Estreia no cinema, 'Poesia sem fim' faz um retrato do artista quando jovem

Alejandro Jodorowsky reconta sua formação e a ruptura com a família no Chile dos anos 1940 em Poesia sem fim

por Mariana Peixoto 20/07/2017 08:30

Espaço Filmes/Divulgação
A autobiografia do realizador foi gravada em Santiago com soluções teatrais para cobrir o orçamento. (foto: Espaço Filmes/Divulgação)

Alejandro Jodorowsky é um artista na mais completa acepção da palavra. Escritor, dramaturgo, cineasta, ator, roteirista, mímico e tarólogo, este franco-chileno de 88 anos ainda é uma máquina de fabricar tweets.

E foi em boa parte por causa de seus 1,34 milhão de seguidores na rede social que Poesia sem fim foi concretizado. O longa, que estreia nesta quinta-feira, 20, no Cine Belas Artes, foi realizado após uma eficaz campanha de crowdfunding – foram arrecadados US$ 336 mil.

Nome também de referência na música pop, tinha como fã ardoroso John Lennon. Tem discípulos como Marilyn Manson (foi Jodorowsky quem celebrou o casamento do roqueiro com a modelo Dita von Teese), a cantora Erykah Badu e bandas indies como MGMT e Kasabian.

Poesia sem fim dá sequência à narrativa iniciada em A dança da realidade (2013). As duas produções fazem parte de um projeto maior, uma pentalogia autobiográfica. A narrativa deste filme, lançado em 2016 no Festival de Cannes, é concentrada na década de 1940, quando o então adolescente Alejandro chega com os pais em Santiago – a família é de Tocopilla, Norte do Chile.

É no período da Segunda Guerra que o filho de um comerciante fascista de ascendência judaica descobre a arte. Abandona o pai opressor e a mãe submissa e abraça a poesia. Junto à arte, vem ao encontro de novos amigos, a descoberta da sexualidade e ainda a vontade de deixar o país natal. A narrativa vai até o momento em que ele deixa o Chile para viver na França.

É no país europeu, que lhe deu cidadania e onde mora atualmente, que descobriu a mímica com Marcel Marceau, o surrealismo com Jean Cocteau e André Breton.

Com toda esta bagagem, não faltam referências teatrais ao cinema de Jodorowsky. Ele também dribla, inteligentemente, o orçamento baixo com artifícios tirados dos palcos. Cenários de papelão são carregados para mostrar a rua do comércio do pai de Alejandro. Homens todos vestidos em negro seguram objetos de cena.

Para os papéis principais, o diretor (que aparece em cena algumas vezes, dirigindo-se para o espectador) convocou dois de seus cinco filhos. O mais velho, Brontis Jodorowsky, interpreta seu pai (que aparece, em dado momento, como Hitler). O mais novo, Adan Jodorowsky, vive o próprio Alejandro com seus 20 e poucos anos.

Já Pamela Flores encarna os dois grandes personagens femininos: sua própria mãe, uma mulher que se comunica cantando, e a poeta Stella Díaz Varín, que teve com Alejandro um intenso relacionamento amoroso.

Diante disto, Poesia sem fim é uma autobiografia ficcionada com uma boa dose de surrealismo. Tudo é exagerado, no bom sentido. Interpretações, cores, situações. Nada é comum neste filme-poema cheio de alegorias.

 

Abaixo, confira o trailer de Poesia sem fim:

 

 

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