Frentista herda fortuna no longa nacional 'Tô Ryca'

Na trama estrelada pela comediante Samantha Schmütz, a nova-rica tem que gastar todo o dinheiro em 30 dias; filme tem participação da atriz Marilia Pêra, morta em 2015, num de seus últimos trabalhos

por Helvécio Carlos 21/09/2016 20:03

Fotos: Páprica/divulgação
Cena do longa 'Tô Ryca' (foto: Fotos: Páprica/divulgação)
 

Acostumada a fazer personagens divertidas na televisão, a atriz Samantha Schmütz não escondia a ansiedade às vésperas de estrear como estrela do longa Tô ryca, do diretor Pedro Antônio, que estreia nesta quinta (22) em Belo Horizonte. “O filme é um marco de consagração, de merecimento na minha carreira. Existe a pressão de ser a protagonista, mas estou tranquila, segura, preparada para o momento”, garantiu.

 

Conhecida como comediante em papéis como Jéssica, em Vai que cola (Multishow), e Juninho Play, em Zorra total (TV Globo), Samantha garante: Tô ryca é um passo importante para consolidar sua carreira como atriz.

Na comédia, Samantha interpreta Selminha, frentista que tem a chance de mudar de vida quando descobre ser dona de R$ 30 milhões. Herdar toda essa fortuna não será tão fácil quanto parece. O tio moribundo impõe uma regra: ela precisa gastar todo o dinheiro em 30 dias, sem acumular R$ 1 e muito menos revelar a boa-nova. Selminha topa o desafio. Para isso, tem de enfrentar vários percalços – situações de humor e drama.

“O cinema mostra mais o meu lado atriz do que comediante. As mudanças da Selminha exigem construções. São várias personagens em uma só”, observa Samantha. A frentista e a artista têm um ponto em comum: a indignação com os políticos. “Egoístas, eles querem roubar tudo. Aqui no Brasil, fazem uma verdadeira ‘depilação’ no povo. É muito triste a vida de quem depende do transporte público. O descaso com os professores é uma vergonha”, enumera.

Filha de professores, Samantha Schmütz defende que cada cidadão faça a sua parte para “contaminar o país” de forma positiva, “pois eles (os políticos) não estão fazendo nada”. A atriz revela que pretende destinar parte dos lucros com a venda dos produtos licenciados da linha Juninho Play “para instituições que dão esperança, oferecendo ferramentas para que as pessoas possam sair de situações difíceis”.

VESTIBULAR A carreira de Samantha, de 37 anos, nascida em Niterói, começou no fim da década de 1990. Naquela época, ela já acreditava em seu destino na ribalta. “Lembro-me de que ensaiava autógrafos para meus amigos”, recorda, bem-humorada.

O teatro não veio “de primeira” . Em busca de uma carreira estável, encarou o vestibular para o curso de comunicação social. “Passei, claro, todos passam”, diz, mas, na hora de se matricular, pensou duas vezes e chegou à conclusão de que aquele não seria um caminho feliz. No dia seguinte, ela e o pai já procuravam uma escola de teatro.

Samantha tem tanta saudade de sua primeira peça – A casa de Bernarda Alba –, apresentada em 1999, que pensa em remontá-la. “Foi montagem amadora, mas feita com muito profissionalismo. Essa minha primeira peça era dirigida por David Herman, professor na CAL (Casa de Artes Laranjeiras). Ele me fez entender o que é interpretar”, relembra.

Entre seus próximos projetos está a segunda temporada a websérie Juninho Play e família. O personagem deve ganhar um programa para ele na TV. Na linha de shows, a atriz está montando o show Samantha canta, baseado na atração exibida às quartas-feiras no canal pago Bis. Em outubro, ela volta ao ar como Jéssica em nova temporada de Vai que cola.


Preconceito à vista  Em Tô ryca, Pedro Antônio estreia como diretor de cinema. Segundo ele, o filme traduz bastante a comédia em que acredita. “Tem boas personagens e boas situações, com sequências cinematográficas interessantes”, enumera. Porém, pondera que o seu longa precisa vencer preconceitos. “Apesar de as pessoas acharem que a premissa do pobre que fica rico seja copiada, ela existe desde o século passado. Não acho graça em pobre gastando dinheiro. Acho graça no discurso propositivo e interessante, em situações críveis e divertidas com as quais o público se identifique”, explica.

Filho do cineasta Paulo Thiago e da produtora Gláucia Camargos, Pedro começou a carreira na televisão. Pretendia adquirir lá “horas de voo”, domínio do set e habilidade para conduzir gravações. Por 15 anos trabalhou no canal pago Multishow, onde atualmente dirige o programa Ferdinando show.

Pedro não sabe exatamente o que o levou a Tô ryca. “Por que esse filme marca a minha estreia? Não sei responder. É a vida, o acaso. Samantha é minha amiga, Fiu Braz (roteirista) é meu amigo”, aponta, listando outras coincidências.

Para ele, a produção atual de comédias brasileiras é pouco cinematográfica. “Os filmes são muito televisivos. Você precisa se arriscar, como fiz na sequência do passinho, dança que surgiu na periferia do Rio de Janeiro há 10 anos. A cena poderia ter ficado canhestra, esquisita, mas não. Arrisquei também ao transformar o comício em carnaval baiano”, diz.

O próximo projeto de Pedro é Um dia quase perfeito, com Marcus Majella. O lançamento do filme está previsto para 2017. “Não sou marinheiro de primeira viagem. Tentei me instrumentalizar da melhor forma. Agora que entrei no mercado, não vou sair”, conclui.

Fotos: Páprica/Divulgação
Marilia Pêra grava o longa 'Tô Ryca' (foto: Fotos: Páprica/Divulgação)

DESPEDIDA

Em Tô ryca, Marília Pêra fez um de seus últimos trabalhos. A atriz morreu em dezembro de 2015, aos 72 anos, de câncer no pulmão. Em rápida aparição, ela faz o papel de uma dona de loja.

 


O repórter viajou a convite da Downtown Filmes
 

 

 

 


MAIS SOBRE CINEMA