'Assassin's Creed' chega aos cinemas com o desafio de repetir o sucesso dos videogames

Com trama original, versão para as telonas traz os principais elementos do game e leva o protagonista para a Batalha de Granada, em 1492

por Pedro Galvão 12/01/2017 09:30

20th Century Fox/Divulgação
Com Michael Fassbender e Marion Cotillard, 'Assassin's Creed' chega nesta quinta-feira, 12, aos cinemas. (foto: 20th Century Fox/Divulgação )

Para Playstation, Xbox e outras plataformas foram nove títulos, fora as expansões, até que Assassin’s Creed seguisse a trilha de outros games e ganhasse as telonas de todo o mundo. Com Michael Fassbender no papel principal, a primeira adaptação cinematográfica da franquia chega hoje às salas brasileiras com o desafio que nem todos os jogos conseguem: repetir nos filmes o sucesso dos videogames.

O apocalipse zumbi de Resident evil se tornou uma das franquias mais consolidadas de Hollywood nos últimos 15 anos, embora divida a opinião dos fãs. Warcraft foi bem de bilheteria, apesar da recepção não muito animada da crítica, assim como Tomb rider. Prince of Persia arrecadou bem, mas não teve continuidade. Na década de 1990, Mortal kombat agradou no primeiro filme, mas decepcionou no segundo. Já The house of the dead, Street fighter, Need for speed e Super Mario ficaram longe de repetir diante das câmeras o êxito que tiveram nos consoles.

Entre erros e acertos, filmes de games costumam apostar em dois pontos em comum: a relação afetiva com o imaginário dos fãs e uma temática repleta de ação. Com o lançamento da vez não é diferente. A fantasia que conquistou gamers por todo o planeta se baseia em uma violenta viagem no tempo, em que o jogador controla um personagem cujos antepassados pertencem a um clã de assassinos, o Assassin’s Creed. A batalha sangrenta é travada contra a ordem dos templários em diferentes eras. O primeiro título, lançado em 2007, se passa durante a Terceira Cruzada, no século 13. No mais recente, de 2016, a disputa é ambientada na Revolução de Outubro, ocorrida há 100 anos, na Rússia.

A versão que chega aos cinemas é totalmente baseada nesse universo, mas com uma trama original. Callum Lynch, personagem de Fassbender, não existe na série de games. Ele é um homicida condenado à morte nos Estados Unidos, que acaba sequestrado pelo grupo Abstergo, de pesquisas na área da tecnologia genética. Por ser descendente de um importante assassino, Lynch é introduzido no dispositivo Animus de realidade virtual para remontar seu passado de batalhas na Guerra de Granada, na Espanha, em 1492.

As memórias genéticas de Lynch são vistas pela cientista Sophia Rikkin (Marion Cotillard) como a chave para encontrar a Maçã do Éden, artefato de disputa entre assassinos e templários. Além do enredo e de elementos como as indústrias Abstergo e o Animus, o filme aproveita vários outros aspectos do game. Guerreiros encapuzados, lâminas ocultas no bracelete, espadas, flechas, violentas batalhas entre os muros de cidadelas medievais e muitas sequências com movimentos de parkour mantêm a fidelidade estética entre filme e game.

Sequência

Quem dirige a estreia de Assassin’s Creed no cinema é Justin Kurzel. O australiano repete com Cotillard e Fassbender a parceria de Macbeth: ambição e guerra (2015), indicado à Palma de Ouro em Cannes. Bem como outras adaptações do gênero, o projeto de Kurzel busca expandir o universo do game com uma nova trama. O desfecho desse primeiro longa deixa o gancho para uma sequência e ele já declarou em entrevistas à imprensa internacional que pretende continuar a história num próximo filme, provavelmente tendo a Guerra Fria como pano de fundo para a disputa entre assassinos e templários.

Em cartaz desde 21 de dezembro nos EUA, o filme tem sido mal avaliado pela crítica local, o que não é raro quando se trata de games nas telonas. Nas bilheterias, o resultado não é tão desastroso para o gênero. Considerando apenas os números do país, o filme já se tornou a décima adaptação de jogo na história, com uma arrecadação de pouco mais de US$ 50 milhões.

