Documentário sobre Janis Joplin refaz sua trajetória com intensa colaboração da família

Com formato convencional, o longa desfaz qualquer intenção de mitificar a cantora que morreu aos 27 anos

por Mariana Peixoto 07/07/2016 09:58

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Uma ascensão rápida acompanhada de decadência física, decorrente do abuso de álcool e drogas, igualmente intensa e veloz. Integrante do Clube dos 27, como é chamado o grupo de músicos que morreram aos 27 anos, Janis Joplin morreu em 4 de outubro de 1970.


Seu corpo foi encontrado em um hotel em Los Angeles três semanas depois de Jimi Hendrix morrer em Londres e nove meses antes de Jim Morrison ser encontrado sem vida em Paris.

Ainda que outros nomes façam parte do trágico clube, o trio foi responsável por boa parte do legado da contracultura que eclodiu nos Estados Unidos na década de 1960.

Zeta Filmes/Divulgação
Little girl blue mostra que Janis Joplin nunca se adequou ao mundo das celebridades (foto: Zeta Filmes/Divulgação)

A trajetória de Janis já foi revista algumas vezes no cinema. Na ficção, a produção mais conhecida é A rosa (1979), com Bette Midler interpretando uma cantora autodestrutiva. Com a não autorização da família de Janis em ceder os direitos da história, a narrativa sofreu várias modificações.

Passados 46 anos da morte da artista, os Joplin parecem ter feito as pazes com seu passado.

O documentário Janis: Little girl blue, de Amy Berg, refaz sua trajetória com intensa colaboração da família – atualmente, representada pelos irmãos Laura e Michael Joplin.


Com formato convencional – entrevistas (familiares, amigos de infância e músicos) e imagens de arquivo apresentadas em ordem cronológica – o longa desfaz qualquer intenção de mitificar a cantora.

Amy Berg parte de um pressuposto: a inadequação (física, comportamental e sexual) de Janis a levou para a música e, posteriormente, para a heroína. O título, que faz menção à canção popular dos anos 1930 gravada por ela, parece referendar como Janis era infeliz e solitária. Buscava, acima de tudo, o reconhecimento da família, dos amigos e do público.

BRASIL

A tão falada passagem pelo Brasil – numa das tentativas de ficar “limpa”, ela foi ao Rio e a Salvador, meses antes de sua morte, com Dave Niehaus, apresentado como o grande amor de sua vida – tem destaque na narrativa, ilustrada com fotografias.

Primeira filha de uma família de classe média de uma pequena cidade do Texas (Port Arthur), Janis, já na infância, sofreu muito por ser diferente. Feia para os padrões da época, descobriu que o blues poderia ser uma válvula de escape.


Branca cantando como negra, ela parte, no fim da adolescência, para São Francisco, que explodia como polo do movimento flower power.

A despeito da distância e do estilo de vida que não combinava com o de sua família, Janis buscou manter contato com os pais. Cartas da cantora (narradas por Cat Power) a colocam próxima do espectador e servem como um complemento para as imagens. A constrangedora entrevista em que ela, consagrada, fala de como sofria na escola é mais do que ilustrativa disso. De menina esquisita a ícone do rock, Janis parece, mesmo depois de conquistar o estrelato, nunca ter se adequado.

JANIS – LITTLE GIRL BLUE

Documentário de Amy J. Berg. 107 minutos. Classificação: 14 anos. Em cartaz no Belas 3, às 15h50 e 21h30;
Cine 104, às 18h35 e 20h30; e Ponteio 4, às 21h10. Cópias legendadas.

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