"Há 10 anos faço anotações nos sets", relata Jennifer Lawrance em entrevista

Estrela de Passageiros diz querer dirigir desde os 16 anos e fala de seu protesto contra a diferença salarial

por Agência Estado 14/01/2017 10:30

VALERIE MACON/AFP
Jennifer Lawrence diz que, apesar de o debate sobre a desproporção entre os salários de atores e atrizes ter ganhado destaque, 'nada mudou ainda' (foto: VALERIE MACON/AFP)
Depois de interpretar mutantes (na série X-Men) e heroínas (da saga Jogos vorazes), de ganhar um Oscar (O lado bom da vida) e concorrer a outros três (Inverno da alma, Trapaça e Joy - O nome do sucesso), Jennifer Lawrence coloca seu carisma a serviço de mais uma ficção científica.

Em Passageiros, de Morten Tyldum (O jogo da imitação), em cartaz nos cinemas, ela é Aurora, uma jornalista que acorda cedo demais numa viagem espacial de 120 anos a caminho de uma colônia da Terra em outro planeta. Como companhia na imensa nave, tem apenas o mecânico Jim (Chris Pratt). Na entrevista a seguir, a atriz fala sobre o filme, fama e feminismo.

Por que gostou de Aurora?
Gosto de sua vontade de se aventurar. Acho interessante esse buraco que ela sente que nunca consegue preencher. Não sei se ela está tentando impressionar seu pai, ganhador do Pulitzer. Ou seus leitores. Ou ela mesma. Para quem está escrevendo?

Você é aventureira?
Sim. Gosto de aventura. Mas também de segurança. Não gosto de estupidez. Sou curiosa, curto ver e aprender coisas novas. Mas não coloco minha vida em risco. Já pulei de avião, mas não sei por quê. Fiz, mas não recomendo.

O que acha da ideia de colonizar outros planetas?
Os humanos sempre foram exploradores. Nós nunca nos acomodamos. Foi isso que nos motivou a entrar em navios para viajar para países distantes. Então acho que faz sentido que, hoje em dia, depois de explorarmos tudo o que há na Terra, nosso instinto natural seja procurar outros planetas para dominar e destruir (risos).

Foi muito importante quando você escreveu aquele artigo sobre o pagamento desigual para mulheres e homens em Hollywood. Como se sente desde que tomou essa atitude de reclamar pelos seus direitos?
Acho que nada mudou ainda. Escrever me ajudou muito, pude colocar para fora o que estava pensando e sentindo. A principal questão é: estava tão preocupada que alguém não ia gostar de mim ou me chamar de garota mimada, que não estava agindo como gostaria. Como posso deixar esse medo bobo atrapalhar minha carreira, minha vida? Ainda preciso lutar por isso, ninguém quer oferecer uma quantidade de dinheiro justa. E isso vale para todos, homens inclusive. Não se pode aceitar a primeira oferta. As pessoas acreditam que não há nada mais desagradável do que uma mulher intimidadora. Nem mulheres gostam de mulheres intimidadoras. É a coisa menos atraente.

Acha que isso transborda para os papéis femininos? As mulheres sempre têm de ser agradáveis?
Elas precisam ter alguma falha – é aí que podemos confiar nelas e gostar delas. Mas falhas fofas. Pequenas falhas. Se uma mulher não parece ter fraquezas ou vulnerabilidades, é imediatamente considerada desagradável.

Mesmo sendo muito jovem, sua carreira é bem-sucedida e várias garotas se espelham em você. Como se sente em relação a isso?

Seria irresponsável negar a pressão. Ser um modelo não é algo que se escolhe fazer. Simplesmente acontece. Tenho consciência de que meninas e jovens ouvem o que digo, olham que roupas uso, observam como me comporto, então preciso me comportar de acordo. Nunca me perguntaram se eu queria ser um exemplo, pois, com certeza, eu diria para escolherem outra pessoa. Mas aconteceu e eu preciso me comportar.

Tem vontade de dirigir um filme?

Desde os 16 anos. Nessa época, comecei a ter muita vontade, tanto quanto tinha de atuar. Faz 10 anos que tomo notas no set, observando os diretores com quem trabalho. Se boas anotações derem um bom filme, estamos resolvidos! (Estadão Conteúdo)

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