Resultado bom diante dos semelhantes, especialmente considerando que o filme deve faturar mais no Brasil e em outros países onde ainda não estreou, mas fraco se comparado a outras produções. Igualmente detonado pelas críticas, Passageiros, que estreou nas salas norte-americanas no mesmo dia, faturou pelo menos US$ 30 milhões a mais que Assassin’s Creed nos Estados Unidos.

Outros games que viraram filme


Passaram de fase:

ANGRY BIRDS
Lançado inicialmente para smartphones, o game virou febre mundial e ganhou seu filme animado em 2016. Com um orçamento mediano para Hollywood (US$ 75 milhões) e uma arrecadação mundial de US$ 349 milhões, se tornou uma das adaptações de game mais bem-sucedidas no cinema. Uma sequência já foi confirmada, mas ainda sem data prevista.

TOMB RIDER
Lara Croft: Tomb rider (2001) foi por muito tempo a adaptação de game mais lucrativa da história. Com Angelina Jolie no papel principal, o filme teve uma arrecadação mundial de US$ 274 milhões. Dois anos mais tarde, foi lançado a sequência Tomb rider: A origem da vida, que também performou bem nos cinemas, apesar da reação negativa da crítica.

RESIDENT EVIL
O game de ação ambientado em uma terra dominada por zumbis ganhou seu primeiro filme em 2002. Apesar da recepção nem tão favorável da crítica, as aventuras da heroína interpretada por Milla Jovovich agradaram e a franquia ganhou mais cinco sequências, sempre sob direção de Paul W. S. Anderson. A última delas, Resident evil 6: O capítulo final, estreia em 26 de janeiro.

MORTAL KOMBAT
No embalo da febre do Super Nintendo nos anos 1990, o clássico Mortal kombat ganhou seu primeiro longa em 1995, dirigido por Paul W. S. Anderson. O filme agradou e ficou entre as principais bilheterias daquele ano, motivando uma sequência. Mortal kombat: Aniquilação foi lançado dois anos depois, mas não repetiu o resultado do anterior, se tornando fracasso de bilheteria e crítica.

Game over:


PRINCE OF PERSIA
Um dos games mais tradicionais do planeta, lançado em 1989, só chegou aos cinemas em 2010 com o filme Prince of Persia: As areias do tempo. Apesar da arrecadação mundial US$ 336 milhões, uma das maiores entre games, o resultado foi considerado ruim e as aventuras no cinema pararam por aí.

STREET FIGHTER
Tido como o melhor jogo de luta dos anos 1990, ao lado do Mortal kombat, Street fighter não chegou nem perto de repetir o sucesso que tinha no Super Nintendo, com o longa de 1994. Anos mais tarde, em 2009, foi lançado Street fighter: A lenda de Chun Li, de resultados ainda piores.

WARCRAFT
Um dos jogos de computador mais populares do mundo, Warcraft chegou aos cinemas em 2016. A curiosidade dos fãs e o mercado chinês, onde se tornou uma das maiores bilheterias da história, fizeram o filme faturar US$ 433 milhões em todo o mundo. No entanto, a repercussão entre jogadores e críticos não foi das melhores. Considerando apenas os EUA, o filme já foi superado por Assassin’s Creed em arrecadação.

HOUSE OF THE DEAD
Assim como o jogo, a adaptação cinematográfica, lançada em 2003, foi voltada para os fãs de terror. Diante da grande oferta do gênero no cinema, a produção passou quase despercebida.

DOA
Também dirigido por Paul W. S. Anderson, o filme baseado no game Dead or alive, que reúne belas mulheres com espadas e técnicas apuradas em artes marciais, foi lançado em 2007 e se tornou uma das piores bilheterias entre as adaptações de game.

NEED FOR SPEED
Conhecido como um dos principais games de carros e velocidade do mundo, Need for speed chegou aos cinemas em 2014 e foi mais um grande jogo a fracassar nas telonas nas bilheterias e decepcionar os fãs.

SUPER MARIO BROSS
Mario e Luggi são personagens de um dos jogos mais amados de todos os tempos. No entanto, a decisão de colocar atores (Bob Hoskins e John Leguizamo, respectivamente) para interpretá-los foi um fracasso. Super Mario Bross, de 1993, chegou a ser listado por sites especializados como uma das produções mais toscas da época.

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