Flávio Faria reúne experiências de visitas a vinícolas no livro Guia de vinícolas Chile

O autor percorreu durante quatro meses as terras chilenas dos vales de Aconcágua, Casablanca, San Antonio, Maipo, Cachapoal, Colchagua, Curicó e Maule em busca dos melhores vinhos

por Shirley Pacelli 11/09/2012 14:25

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
 Arquivo pessoal - Flavio Faria
Experiência in loco é o principal diferencial da enocultura, segundo Flávio Faria, autor do Guia de vinícolas Chile (foto: Arquivo pessoal - Flavio Faria )
Por qual outro motivo eu visitaria uma vinícola se não para beber vinho? A pergunta pode soar óbvia, mas Flávio Faria, de 44 anos, lança sua provocação: “O enoturismo não se resume em degustar vinhos. Isso podemos fazer em casa ou em algum restaurante da nossa cidade”. Faria é autor do livro Guia de vinícolas Chile, lançamento da Editora Casa da Palavra, que descreve o que há de melhor em cada bodega chilena. O leitor pode se preparar para um mundo de surpresas: de tirolesas, curso de culinária a rodeio dentro das vinícolas. Para ele, a experiência do passeio é o diferencial durante uma viagem rumo ao universo da bebida dos deuses: “Lembrar a experiência in loco”, afirma. O autor percorreu durante quatro meses as terras chilenas dos vales de Aconcágua, Casablanca, San Antonio, Maipo, Cachapoal, Colchagua, Curicó e Maule. Dicas de onde comer e ficar, coordenadas GPS e mapas, além de minirroteiros de um dia, foram cuidadosamente descritas. Todas as visitas foram feitas como se ele fosse um simples turista. A avaliação começa desde o site da vinícola. Não tem site? Não está claro que recebe turistas? Nada de entrar na lista. Das 288 existentes, somente 61 estão abertas a visitações. Flávio criou um método que julga em mil pontos cada estabelecimento. Há exatamente 80 passos para fazer o ranking: tudo é considerado, menos o vinho. “A degustação é muito subjetiva. Os vinhos estão cada vez melhores e mais parecidos”, justifica. A explicação do autor faz sentido quando ao longo das páginas você se depara com as descobertas e excentricidades de cada local, como em Corral Victoria (www.corralvictoria.cl/), vinícola nacionalista e familiar localizada em Maule e criada em 1994. O lugar leva a sério os seus valores e faz questão de não exportar seus vinhos. Quadros com personagens chilenos importantes na história do país, bandeiras e uniformes militares decoram a vinícola. Garrafas em forma de garça ou huaso (cavaleiro tradicional chileno) surpreendem como excelente opção de presente. Há cavalos por toda parte. Boa dica é cavalgar pelos vinhedos durante o verão. Em Loma Larga, na região de Casablanca, o autor conta que as uvas são separadas somente por mulheres. Reza a lenda que elas conseguem perceber mais rapidamente as cores na esteira e selecionar as uvas que não serão utilizadas. Já nos vales do Colchagua, a bodega Montes (http://monteswines.com/) adota preceitos do Feng Shui, técnica milenar chinesa de harmonização dos ambientes para trazer prosperidade. A água cerca as entradas das adegas e bem no meio da vinícola existe uma pedra que fica abaixo de uma abertura por onde entra o sol. A pedra também fica imersa na água, desta forma reúnem-se os três elementos – terra, sol e água – para energizar o local. AJUDA A CURIOSOS Faria releva que não é do mundo do vinho. É um executivo que, de tanto se frustrar em passeios de enoturismo, resolveu criar um guia para fazer com que outras pessoas não percam tempo com tours furados. Ele esteve em Bordeaux (França) no ano passado e conta que somente 20% das visitas valeram a pena. “Você pode amar um vinho, mas a experiência de visitar a vinícola é diferente”, afirma. O autor diz apreciar o aprendizado durante suas viagens. “O vinho não é nada industrial, reflete muito o terroir e a receita de bolo do enólogo”, explica. Além disso, acredita que o enoturismo propicia uma desaceleração na rotina, um contato com a natureza. “Você sai da cidade grande, mas ainda existe uma estrutura de bons restaurantes e hospedagem para atendê-lo”, complementa. Há vinícolas que oferecem a opção de passeios em bicicletas, cavalos e até balões. Mas Flávio Faria confessa que sempre aluga um carro, especialmente por praticidade. No Chile há diversas bodegas muito próximas do Centro da capital, Santiago. É possível pegar um táxi ou metrô. Para quem tiver disposição, Faria indica o circuito de Maipo, onde o visitante pode comprar vinhos com entrega direta no hotel. Nada de pedalar levando peso ou correndo o risco de deixar as preciosas garrafas se quebrarem. Atualmente, ele gasta seu tempo nas bodegas argentinas, mais precisamente em Mendoza, província localizada na Região Oeste, reconhecida pelos malbecs. Das 78 da lista, ele já visitou 25. No futuro, lançará um guia das vinícolas da Argentina. Califórnia, Portugal e África do Sul também estão cotadas. Sobre o Brasil, o escritor afirma que já existe uma estrutura de turismo de vinho na Serra Gaúcha. No final deste mês, haverá o 2º Congresso de Enoturismo em Bento Gonçalves (RS). Apesar disso, a ideia inicial é fazer um tour por outros países que têm reconhecimento internacional na produção da bebida.
Marlyana Tavares/EM/D.A Press
Na Concha & Toro, visitante descobre lenda em torno do nome do vinho Casillero del Diablo (foto: Marlyana Tavares/EM/D.A Press )
Visita a Concha & Toro

Um dos passeios mais populares a vinícolas chilenas feitos por brasileiros é à Reserva Concha & Toro, a apenas 39 quilômetros de Santiago. Pacotes de operadoras com preços mais em conta para o Chile, daqueles que incluem a capital e um dia de bate e volta a estações de esqui, normalmente oferecem a visita à vinícola. O casarão de 1875 é imponente e o visitante vai sabendo a história da vinícola enquanto caminha pelos jardins.  O tour mais barato é o que dá a volta à casa principal, passa pela plantação de uvas e termina com uma degustação das principais marcas. O mais interessante é a visita às caves, onde é contada a lenda que deu origem ao nome Casillero del Diablo. Para dar um upgrade na visita, o autor do Guia de vinícolas Chile, Flávio Faria, recomenda o tour Marques, que inclui uma degustação conduzida por sommelier em sala exclusiva e você leva a tábua de queijos para casa.  O tour Don Melchor é um up e, segundo Faria, “vai lhe proporcionar uma das melhores experiências de sua vida: no casarão ou na cava Don Melchor, você terá acompanhamento de guia exclusivo, sommelier, degustação de quatro vinhos, das primeiras colheitas às mais recentes, e acompanhamentos premium”.

 

Enquanto isso... Um retorno para melhorias As vinícolas que compõem o guia também recebem um retorno da avaliação privadamente. Os produtores podem ver a nota média da região e a da cidade. Desta forma podem melhorar os seus serviços e sugerir mudanças em relação aos pesos de cada item avaliado. Em breve, haverá um aplicativo do livro, traduzido em diversas línguas. 

• Top 5 - Melhores vinícolas Chile 2011/2012 1- Casas Del Bosque (Casablanca) www.casasdelbosque.cl 2- De Martino (Maipo) www.demartino.cl 3- Montes (Colchagua) www.monteswines.com 4- Montgras (Colchagua) www.montgras.cl 5- Viu Manent (Colchagua) www.viumanent.com

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE E-MAIS