Bienal de Arte de São Paulo, que começa nesta sexta, dialoga com outras mostras brasileiras

Em Minas Gerais, Inhotim inaugura novas galerias e Nuno Ramos apresenta obras inéditas

por Sérgio Rodrigo Reis 06/09/2012 09:41

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Fundação Bienal/Reprodução
Nydia Negromonte, única artista atuante em Minas que participa da Bienal de São Paulo, leva para a exposição trabalho já mostrado no Museu da Pampulha (foto: Fundação Bienal/Reprodução)
 
A importância da Bienal de Arte de São Paulo pode ser medida pela reviravolta que provoca no setor toda vez que abre as portas. Desta vez não será diferente. A partir desta sexta-feira, quando inaugura ao público a 30ª edição no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, em São Paulo, além de apontar tendências, prestar homenagens e exibir projetos exclusivos de nomes consagrados, o maior evento do gênero do país gera um efeito cascata no país. Na cola da grande exposição, que atrai turistas, colecionadores, artistas, curadores e fãs das manifestações visuais, instituições paulistas como o MAM e o Itaú Cultural exibem respectivamente, retrospectivas das artistas Adriana Varejão e Lygia Clark. Em Minas, as inaugurações de novos projetos no Inhotim, em Brumadinho, e, em Belo Horizonte, na Galeria Celma Albuquerque, também buscam atenção no milionário e, cada vez mais disputado, mundo da arte.
Com curadoria do venezuelano Luis Pérez-Oramas, a Bienal, desta vez, promete colocar em primeiro plano a produção latino-americana. Os projetos artísticos pretendem responder à provocação que dá nome ao evento: A iminência das poéticas. Não se trata de um eixo temático, mas de um pensamento que pretende nortear as ações. Os questionamentos gravitarão, segundo a curadoria, inicialmente pela reflexão sobre o tempo presente. “Como a arte contemporânea funciona em situação de iminência, em um mundo imprevisível, marcado por acontecimentos que estão por vir e que nossos sistemas de pensamento não são capazes de assimilar plenamente?”, é uma das perguntas. O evento busca ainda respostas ao fato de as obras de arte, cada vez mais, adquirirem formas diferentes e de como o simbolismo da poesia oferece arsenal simbólico de estratégias discursivas para a arte contemporânea.
O público terá o desafio de encontrar as reflexões no universo de cerca de 3 mil obras de 111 artistas (50% delas produzidas especialmente para a exposição). Ao contrário das edições anteriores, quando havia vários representantes mineiros, desta vez, Thiago Rocha Pitta (que é radicado no Rio) e Nydia Negromonte (vive e trabalha em BH), representam o estado. O projeto que ela levou para o segundo andar do Pavilhão Ciccillo Matarazzo é um desdobramento da mostra realizada em BH este ano, no Museu de Arte da Pampulha. A artista envolveu a instituição com encanamentos nos quais o fluxo da água potencializou provocações estéticas. A proposta na Bienal segue lógica parecida. “É um tipo de trabalho que conforma com o espaço e propõe um diálogo estreito com a edificação. Estou feliz pelo resultado e de como a obra acessou o espaço e vice-versa”, explica. 
Agrupar tantas propostas estéticas num mesmo espaço sempre representou um desafio. Desta vez, a opção foi oferecer salas para os artistas e realizar agrupamentos de obras relacionando os conjuntos, na medida do possível, por afinidades. A ideia de ocupação e expansão também transparece com a articulação da Fundação Bienal com diversas instituições paulistanas. Elas receberão propostas estéticas em diálogo com o eixo principal do evento. A intenção é que o Pavilhão Ciccillo Matarazzo seja o difusor da temática também para locais como a Casa Modernista, Casa do Bandeirante e Capela do Morumbi, o Masp, o Museu de Arte Brasileira da Faap e o Instituto Tomie Ohtake. Intervenções em locais públicos, como a Avenida Paulista e a Estação da Luz, são outras apostas.
Bispo do Rosário
 
O artista plástico Arthur Bispo do Rosário (1909-1989) será o grande homenageado da Bienal de Arte de São Paulo. Considerado louco por alguns e gênio por outros, ele inseriu sua produção entre a insanidade e a arte. Serão exibidas 348 obras do autor, que perfazem um panorama de toda a sua produção. Há curiosidades como a cama (foto ao lado) e a cadeira, que fez em homenagem a uma estagiária de psicologia da Colônia Juliano Moreira, onde era interno, e que, dificilmente, podem ser vistas fora do seu museu, no Rio de Janeiro. 
ESTAÇÃO DAS ARTES
30ª Bienal de São Paulo – A iminência das poéticas
Abertura para público nesta sexta-feira, no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. A mostra ficará até 9 de dezembro, às terças, quintas, sábados, domingos e feriados, das 9h às 19h. Às quartas e sextas, das 9h às 22h. Entrada franca. Informações: www.30bienal.org.br
Ai, pareciam eternas! 
(3 lamas) 
Exposição de instalação inédita do artista plástico Nuno Ramos. Abertura para convidados nesta sexta-feira, às 10h, na Celma Albuquerque Galeria de Arte (Rua Antônio de Albuquerque, 885, Savassi, Belo Horizonte). Poderá ser visitada de sábado até 31 de outubro, de segunda a sexta, das 9h às 19h; sábados, das 9h30 às 13h. Informações: www.galeriaca.com
Inhotim
Inaugura nesta quinta-feira, para 5 mil convidados, os pavilhões dos brasileiros Lygia Pape (1927-2004) e Tunga (foto); as instalações do cubano Carlos Garaicoa, da espanhola Cristina Iglesias e a exposição temporária de artistas como Edward Krasinski, João José Costa, Juan Araújo, León Ferrari, Luisa Lambri e Mateo López. O instituto fica na Rua B, 20, Brumadinho, e funciona das 9h30 às 17h. Entrada: R$ 28 (inteira). Informações: www.inhotim.org.br
Adriana Varejão – Histórias às margens
Até 16 de dezembro, de terça a domingo, das 10h às 17h30, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, no Parque do Ibirapuera (Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portão 3, São Paulo). Entrada franca. São 42 trabalhos fundamentais da artista carioca produzidos desde 1991, mais da metade deles inéditos no país, vindos de coleções como Fundación “la Caixa” (Madri) e da Tate Modern (Londres), além de novas pinturas feitas especialmente para a ocasião. Informações: (11) 5085-1300 e www.mam.org.br
Lygia Clark: 
uma retrospectiva
A mostra apresenta as várias fases da artista, inclusive a série Bichos (foto). Está no Itaú Cultural (Avenida Paulista, 149, Bela Vista, São Paulo). Até 11 de novembro, de terça a sexta, das 9h às 20h; sábados, domingos, e feriados, das 11h às 20h. Entrada franca. Informações: (11) 2168-1776/1777 e www.itaucultural.org.br 
 


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