Substituição de Ana de Hollanda por Marta Suplicy levanta expectativas dos profissionais do meio artístico em BH

Indicação da senadora petista para o Ministério da Cultura é bem recebida por parte do setor que mantinha desavenças com a antiga gestora da pasta

por Bossuet Alvim 11/09/2012 19:32

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Geraldo Magela/Agência Senado - 13/4/11/Gianne Carvalho - 04.09.2009/Folhapress
Anúncio da troca de gestões foi feito pela presidente Dilma Rousseff nesta terça-feira, 11 (foto: Geraldo Magela/Agência Senado - 13/4/11/Gianne Carvalho - 04.09.2009/Folhapress)
 

Alvo de críticas desde o início da gestão, Ana de Hollanda não surpreendeu profissionais do meio artístico por sua retirada do Ministério da Cultura (MinC); o eventual elemento inesperado na mudança é a entrada de Marta Suplicy na direção da pasta. A alteração anunciada pela presidente Dilma Rousseff nesta terça-feira, 11, é analisada por vieses diversos, desde a hipótese de jogada política — como benefício pelo apoio da senadora à campanha de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo — até a possibilidade de que a nova ministra integre estratégia para consolidar nomes fortes do PT no alto escalão do Governo. Para os profissionais ligados à produção cultural, contudo, outras questões são prioritárias. Em Belo Horizonte, a demanda por reformas nas políticas do Ministério da Cultura é forte entre produtores e artistas.

 

Partes destes profissionais receberam a notícia da substituição com alívio. Para o jornalista e empreendedor cultural Israel do Vale, a decisão "passou da hora". Segundo ele, a troca de gestões é "um clamor do movimento cultural desde o primeiro momento", pois o nome de Ana não era bem visto pelo meio desde quando começaram os rumores a respeito de sua nomeação, em janeiro de 2011. Na observação de Israel, a atuação da cantora e compositora à frente da pasta ficou restrita à desconstrução de projetos e políticas iniciados pelos antecessores Juca Ferreira (entre agosto de 2008 e janeiro de 2011) e Gilberto Gil (janeiro de 2003 a julho de 2008). "Além de desmontar boa parte de tudo o que se fez de inovador e contemporâneo, ela não soube apresentar um projeto próprio para o ministério", acrescenta.

 

De acordo com o empreendedor cultural, as iniciativas da gestão de Juca Ferreira ainda são referência para a medida de seus sucessores. "Marta Suplicy tem sabedoria e habilidade política suficiente para reconhecer o que foi feito anteriormente e entender que a primeira forma de se reconectar com o meio cultural e ganhar legitimidade é retomar tudo o que dava certo na gestão de Juca e que foi abandonado", ele aponta.

 

Para outros envolvidos no setor, a chegada de Marta Suplicy provocou estranhamento, como exemplifica a atriz Poliana Tuchia. "Apesar de ter desagradado com seu trabalho, Ana de Hollanda era alguém que poderia representar uma solução para o ministério, por ser alguém que já transitou amplamente no meio cultural. Já a Marta desperta dúvidas, será preciso que ela prove a que veio", ela observa. Integrante da companhia Trampulim, da capital mineira, Poliana acredita que a pasta ministerial precisa de gestores que sejam referência entre os profissionais que atuam na área. "Se sempre tivermos no cargo pessoas que não dominam o assunto com propriedade, o ministério será reduzido a um menor escalão na política, como se qualquer um estivesse apto", critica.

 

Se consegue arrecadar entre os profissionais da área o benefício da dúvida, Marta Suplicy ainda deve lidar com expectativas que foram retidas por Ana de Hollanda. "Sei que ela foi eficaz como prefeita de São Paulo na área da cultura", admite o ator e músico Alexandre de Sena, que já tem definidos seus objetivos para medir o trabalho da nova ministra. "Os Pontos de Cultura precisam ser retomados. Foi uma política desenvolvida no Brasil que chegou a inspirar outros países, mas que deixamos de aplicar", ele expõe.

 

As polêmicas que circundam os direitos autorais, geridos pelo Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, também são apontados como necessidade iminente da pasta. "Marta precisa investigar profundamente o Ecad, para que nosso sistema de beneficiar a autoria seja mais aberto. A discussão deve ser nacional e conduzida de maneira mais atual", demanda Alexandre.


Israel do Vale ressalta que as implicações do Ministério da Cultura não se limitam ao desenvolvimento estrutural das políticas públicas e demanda traquejo para a movimentação política. Neste ponto, o empreendedor cultural adere à parte que nutre esperança em relação a Marta Suplicy. "O desafio agora é entender como a Marta vai se posicionar não apenas na pasta, mas dentro do Govern. Se o projeto dela é eleitoral e se a orientação da pasta seguir ambições eleitorais, pode ser que a atuação evolua", ele pondera. "Quem tem ambição com o eleitor quer estar na mídia e, para aparecer, tem que fazer algo".

 



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