Tim Burton volta ao universo do cinema fantástico em 'O lar das crianças peculiares'

Longa que estreia nesta quinta (29) nos cinemas é ambientado num orfanato que recebia paranormais

por Diário de Pernambuco 29/09/2016 16:24

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Fox Filmes/Divulgação
Cena de 'O lar da crianças peculiares', de Tim Burton (foto: Fox Filmes/Divulgação)

Viagens no tempo, monstros, fantasmas e superpoderes estão entre os ingredientes misturados pelo filme O lar das crianças peculiares, dirigido por Tim Burton, especializado em contar histórias de fantasia ao mesmo tempo encantadoras e sombrias. Pela combinação entre fenômenos sobrenaturais, o novo longa-metragem é uma das obras mais surrealistas do cineasta, com direito a um personagem que mostra os sonhos na parede como se tivesse um projetor de cinema dentro da cabeça.


O lar das crianças peculiares, portanto, representa o retorno de Burton, com força total, ao universo fantástico, já que o último filme do diretor, Grandes olhos (2014), era baseado em fatos reais e foi um de seus trabalhos de menor bilheteria (além de não ter conseguido indicações ao Oscar, como parecia ser a intenção).


A história gira em torno das malassombradas ruínas de um orfanato que abrigava crianças paranormais até ser destruído em um bombardeio na Segunda Guerra Mundial. Casarões misteriosos, que escondem segredos inacreditáveis, já foram explorados pelo cineasta em filmes como Os fantasmas se divertem (1988), Edward Mãos de Tesoura (1990) e Sombras da noite (2012). Desta vez, a história é baseada em um romance do escritor Ransom Riggs, revelação da literatura fantástica infanto-juvenil, cujos livros começaram a ser lançados no Brasil em 2016.

 


Cada órfão tem um superpoder diferente. Enoch é telecinético. Hugh solta abelhas pela boca. Millard é um menino invisível. Olive solta fogo. Fiona controla as plantas. Claire tem uma boca na nuca. Emma manipula o vento. Horace tem olhos que projetam os sonhos. Os gêmeos (sem nome) transformam pessoas em pedra.


ABSURDO A trama das crianças pecualiares não chega a ser tão enigmática e alegórica como a criada pelo escritor Lewis Carrol em Alice no País das Maravilhas (levado ao cinema por Burton em 2010), mas é absurda o suficiente para dar um nó na cabeça do espectador. Alguns detalhes são até difíceis de entender, talvez por necessitarem de explicações mais didáticas e menos apressadas, o que não chega a atrapalhar o andamento ou a diversão.


Interpretado por Asa Butterfield (A invenção de Hugo Cabret e Ender's game), o protagonista é um adolescente intrigado pela infância do avô (morto em estranhas circunstâncias, com os olhos retirados), que viveu no orfanato, localizado em uma ilha do País de Gales (possível referência ao clássico O homem de palha, de 1973). O menino visita o lugar e descobre uma espécie de portal mágico que o transporta até 1943, quando o casarão ainda não havia sido bombardeado.

 

Fox Filmes/Divulgação
Cena de 'O lar da crianças peculiares', de Tim Burton (foto: Fox Filmes/Divulgação)

Ao viajar para o passado, o garoto encontra as crianças com poderes sobrenaturais, que conviveram com o avô dele. Elas vivem sempre o mesmo dia, que se repete antes da queda da bomba, como um fluxo de tempo contínuo, e acumulam as memórias e experiências cotidianamente sem envelhecer. O menino é recebido como um amigo e juntos eles passam a lutar contra inimigos que se alimentam dos olhos das crianças peculiares.

 

TÉCNICA Além de efeitos especiais digitais, o filme também tem criaturas feitas em stop-motion, técnica que Tim Burton usou em longas-metragens como Frankenweenie e Noiva cadáver (uma cena parece homenagear Ray Harryhausen, mestre do estilo, responsável pelos montros de clássicos como Fúria de titãs e Jasão e o velo de ouro). O elenco adulto é formado por atores conhecidos, como Eva Green, Terence Stamp, Samuel L. Jackson, Rupert Everett e Judi Dench.

 

Por ser baseado em uma série de livros e por ser protagonizado por adolescentes e crianças com poderes mágicos, o filme parece procurar repetir o sucesso de Harry Potter, apesar de continuações ainda não terem sido anunciadas. O enredo meio complicado, entretanto, pode atrapalhar.

 


Mais uma vez, Tim Burton usa toda essa alegoria para tratar de questões bastante pessoais, como o carinho pelas pessoas diferentes, excêntricas e desajustadas, além da valorização da sabedoria dos mais velhos sobre coisas ocultas que a sociedade não percebe no cotidiano. É um exemplo de cinema bastante autoral que, na medida do possível, consegue alcançar resultados artisticamente autênticos mesmo na lógica industrial de Hollywood.



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