Palhaços de cara limpa brincam com as crendices da vida no sertão

Grupo paraibano Agitada Gang mostra em Belo Horizonte a montagem de Como nasce um cabra da peste

por Carolina Braga 28/08/2012 09:58

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Altair Castro/Divulgação
Dadá Venceslau, Madalena Accioly e Edilson Alves fazem rir, falando de coisa muito séria (foto: Altair Castro/Divulgação )
 
“Estamos rodando o Brasil há 15 anos com essa peça e sempre tivemos vontade de apresentar em Belo Horizonte”, comemora o ator paraibano Edilson Alves. Pois é chegada a hora. Como nasce um cabra da peste, a montagem mais vitoriosa do repertório da Agitada Gang – Trupe de Palhaços e Atores da Paraíba está em cartaz nesta terça-feira, 28, e na quarta, 29, no Teatro Marília. 

Com 25 anos de história nas artes cênicas, a companhia nordestina tem o trabalho focado na pesquisa das crendices populares, superstições e uma série de situações comuns a quem vive no interior do país. Dirigido por Eliezer Filho, Como nasce um cabra da peste baseia-se em uma pesquisa etnográfica de Mario Souto Maior e narra o ritual de um nascimento. “Contamos uma história que é universal. Apenas juntamos o apanhado das crendices. Em qualquer lugar do planeta nasce gente”, justifica Edilson Alves. 

O trio
O ator divide a cena com os colegas Dadá Venceslau e Madalena Accioly. Como nasce um cabra da peste já passou por Portugal e África, além de quase todos os estados brasileiros. Para Edilson, além da universalidade do tema, a longevidade da peça pode ser explicada também pelo jogo que eles conseguem estabelecer. 

O trabalho do grupo bebe essencialmente na fonte do palhaço. A Agitada Gang é conhecida sobretudo pelas montagens infantis que realiza. Além de ser uma de suas poucas criações para adultos, Como nasce um cabra da peste é o único espetáculo do repertório da companhia em que os atores abriram mão da maquiagem característica. “Deixamos toda a alma do palhaço, as gags. Para tirar um pouco do excesso da linguagem, fizemos tai chi chuan pra segurar essa coisa frenética de todos os palhaços”, explica Edilson Alves. 

Usando o humor, a Agitada Gang chama a atenção para problemas que assolam a região nordestina. A ausência de recursos médicos no interior, por exemplo, acaba gerando as situações cômicas que movimentam o espetáculo. “Não queríamos fazer uma coisa caricata. Era preciso abordar nossa situação com humor, mas com muita responsabilidade também”, ressalta o ator. 

Edilson Alves conta que, apesar de toda a experiência que a trupe tem com Como nasce um cabra da peste, em cada cidade que passa é preciso vencer o desafio do cenário. “Temos que colher entre 250 e 300 galhos de árvore secos. Montamos uma cerca para determinar o espaço cênico. Ele é um terreiro, o agreste, a seca, a casa da protagonista”, conta. 
 
Saiba mais 
Fundada em 1987, em João Pessoa, a Agitada Gang – Ttrupe de Palhaços e Atores é formada por artistas que se uniram em mutirão para ajudar um veterano palhaço da capital paraibana que passava por necessidades. Como o encontro deu certo, o grupo seguiu em frente. Atualmente, além de Como nasce um cabra da peste, a companhia mantém em repertório a montagem 
infantil Scabum
 
COMO NASCE UM CABRA DA PESTE
Terça e quarta-feira, 28 e 29 de setembro, às 20h, no Teatro Marília (Av. Alfredo Balena, 586, Centro). Ingressos a R$ 20 e R$ 10 (meia). Informações: (31) 3277-4697.


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