Na 49ª edição do Festival de Brasília, nova geração de cineastas de Minas conquista 10 prêmios

Um dos destaques foi o longa 'A cidade onde envelheço', de Marília Rocha, que levou os prêmios de melhor filme e direção

por Mariana Peixoto 29/09/2016 10:32

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Bianca Aun/Divulgação
(foto: Bianca Aun/Divulgação)
Ninguém saiu de mãos abanando. As cinco produções mineiras que participaram do 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro saíram premiadas. Oficialmente, o evento terminou ontem, mas a premiação ocorreu na noite de terça-feira, no Cine Brasília.

O grande vencedor foi A cidade onde envelheço, primeiro longa de ficção de Marília Rocha (eleito melhor filme; direção; atriz, dividido para as protagonistas, Elisabete Francisca e Francisca Manuel; e ator coadjuvante, para Wederson Neguinho).

O outro longa mineiro em competição, Elon não acredita na morte, de Ricardo Alves Jr., saiu com o Candango de melhor ator para Rômulo Braga. Clarissa Campolina foi eleita melhor montadora pelo filme cearense O último trago. O curta de Clarissa, Solon, levou o prêmio de fotografia (para Ivo Lopes Araújo).

Também na seara de curtas, Estado itinerante, de Ana Carolina Soares, única realizadora do estado que estreava no Festival de Brasília, recebeu o prêmio especial do júri e o de melhor atriz para Lira Ribas. E Constelações, de Maurílio Martins, o de melhor ator para Renato Novais Oliveira.

Coprodução com Portugal, A cidade onde envelheço deve chegar ao circuito comercial no primeiro semestre de 2017. Antes disso, já tem garantida presença nos festivais de Biarritz, Chicago e Lisboa. Também deve participar de festivais nacionais antes da estreia.

A narrativa acompanha as amigas Teresa e Francisca, ambas portuguesas, em Belo Horizonte. “É a história de duas personagens que tiveram que mudar de país porque veio um governo de direita que mandava as pessoas embora. Por isso, há um conteúdo político dentro do próprio filme”, definiu o produtor português João Matos, que representou o filme na cerimônia de premiação.

Marília Rocha não esteve presente no festival por causa do nascimento do filho, há poucas semanas. Produtora executiva do longa, Luana Melgaço também não pôde ir, pois está em Aiuruoca, Sul de Minas, filmando Coiote, de Sérgio Borges (até então, o último mineiro premiado em Brasília, com cinco Candangos em 2010 por O céu sobre os ombros).

“Estar no festival de Brasília neste ano foi muito forte. Foi um festival renovado e também atento ao momento político brasileiro, evidente durante as exibições, nas manifestações e contestações de grande parte dos realizadores a um governo ilegítimo. Para nós mineiros, também foi uma oportunidade de chamar a atenção para a falta de financiamento e de diálogo com o governo do estado sobre o fim do edital Filme em Minas, que financiou os dois longas-metragens em competição”, afirmou Luana ao EM.

Historicamente o mais político dos festivais brasileiros, Brasília deixou seu recado. Sucessivos “Fora, Temer” marcaram todas as exibições e ainda os agradecimentos aos prêmios. Diretor do documentário pernambucano Martírio, sobre a retomada dos territórios dos índios guarani caiouá (agraciado com os prêmios especial do júri e do júri popular), Vincent Carelli comentou a questão: “É um momento político muito difícil. Parece que estão desconstruindo o Brasil. Mas a gente vai reconstruir este país. A história dirá”.

Terminado o festival, os realizadores já estão com outras cartas na manga. Marília Rocha trabalha numa série documental para a televisão através de sua produtora, Anavilhana (que tem como sócias Luana Melgaço e Clarissa Campolina). A primeira fase da produção será dedicada aos principais poetas brasileiros: Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Vinicius de Moraes e João Cabral de Melo Neto.

“Os episódios percorrerão espaços onde eles viveram no Rio de Janeiro, para onde migraram na primeira metade do século passado, associando textos e documentos de arquivo a um conjunto imagético de ambientes urbanos aparentemente alheios à literatura.”

Ainda na Anavilhana, Ricardo Alves Jr. também administra projetos. “Tenho um roteiro em andamento com o Diego Hoefel, chamado Cedric. Ele conta a história de um jovem refugiado do Congo e que vive em São Paulo. Em andamento, escrevo uma adaptação do livro do Lourenço Mutarelli, Nada me faltará”, conta. (Com equipe do Correio Braziliense)

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