Atrizes brasileiras assumem a direção de filmes e documentários

por Fernanda Guerra 27/11/2016 10:30

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Revista Trip/Divulgação
Leandra Leal diz que ideia do filme Divinas divas surgiu durante pesquisa sobre a trajetória das travestis no Teatro Rival (foto: Revista Trip/Divulgação)

“Não sou como Spike Lee, David Fincher, Robert Zemeckis ou Martin Scorsese, mas há lições importantes que você aprende com todo mundo. Então, surge a inspiração de criar uma assinatura ou encontrar o seu próprio jeito.” O depoimento da norte-americana Jodie Foster ao The Hollywood Reporter resume o interesse dela por direção. Aos 53 anos, a atriz dos clássicos Taxi driver e O silêncio dos inocentes também é diretora reconhecida mundialmente, seja dos filmes Um novo despertar (2011) e Jogo do dinheiro (2016) ou de episódios das séries Orange is the new black e House of cards. Assim como ela, atrizes brasileiras também se apropriam do conhecimento adquirido na interpretação para imprimir identidade própria atrás das câmeras.

Estrela de O lobo atrás da porta e A ostra e o vento, Leandra Leal é uma delas. No entanto, ela rejeita o título: “Não sou diretora. Sou uma atriz que dirige”. No cinema, a estreia na função foi no documentário Divinas divas. Até então, ela havia dirigido os espetáculos Impressões do meu quarto e Mercadoria do futuro. O filme aborda a primeira geração de travestis: Rogéria, Jane Di Castro, Divina Valéria, Camille K, Fujika de Halliday, Eloína dos Leopardos, Marquesa e Brigitte de Búzios.

Não foi a inquietação artística que levou a atriz à direção, mas o encantamento e a intimidade com o tema central. A ideia surgiu no momento em que ela começou uma pesquisa sobre a trajetória das artistas, cujo início de carreira ocorreu no Rival, teatro da família de Leandra, no Rio de Janeiro. “Estava em busca de um projeto autoral. Quando as encontrei, realmente entendi que só eu poderia fazer esse documentário por conta da minha relação com elas”, justifica Leandra.

A espinha dorsal do documentário é o reencontro das travestis performáticas no palco em celebração aos 50 anos de trajetória. O filme abre espaço para expor dificuldades e preconceitos enfrentados ao longo da jornada, mas não é um “tratado” sobre a questão de gênero no país.

“Elas venceram na vida porque são artistas. Fizeram carreiras bem-sucedidas”, afirma a diretora. Por conviver desde sempre com travestis, Leandra afirma que a questão de gênero nunca foi tabu para ela. Nem quando criança. Ela só foi compreender o preconceito ao ficar mais velha. “Se você vai para outros meios, é muito difícil para uma travesti que deseja ser enfermeira, por exemplo. A onda conservadora encaretou tudo”, compara.

O olhar de admiração e respeito da atriz diante das artistas está presente. O distanciamento em relação ao tema, no entanto, foi definido no processo de montagem do documentário, que durou dois anos e meio. Após a experiência de Divinas divas, Leandra pensa em dirigir novamente, mas frisa que serão projetos pontuais.



Estreantes

A atriz Camila Pitanga estreou como diretora em um filme bastante íntimo. O documentário Pitanga, lançado na edição deste ano do Festival do Rio, retoma a trajetória de Antônio Pitanga, pai dela – ou “pãe”, como ela mesma define. “É um ator que fez parte da construção do Cinema Novo. E, como ele mesmo diz, com orgulho e sabedoria, um negro em movimento”, resume Camila no Instagram.

A atriz Mariana Ximenes recentemente estreou como produtora. “Por curiosidade”, diz, pois queria compreender melhor o processo de elaboração de um filme.

Em Um homem só, estrelado por ela e Vladimir Brichta, Mariana acumulou as funções de atriz e produtora. “Tudo começou naquele papo de atriz: ‘Quero fazer algo diferente, me envolver mais com cinema, produzir e realizar’”, revela Mariana. De cara, conheceu na prática as dificuldades, pois o filme demorou sete anos para ser lançado. Como ela, já atuaram como produtoras as atrizes Deborah Secco e Cláudia Abreu.



ATRÁS DAS CÂMERAS

Marina Person

Marina Person, VJ da extinta emissora MTV, trilha os caminhos do cinema há anos. Este ano, lançou o filme Califórnia, seu primeiro longa de ficção. Como Camila Pitanga, estreou como diretora no documentário Person (2007), sobre o pai, o cineasta Luís Sergio Person. Ela dirigiu também o clipe Segunda chance, de Johnny Hooker. Este ano, ela protagoniza o filme Canção da volta, dirigido por seu marido, Gustavo Rosa de Moura.

Maria Ribeiro

Dois temas íntimos marcaram a experiência da atriz como diretora. O documentário Domingos (2011) trata da trajetória do ator e cineasta Domingos de Oliveira, principal influência da carreira artística de Maria Ribeiro. Ano passado, a atriz lançou o documentário Los Hermanos – Esse é só o começo do fim da nossa vida.

Letícia Sabatella
A atriz estreou como diretora no documentário Hotxuá (2007), codirigido pelo cenógrafo Gringo Cardia. O filme acompanha a tribo indígena hrahô. A protagonista dos filmes Não por acaso (2007) e Romance (2008) se interessou pela temática na década de 1990, quando fez um laboratório na tribo.

Courteney Cox
Inesquecível na pele de Monica Geller em Friends, a atriz dirigiu o seriado Cougar town, exibido de 2009 a 2015. Além de protagonizar a produção, dirigiu 12 de seus mais de 100 episódios. Dirigiu os filmes Just before I go (2015), The monday before thanksgiving (2008) e Talhotblond (2012).

Angelina Jolie

Dirigiu os longas Na terra de amor e ódio e À beira do mar, entre outros. Em 2007, iniciou sua carreira atrás das câmeras. Como produtora, atuou em nove filmes. Protagonizou e assumiu a produção-executiva do longa Malévola (2014).

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