Ator Augusto Madeira se desdobra em papéis na televisão, cinema, teatro e publicidade

'Entre longas e curtas, tenho 60 filmes. Só este ano fiz seis. Ano passado, cinco', contabiliza. Atualmente, ele pode ser visto em dois filmes

por Helvécio Carlos 07/06/2016 09:58

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Agência Febre/Divulgação
(foto: Agência Febre/Divulgação)
Augusto Madeira é presença onipresente na indústria do audiovisual e também no teatro. Quer ver só? Esta semana, ele pode ser visto na cidade no filme Uma loucura de mulher, de Marcus Ligocki Júnior, e Nise – O coração da loucura, de Roberto Berliner. Sem contar os longas com previsão de estreia no ano que vem, entre eles o esperado Pedro Malasartes e o duelo com a morte, de Paulo Morelli; Vidas partidas, de Marcos Schetchman; e O beijo no asfalto, a estreia de Murilo Benício na direção. “Tem gente que diz que sou projeto de Wilson Grey”, brinca, em referência ao ator carioca, que entre os anos 1940 e 1990 fez mais de 200 filmes. Madeira faz cinema há 27 anos quase sem parar. “Entre longas e curtas, tenho 60 filmes. Só este ano fiz seis. Ano passado, cinco”, contabiliza, com a naturalidade de quem faz o que gosta, sem estrelismos.

“Na verdade, sou de tudo. Fiquei 28 anos sem sair de cena, emendando um espetáculo no outro, em companhias pelas quais tenho muito respeito. Trabalhei com o Aderbal (Freire-Filho), com Kiki (Dias), com Yara (de Novaes). Teatro para mim é um negócio sério e muito sagrado”, afirma. Apaixonado pelo tablado, Augusto conta que já chegou a fazer três peças (Jacinta, A serpente e 20 mil léguas submarinas), ao mesmo tempo, entre o Rio de Janeiro e São Paulo.

Há dois anos, a agenda ficou apertada e o ator optou por dar um tempo do palco. “Precisei parar. Não queria constranger as produções de teatro, mas também não queria abrir mão de um mercado aquecido como o das produções dos canais a cabo”, diz ele, ansioso pela estreia de O homem de sua vida, na HBO. “Houve uma época em que me achava ator de filme publicitário. Foram mais de 200”, recorda ele, cujo trabalho mais marcante no setor foi a campanha para a Sky estrelada pela modelo Gisele Bündchen. Madeira tem orgulho dos oito prêmios conquistados como melhor ator de curtas-metragens.

Se para o leitor é impossível encarar a rotina entre sets de filmagem, para o ator, acredite, chato mesmo é ficar sem fazer nada. “Meu estresse é passar uma semana em casa. Sou workaholic”, confessa. “Minha profissão me traz vitalidade, me divirto por fazer o que faço, me dá saúde”. Mas, mesmo com tanto entusiasmo, Augusto pisou no freio ao encarar um perrengue daqueles quando foi obrigado a pegar mototáxi para sair do Projac, no final da tarde, para chegar antes das 21h a um teatro em Botafogo, em pleno rush. “Nesse dia, parei para repensar minha agenda. Hoje tenho prioridades.”

Apesar da crise em vários setores da economia, Augusto Madeira não é pessimista em relação à queda da produção. “Os grandes financiadores eram as estatais”, pondera. “Mas, pela Lei do Audiovisual, os canais são obrigados a fazer material de conteúdo nacional. Essa obrigação continua lá e, de alguma forma, a produção irá continuar. Conquistamos o mercado que está aí, consolidado. Somos bons de luta. A indústria não vai acabar assim de mão beijada. Não vamos deixá-la ir embora”, defende.

GERAÇÃO
Com experiência no cinema e na TV, Augusto é otimista quanto ao futuro dos roteiristas. “Parece que não, mas a herança nefasta da censura não matou a geração daquela época, matou a geração que estava nascendo. E essa geração que nasceu ali e não escreveu gerou outra geração. Na verdade, agora estamos saindo do buraco. Estamos aprendendo a escrever, a falar da gente. O roteiro de Polidorio, com José de Abreu, é uma coisa redonda. Na primeira leitura, todo mundo caiu aos prantos. O lobo atrás da porta, de Fernando Coimbra, é um primor”, elogia.

Assim como atua em todas as frentes, Augusto não se prende apenas a um gênero. “Em Nise..., faço um personagem com arco incrível e o público se surpreende. Faço muita coisa de humor por ser convidado. Acredito fazer com alguma categoria porque continuam me convidando. Adoro papéis dramáticos. Na série da HBO, minha personagem é cheia de nuances. Sou um ator que gosta de servir à história.”

Ser ator profissional não era prioridade de Augusto aos 16 anos. Com talento para o desenho – “desenhava bem, não perdi o traço” –, foi ver espetáculo encenado por algumas amigas, alunas do curso de teatro de Roberto Bomtempo. “Fui assistir, achei sensacional e entrei ‘não oficialmente’. No final daquele ano, montamos Grease.” Se a admiração pelo palco veio rápido, o mesmo não se pode dizer da postura para encarar a carreira. “Demorei a assumir que era ator. Quando decidi, entrei nesse ritmo. Mal comecei e já queria saber o que tinha pela frente. Peça infantil, teledrama ao vivo? Eu faço. Tudo foi somando, fui aprendendo... Desde novo, metia a cara e não era por necessidade de sobrevivência.”

Depois de dois ou três anos, já firme na carreira, em plena Era Collor, o pai de Augusto, que trabalhava no mercado financeiro, faliu e vendeu casa, escritório, tudo. Foi quando ele se jogou na vida, dividindo apartamento e contas com o ator Bruno Garcia. “Ele estava no elenco de O burguês ridículo com Marco Nanini. No meu caso, de vez em quando caía o dinheiro de um comercial. O Bruno segurava a onda e, muitas vezes, dizia para eu pagar apenas o aluguel da linha telefônica. Somos irmãos.”

Quase 30 anos depois e uma sucessão de trabalhos que parecem não parar tão cedo, Augusto prefere o projeto pelo qual se apaixona. “A melhor alegria é o caminho, a história de fato. Quando me chamam para um trabalho, chego no set e 80% da equipe me conhece e abre um sorriso de alegria em estar comigo lá. É muito bom. Olho para trás e não me envergonho de nada. Pelo contrário. Tenho orgulho da minha estrada. Já estou no lucro há muito tempo. Estaria feliz com um décimo do que já fiz. E a estrada para frente está bonita”, conclui.

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