'Tinha que ser ele?" estreia hoje nos cinemas de BH

Comédia aposta na velha temática do conflito entre genro e sogros, mas com roupagem moderna e cyberlinguagens

por Pedro Galvão 16/03/2017 08:00
20th Century Fox/divulgação
20th Century Fox/divulgação (foto: 20th Century Fox/divulgação)
Conflitos entre genro e sogro ou sogra e nora não são novidade nas comédias de Hollywood. Apostando nessa velha temática, mas com roupagem mais moderna envolvendo assuntos atuais, memes e outras cyberlinguagens, James Franco volta às telas no papel do rapaz tão mal-educado quanto milionário que tenta conquistar o pai da namorada com suas maluquices e excentricidades. A comédia Tinha que ser ele?, que estreia hoje em BH, vale-se da popularidade do astro entre os jovens.


Depois de se tornar mundialmente conhecido por interpretar Harry Osborn, o melhor amigo de Peter Parker e um dos principais inimigos do Homem Aranha na trilogia lançada entre 2002 e 2007, James Franco ganhou o coração dos fãs não só por atuações que até lhe renderam uma indicação ao Oscar de melhor ator pelo drama 127 horas (2011). O californiano, de 38 anos, é também famoso pelas selfies polêmicas no Instagram, quase sempre fazendo graça ou sensualizando – combo certeiro para render altos índices de popularidade entre a juventude conectada.

O pop star das redes sociais entra forte na composição do novo personagem. Escrachado e sem papas na língua, Laird Mayhew é um milionário de trinta e poucos anos, que enriqueceu ao desenvolver games e aplicativos. Boa parte de sua fortuna é aplicada em extravagâncias espalhadas por sua mansão, como obras de arte com conotação sexual, mordomos e uma secretária digital microfonada por todos os cômodos.

GROSSERIA Tal e qual o gângster Alien – papel de Franco em Spring breakers: garotas perigosas (2012), que solta uma grosseria a cada três palavras pronunciadas –, o sujeito cheio de tatuagens é o namorado da universitária Stephanie Fleming (Zoey Deutch), para desespero de seu pai, Ned Fleming (Bryan Cranston, o Walter White de Breaking bad).

Pai e mãe são convidados a ir até a Califórnia, onde a moça estuda, para conhecer o genro. A série de surpresas bizarras começa no fato de o casal ter que se hospedar na mansão do ilustre desconhecido. A partir daí sucedem-se várias situações constrangedoras causadas pela franqueza desmedida de Laird. O rapaz faz de tudo para agradar, mas, na mesa de jantar, é capaz de comentar sobre seus momentos íntimos com a moça.

Além das disputas já batidas, motivadas pelo ciúme que o pai sente da filha, a trama se vale de outro antagonismo entre sogro e genro. Enquanto o personagem de Franco é um jovem empreendedor, fruto da efervescência tecnológica e criativa do Vale do Silício, Fleming comanda uma tradicional empresa familiar de impressão gráfica, cada vez mais obsoleta e próxima da falência.

Essa dualidade é um dos pretensos alvos do humor no filme, que satiriza os estereótipos dos jovens milionários do ramo tecnológico. Referências ácidas a seriados mais populares da TV, como Game of thrones e Top chef, também estão presentes para conferir um tom atual ao longa em contraponto às piadas escatológicas e sexuais, típicas do besteirol hollywoodiano.

Lançado nos Estados Unidos em 23 de dezembro – a história se passa durante o feriado de Natal –, o filme não conquistou nem o público nem a crítica. Apesar das boas atuações e do carisma de Franco, Cranston, Megan Mullally e Keegan-Michael Key (o mordomo indiano Gustav), a história simplesmente não empolga.

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