso, pretendem realizar, "com menos dinheiro", atividades relevantes. "Sobretudo em uma cidade como São Paulo, vamos contar muito com os produtores culturais que moram na metrópole, que produzem cultura em espanhol e cultura próxima a temas hispânicos. No Cervantes sempre entendemos que a mistura entre a cultura local e a espanhola é muito boa e interessante. Tanto para quem assiste quanto para quem produz", contou Benítez.

Com o objetivo de manter a programação cultural de cada um dos institutos no País, o IC também pretende contar com a colaboração dos países da América Espanhola. Outra medida do IC é buscar parcerias com empresas privadas e instituições diversas. "É agora que temos que ser mais criativos. Por isso, também estamos em contato com empresas e instituições tanto brasileiras quanto espanholas. Vamos continuar produzindo cultura do mundo hispânico. E cultura boa. Os brasileiros conhecem a recessão muito bem. E vão saber do que somos capazes de produzir, apesar da crise."



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