Segundo volume da trilogia erótica Cinquenta tons mais escuros chega às livrarias brasileiras

Livro aquece mercado de acessórios sensuais

por Mariana Peixoto 14/09/2012 12:07

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Rodrigo Clemente/EM/D.A Press
(foto: Rodrigo Clemente/EM/D.A Press)
A estudante universitária leu o primeiro. A empresária, mãe de quatro e avó de uma, também. Assim como a arquiteta, a dentista, a baby- sitter. A partir deste sábado, não somente essas mulheres, mas várias outras, na casa dos milhares, vão comparecer em peso às livrarias brasileiras. Maior fenômeno editorial de 2012, a trilogia erótica Cinquenta tons de cinza, da britânica E. L. James, tem seu segundo volume lançado no país. Cinquenta tons mais escuros, que mostra o desenrolar do romance entre o multimilionário Christian Grey e a jovem Ana Steele, chega às lojas com tiragem inicial de 350 mil exemplares.
A dentista Raquel Patrus, de 43 anos, tinha até combinado um almoço para hoje com outras seis amigas. O encontro seria para discutir Cinquenta tons... Como alguns ainda não o terminaram, deixou para depois. Ela, no entanto, está na frente. Baixou o segundo volume em inglês: “A história está tomando rumo diferente do que imaginava”. No momento inicial, Raquel foi meio resistente em embarcar na história. Mas acabou – “porque as amigas estavam lendo” – se rendendo ao romance com boas doses de sadomasoquismo. “A leitura prende e você fica querendo saber mais. No início, assustei-me um pouco com as cenas de sexo, mas à medida que o livro foi progredindo, achei que viria coisa pior.” Cinquenta tons... é o primeiro romance erótico que leu.
Assim como a arquiteta Fernanda Sperb, de 41. “A autora descreve um homem que não existe e que mexe com o imaginário da gente. O fato de ele bater nela me incomoda, mas, por outro lado, ele a protege. Isso encanta todo mundo e as contradições dele fazem a gente ficar mais interessada.” Estudante de jornalismo, Júlia Andrade, de 21, é outra leitora que descobriu o livro por intermédio de terceiros. Antiga fã da tetralogia Crepúsculo – inspiração inicial de E. L. James –, ela passou para a narrativa muito mais ácida sem qualquer problema. “Acho que o sucesso se justifica, pois a maioria das jovens de hoje no fundo quer ter prazer. Então, a descrição ‘pega’ bastante as meninas que, aos 14, 15 anos, liam Crepúsculo e hoje estão entrando em outra fase.” 
E “pega” também mulheres de mais idade. A empresária Ana Paula Persiles Fernandes, de 45, já é avó e se interessou bastante pelo livro. “Sempre gostei de romances, mas daqueles Júlia, Sabrina. Erótico, Cinquenta tons... foi o primeiro.” E não o último. Nesta semana, ela deixou a Leitura do Pátio Savassi (que já vendeu 892 exemplares desde agosto) com Toda sua, de Sylvia Day, primeiro volume da trilogia Crossfire, que acaba de chegar às livrarias e mostra uma situação tal e qual a de Cinquenta tons... Ana Paula já combinou com a irmã que vai pegar emprestado o segundo volume da história de E. L. James. Sua filha mais velha foi mais rápida, leu os três livros em inglês. 
Já a baby-sitter Eliane Ribeiro, de 53, mineira radicada nos EUA, por causa da febre que tomou conta daquele país, comprou de uma vez os três volumes. Ainda está na metade do segundo e admite ter visto certo exagero nas cenas de sexo. “A meu ver, o livro não fez tanto sucesso pelo sexo, mas sim por ser um livro em que o homem toma o controle da situação. As mulheres lutaram tanto por igualdade, que os homens acabaram se omitindo. Aquele com pegada, que sabe o que quer e sabe impor sua vontade, foi ficando esquecido. E, no fundo, é isso que a maioria das mulheres quer.”
 
CINQUENTA TONS MAIS ESCUROS
De E. L. James, tradução de Juliana Romeiro 
Editora Intrínseca
512 páginas
R$ 39,90 (versão impressa)
R$ 24,90 (versão e-book) 
 
Sex shop agradece
Sócia da loja de lingerie NonSanta, em Lourdes, onde também funciona uma sex shop, Fernanda Álvares de Senna afirma que o sucesso de Cinquenta tons... tem motivado clientes a irem atrás de acessórios eróticos semelhantes aos usados por Christian Grey e Ana Steele. “Muitas nunca tinham ido a uma sex shop e chegaram meio tímidas para conhecer a loja por causa do universo do livro.” Entre os acessórios mais vendidos estão bolinhas de pompoarismo, que Ana Steele faz uso nos dois volumes da série. “A que é usada no livro é prateada.
 
Existem várias categorias para as bolinhas e cada uma tem um peso”, explica Fernanda. Houve clientes que compraram máscaras, outras algemas e vibradores. Chicotes só olharam. Até o fim deste mês, quando der tempo de muitas lerem o segundo volume, Fernanda pretende fazer um happy hour na loja para conversar sobre a série. “Gostei do livro, leve, despretensioso, e que serve bem ao que propõe. Não achei as cenas de sexo tão pesadas, já li contos mais quentes”, diz.  
 
Sem muita novidade 
As fãs do romance apimentadíssimo da jovem Ana Steele com o poderoso homem dos sonhos Christian Grey podem (ou não) dormir sossegadas. O clima de Cinquenta tons mais escuros é o mesmo do anterior. Os dois se amam, os dois fazem sexo sem parar, os dois brigam, os dois sofrem, os dois fazem mais sexo. O chamariz do primeiro Cinquenta tons... foi o clima sadomasô light, com o tal quarto vermelho da dor e seus chicotes, algemas e outros apetrechos eróticos. 
Aquelas que foram apresentadas a esse universo pelo romance de E. L. James poderão se decepcionar. Apaixonado, Grey larga mão de impingir dor à namorada. Assume o que ele chama sexo baunilha (convencional, fora dos universo S&M). Mas a descrição quase explícita das cenas não vai desanimar nenhuma leitora (e, bem, o conceito de baunilha de Christian Grey é bem diferente do da maioria da população). 
Há alguns poréns nessa sequência. Para apimentar a narrativa (afinal, só sexo não consegue segurar 500 páginas de uma história cheia de furos), a autora colocou algumas tramas paralelas. Vemos entrar em cena Mrs. Robinson, a tal mulher mais velha que teria iniciado Grey no universo S&M. As tintas são de vilã, assim como Jack, chefe galanteador de Ana. O problema é que as situações são clichê demais, bem como as soluções, sempre simplistas. Não há tensão alguma.
Ela ainda explica o porquê de Christian Grey ter tantos traumas (como se ninguém adivinhasse). A maneira com que ele se revela para a namorada beira o patético, assim como sua necessidade de tê-la a seu lado 24 horas por dia. Amor demais cansa. Se não a personagem feminina, ao menos as leitoras.  


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