22ª edição da feira internacional de São Paulo começa nesta quinta-feira

Evento tem modelo questionado pelo caráter comercial

09/08/2012 09:59

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Andrea Paccini/Divulgação
Para o escritor Cristovão Tezza, o aspecto de agitação não combina com a literatura (foto: Andrea Paccini/Divulgação)
Há uma década, quando a Flip popularizou o formato de festas literárias – mais focadas numa ideia de cultura do que de mercado –, um gestor da área de eventos diagnosticou as tradicionais feiras comerciais de livros: "É preciso reinventar isso, porque o charme foi todo para Paraty". Desde então, as principais bienais do livro buscaram se inovar, criando, por exemplo, espaços com eventos gastronômicos e leituras feitas por atores de novelas. Mas problemas centrais persistiram.
Recorrente no mercado, a discussão sobre o esgotamento desse modelo veio à tona nesta 22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que começa hoje, organizada Câmara Brasileira do Livro (CBL). "Por que não assumir que a fórmula está desgastada?", afirmou Raul Wassermann, editor da Summus e ex-presidente da CBL, em artigo recente publicado na imprensa brasileira. "Uma ideia seria desmembrar o evento em feiras menores e com foco específico, como infanto juvenil", ele afirma. Para Wassermann, as feiras comerciais são importantes em centros mais distantes do eixo Rio – SP. Ele cita como exemplo a participação bem-sucedida de sua editora, a Summus, na feira de Belém.
É inegável que a Bienal paulista atrai mais público que qualquer festa literária. Em 2010, foram 743 mil pessoas, enquanto na Flip o número não passa de 25 mil. Mas a multiplicação de festas com foco mais literário esvaziou a relevância cultural das grandes bienais. Festivais jovens, como Fliporto (PE), Felit (MG), Flipoços (MG), Tarrafa Literária (SP), Mantiqueira (SP), Flit (TO) e Flupp (RJ), que, em geral, oferecem cachê a escritores, passaram a atrair nomes que recusam convites de bienais como a do Rio e a de SP, que não pagam autores.
Além disso, a proliferação das megastores e a ampliação do acesso à internet reduziram o papel das bienais como ponto de compra de títulos de outra forma inacessíveis. Isso reduziu um caráter central das grandes feiras comerciais: fortalecer a imagem das editoras junto ao público. Poucas delas lucram com a venda de livros nesses eventos. Karine Pansa, presidente da CBL, diz que seu "diagnóstico dessa Bienal é o melhor possível". "A venda dos espaços foi maior que em anos anteriores", afirma.
Breno Lerner, superintendente da Melhoramentos, diz que a Bienal vive impasse entre ser uma feira para venda de livros ou um local para promoção do livro e da leitura. A indefinição prejudicaria ambos os aspectos. "Vemos como oportunidade de interação com o leitor. Se a meta fosse recuperar o investimento com as vendas, não poderíamos participar." Ele sugere que a Bienal ofereça mais debates, com dias reservados apenas para a divulgação de autores e obras.
CACHÊ OU PRESTÍGIO A programação cultural, aliás, tem sido um dos aspectos mais criticados desta edição, em especial pelo atraso nas definições. Ontem, a organização ainda tentava convidar mediadores. Para Manuel da Costa Pinto, um dos curadores da Bienal de São Paulo de 2010, a feira atrai pessoas que não frequentam livrarias ao longo do resto do ano.
O romancista Cristovão Tezza, convidado desta edição, diz que o "aspecto de agitação não combina com a literatura". "Para um autor desconhecido, o pior lugar para lançar um livro é a Bienal." O poeta Affonso Romano de Sant’Anna, crítico ao não oferecimento de cachê a escritores convidados, diz que "as pessoas circulam na Bienal como zumbis, nem compram livros." Por "problemas no orçamento e dificuldade para captar recursos via Lei Rouanet", a Bienal não ofereceu cachê a mediadores neste ano.
Karine Pansa, defende que "eles participam por prestígio". Para Wassermann, a falta de cachê prejudica os debates. Na bienal anterior foram investidos cerca de R$ 30 milhões, sendo R$ 9,1 milhões no "plano de mídia" e R$ 18 milhões em "montagem, decoração e operação dos expositores".
 
Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Desta quinta-feira ao dia 19, no Pavilhão do Anhembi, Avenida Olavo Fontoura, 1.209, Santana, São Paulo. Horário de visitação: Até o dia 18, das 10 às 22h; dia 19, das 10 às 20h. Ingressos: R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia). Informações: www.bienaldolivrosp.com.br. 


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