Mostra Aurora começa hoje no Festival de Tiradentes, relembre os vencedores

Um dos eventos mais importantes no calendário do cinema nacional chega a mais uma edição com a promessa de projetar realizadores

por Ana Clara Brant 20/01/2017 08:00
Pedro Veneroso/divulgação
Os residentes, do mineiro Tiago Mata Machado, venceu e Tiradentes e foi selecionado para o Festival de Berlim (foto: Pedro Veneroso/divulgação)
De hoje ao dia 28, sete produções disputam a 10ª edição da Mostra Aurora, competição realizada em Tiradentes, sede de um dos festivais de cinema mais respeitados do Brasil. Desta vez, a competição terá representantes de Minas, Baronesa (de Juliana Antunes), Eu não sou daqui (de Luiz Felipe Fernandes e Alexandre Baxter) e Subybaya (de Leo Pyrata); do Ceará, Corpo delito (de Pedro Rocha); e de São Paulo, Histórias que nosso cinema (não) contava (Fernanda Pessoa), Sem raiz (Renan Rovida) e Um filme de cinema (Thiago B. Mendonça, o vencedor do ano passado).

Aurora ajudou a impulsionar a carreira de vários cineastas, projetando nacional e internacionalmente filmes autorais. O Estado de Minas conversou com vencedores da Mostra de Cinema de Tiradentes sobre como está a carreira de todos eles.

20ª MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES
De hoje a 28 de janeiro. Programação completa: www.mostratiradentes.com.br

1ª Mostra (2008)
Meu nome é Dindi
De Bruno Safadi


O primeiro longa do carioca Bruno Safadi, de 36 anos, estreou no Festival do Rio e na Mostra de São Paulo, em 2007. Safadi conta que Tiradentes significou uma virada. “Estava todo mundo lá: imprensa, críticos. A partir do prêmio, tudo mudou. O filme acabou sendo lançado e ganhei outra projeção”, comenta. Atualmente, ele trabalha na TV Globo. Participou das equipes da série Liberdade, liberdade e se prepara para a próxima novela das 18h, Novo mundo. Lançou Belair (2010), Éden (2012), O uivo da gata (2013) e O fim de uma era (2015). Trabalha em Lilith, que deve começar a ser rodado no fim do ano com a atriz portuguesa Maria de Medeiros.

2ª Mostra (2009)
A fuga, a raiva, a dança, a bunda, a boca, a calma, a vida da mulher gorila
De Marina Meliande e Felipe Bragança

Antes de vencer em Tiradentes, o carioca Felipe Bragança, de 36 anos, havia assinado roteiro de O céu de Suely (2006), de Karim Aïnouz. Depois de ganhar o Troféu Barroco, foi roteirista de Heleno, de José Henrique Fonseca, e de Praia do Futuro, de Aïnouz. Bragança e Marina Meliande agora assinam Não devore meu coração, selecionado para o Festival de Sundance, nos Estados Unidos. O longa, que conta com Cauã Reymond no elenco, também está no Festival de Berlim.

3ª Mostra (2010)
Estrada para Ythaca
De Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Diogenes e Ricardo Pretti


O cearense Guto Parente, de 33 anos, diz que seu filme circulou no exterior e no Brasil graças à Aurora. “O prêmio traz destaque para o filme, o que gera interesse e circulação, fazendo com que várias coisas mudem na vida do realizador – para o bem e para o mal. Três meses depois de Tiradentes, a gente já estava filmando Os monstros”, conta. Ele lançou No lugar errado (2011), Doce amianto (2013), A misteriosa morte de pérola (2014), e O estranho caso de Ezequiel (2016). Atualmente, trabalha na pós-produção dos longas O banquete dos leões e Inferninho.

4ª Mostra (2011)
Os residentes
De Tiago Mata Machado


O belo-horizontino Tiago Mata Machado, de 42 anos, conta que Os residentes causou polêmica e dividiu a crítica ao estrear no Festival de Brasília, em 2010, onde conquistou quatro Candangos. Um mês depois, foi selecionado para o Festival de Berlim. “Quando chegamos a Tiradentes, pouco antes de ir para a Alemanha, o vento já começava a soprar a favor. Isso se confirmou na tenda, uma das mais belas sessões da carreira do filme. O que mais aproveitei foram os dias de debates e os encontros. Iniciei parcerias importantes, que ainda perduram”, destaca. Ele trabalha no longa Os sonâmbulos, com estreia prevista para 2018.

5ª Mostra (2012)
A cidade é uma só?
De Adirley Queirós

Antes de vencer em Tiradentes, o goiano, de 46 anos, havia lançado o premiado curta Rap, o canto da Ceilândia. Em 2014, com Branco sai, preto fica, levou o prêmio de melhor filme no Festival de Brasília.

6ª Mostra (2013)
Os dias com ele
De Maria Clara Escobar




Radicada em São Paulo, a cineasta carioca, de 28 anos, diz que Tiradentes lhe proporcionou o primeiro contato com o público. “Foi bastante intenso. Ganhar a Aurora foi importante pelo que me proporcionou depois, pelo incentivo. O dinheiro que ganhamos em Tiradentes foi integralmente investido em Desterro, um novo projeto meu e da produtora Paula Pripas”, revela. Atualmente, além de Desterro, ela trabalha em dois documentários.

7ª Mostra (2014)
A vizinhança do tigre
De Affonso Uchoa



O paulistano mora e trabalha em Contagem. “Foi bastante surpreendente o quanto A vizinhança... se espalhou, chegou a públicos improváveis para o cinema independente. Teve uma vida no circuito paracinematográfico, como cineclubes, mostras com temáticas sociais e projetos pedagógicos”, revela Affonso. Melhor do que vencer em Tiradentes foi levar a história a vários públicos, “ter feito a realidade do meu bairro, dos meus amigos e da juventude de periferia se espalhar para fora do nosso quintal”. Uchoa prepara o lançamento de Arábia, dirigido em parceria com João Dumans. A estreia está prevista para o fim do mês no Festival de Roterdã, na Holanda.

8ª Mostra (2015)
Mais do que eu possa me reconhecer
De Allan Ribeiro

É o segundo longa do cineasta carioca, de 37 anos. Em março, será lançado no circuito comercial. “Aurora é a principal vitrine de filmes mais arriscados no Brasil. Participar dela foi muito importante, pois acredito na criação como algo livre e sem fórmulas. Tiradentes impulsiona estes filmes autorais”, frisa. Allan acabou de lançar a série Noturnas, no Canal Brasil.

9ª Mostra (2016)
Jovens infelizes ou um homem que grita não é um urso que dança
De Thiago B. Mendonça



O diretor paulista, de 39 anos, está de volta à Aurora com Um filme de cinema. “Depois que o trabalho passa em Tiradentes e vence, a gente ganha respeitabilidade. Achei interessante meu trabalho ser exibido em lugares que nunca imaginei, onde as pessoas não têm acesso a cinema, como é o caso das ocupações (urbanas). Essa troca é uma das coisas mais positivas”, destaca Thiago. Atualmente, ele finaliza um documentário sobre samba.

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