Diretor do documentário 'Deixa na régua' participa de bate-papo sobre o filme em BH

Emílio Domingos estará nesta sexta-feira, 04, no Cine 104 para falar sobre seu novo longa, que mostra a preocupação dos jovens cariocas com a própria aparência

por Ana Clara Brant 04/08/2017 08:30

Osmose Filmes/Divulgação
Garoto carioca faz a sobrancelha em cena de 'Deixa na régua'. (foto: Osmose Filmes/Divulgação)

Quando rodava A batalha do passinho, documentário sobre a febre dos concursos cariocas de dança funk, o diretor Emílio Domingos ficou curioso sobre o visual do dançarino Cebolinha. Então, perguntou-lhe o que dizia ao barbeiro quando ia ao salão: ''Falo pra deixar na régua'', respondeu o rapaz. Deixar na régua, expressão que significa cabelo milimetricamente cortado, impecável, é o título do novo filme de Domingos.

''Uma das coisas que me marcaram na batalha foi a estética dos personagens, sobretudo os cabelos, com desenhos, riscos e sobrancelhas benfeitos. Quando vi um dançarino de passinho pela primeira vez, ele me lembrou um robô, algo futurista. Não conhecia aquele padrão estético, não entendia por que vários deles passavam o dia inteiro no salão. Era justamente pra deixar tudo perfeito. Os cortes são verdadeiras esculturas'', comenta Emílio Domingos.

Nesta quinta-feira, 03, o longa Deixa na régua estreou no Cine 104, em BH. Nesta sexta, 04, às 19h, o filme será novamente exibido, seguido de bate-papo com o diretor. O dia a dia movimentado das barbearias na Zona Norte carioca é retratado com leveza e bom humor a partir de depoimentos de seus jovens frequentadores.

No filme, os barbeiros Belo, Deivão e Edi mostram como esses estabelecimentos se tornaram espaços de sociabilidade. Ali, os jovens encontram um local para desabafar e trocar ideias sobre família, sexo e também violência nas favelas.

''Tanto o salão quanto a barbearia são espaços de intimidade e sociabilidade intensas. No caso masculino, os barbeiros se tornam confidentes. Além de dar palpites sobre a aparência, eles dão conselhos sobre a vida particular de cada cliente'', diz o cineasta.

Emílio encomendou para o filme uma música do compositor Lucas Santanna. ''Se milícia não é polícia/ e se o charme não é funk/ cabeleireiro não é barbeiro/ nem tintura é alisante./ Deixa na régua./ Apresentando agora o Belo, o Edi e o Deivão/ Só rola os cortes do momento/ Eu quero dar um polimento'', diz a canção. Ano passado, o documentário levou o prêmio especial do júri do Festival de Cinema do Rio.

''A vaidade é importante para essa geração. Eles não se importam em fazer a unha, a sobrancelha, pintar o cabelo. O que achei mais interessante foi o fato de que a questão do visual não é apenas estética. Mexe com a autoestima, com a afirmação, a identidade e com a forma como cada um se posiciona no mundo. É muito mais do que mero corte de cabelo'', ressalta Emílio Domingos. Ele está preparando o último filme da Trilogia do corpo, que deve ser um longa sobre o universo feminino nas favelas.

 

Abaixo, confira o trailer:


DEIXA NA RÉGUA
Exibição do filme do diretor Emílio Domingos, que participa de bate-papo com a plateia. Sexta-feira (4/8), a partir das 19h, no Cine 104 (Praça Rui Barbosa, 104, Centro). Informações: (31) 3222-6457. Ingressos: R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia). Sábado (5/8), Domingos vai participar, às 19h30, da mostra Faces do subúrbio: cinema e periferia, no Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro). Será exibido o filme A batalha do passinho e o grupo Passistas Dancy vai se apresentar. Entrada franca.

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