'O dia do atentado' reconstitui o 15 de abril de 2013, quando duas bombas explodiram na maratona de Boston

Filme relembra o fato, desde a véspera até a catástrofe, a partir do ponto de vista de algumas pessoas envolvidas

por Pedro Galvão 10/05/2017 20:03

Natural de Boston, Mark Wahlberg tem sua premiada e milionária carreira cinematográfica bem ligada à sua terra natal. Por Os infiltrados (2006), de Martin Scorsese, ambientado na capital do estado de Massachusetts, ele ganhou um Oscar e um Globo de Ouro como melhor ator coadjuvante.

PARIS FILMES/DIVULGAÇÃO
Mark Wahlberg interpreta um policial com vasto conhecimento das ruas de Boston, que ajuda na investigação sobre o ataque (foto: PARIS FILMES/DIVULGAÇÃO)

No besteirol Ted, Boston também é o cenário. Agora, o ator de 45 anos estrela a primeira produção sobre o episódio mais trágico da história local. Em O dia do atentado, que estreia hoje no Brasil, Wahlberg assume o papel principal do filme cujo protagonismo é de toda a população bostoniana.

Em 15 de abril de 2013, a metrópole de quase 6 milhões de habitantes sentiu na carne o pesadelo que passou a assombrar todos os Estados Unidos depois do 11 de Setembro de 2001. Durante a 115ª edição da Maratona de Boston, disputada anualmente no feriado do Dia do Patriota desde 1897, sendo a prova de atletismo mais antiga do mundo depois da Maratona Olímpica, duas explosões tiraram a vida de três pessoas e feriram outras 264. As bombas, de fabricação caseira, foram colocadas próximas à linha de chegada e detonadas remotamente por dois irmãos de origem chechena, em um ato terrorista.

O misto dos sentimentos de vulnerabilidade e medo, seguidos da comoção e da união da população local, cujo regionalismo e orgulho da própria origem são características marcantes, construíram um imaginário em torno do ocorrido que inspirou o projeto de Peter Berg (Tudo pela vitória, O reino), responsável pelo roteiro e direção do longa. O dia do atentado reúne diversos aspectos em volta do acontecimento que tenta retratar ação e emoção, drama e suspense, mesclando o tom documental com o ficcional.

A proposta inicial é remontar ao dia do fato, desde a véspera até a catástrofe, a partir do ponto de vista de algumas pessoas envolvidas. Os personagens são todos reais: um jovem casal que acaba se ferindo gravemente em uma das explosões, um pai que se vê separado do filho pequeno na hora do resgate, um velho oficial da polícia de um dos subúrbios de Boston, onde um dos autores do atentado viria a ser capturado, um estudante chinês do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), sequestrado pelos criminosos em tentativa de fuga, além dos próprios terroristas, os irmãos Dzhokhar e Tamerlan Tsarnaev.

O único personagem inventado na história é o de Mark Wahlberg, que interpreta o policial fictício Tommy Saunders. Ele é uma espécie de representação coletiva de todos os oficiais que viviam o dia a dia da cidade e testemunharam de perto os horrores do atentado, sendo o centro da narrativa. À medida que a história se desenvolve, a construção sensível, focada no lado humano dos envolvidos e nos detalhes de como o crime foi planejado e executado, fica para trás, dando origem a um thriller investigativo. Agentes do FBI, um deles interpretado por Kevin Bacon, entram em cena e Wahlberg ganha importância ao ajudar nas investigações preliminares com seus conhecimentos detalhados sobre as ruas de Boston.

 

 


FUGA Paralelamente, a tensão entre os irmãos chechenos após o ataque e a tentativa de fuga rumo a Nova York, onde planejavam realizar outro atentado, viram a chave do filme para a ação, com direito a cenas pirotécnicas de perseguições e explosões, como a do tiroteio na periferia de Boston que resultou na captura e morte de um deles. Com algumas doses de exagero, o filme reproduz os fatos que culminaram na prisão de Dzhokhar Tsarnaev, que se escondia dentro de um barco, no quintal de uma residência em Watertown, na Região Metropolitana de Boston, três dias depois do crime.

Mostrando detalhes técnicos de como os suspeitos foram identificados, com direito a imagens reais das explosões na maratona, da captura de Dzhokhar e até de seu irmão morto, o filme traça algumas críticas ao FBI e seus métodos, que incluem tortura psicológica e conflitos ideológicos entre as autoridades e a relação delas com a imprensa. Por outro lado, a comunidade local, tanto policiais, quanto cidadãos, é colocada como herói, capaze de superar a tragédia com união e solidariedade, resgatando a campanha Boston strong (Boston forte) criada na época. O filme termina com homenagens às vítimas e depoimentos dos sobreviventes reais, retratados no longa.

Apesar do apelo emocional e de se colocar quase como um tributo aos atingidos pelo atentado, o longa não empolgou muito nas bilheterias norte-americanas. Em cartaz nos EUA entre dezembro do ano passado e março deste ano, O dia do atentado não ficou nem entre as 80 maiores bilheterias do país, contando os lançamentos de 2016.

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE CINEMA