Em 'Jogo do dinheiro', Jodie Foster mostra que o mundo financeiro se transformou em circo

No novo filme, ela atua como diretora para revelar o desprezo pelos cidadãos num sistema que não se preocupa com responsabilidade social

por Agência Estado 31/05/2016 09:23

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Alberto Pizzoli/AFP
(foto: Alberto Pizzoli/AFP)
Diretora de 'Jogo do dinheiro', que estreou na quinta-feira nas salas brasileiras, a atriz e cineasta Jodie Foster fez um filme político. O mundo das finanças, a crise econômica e o desprezo pelo cidadão comum, o pequeno investidor, estão na mira da atriz e cineasta.

Jogo do dinheiro é sobre um guru das finanças que tem um programa de TV. Lee Gates é tão sedutor que Jodie convocou George Clooney para o papel. Ele trouxe Julia Roberts para ser a produtora do programa de TV. Gates fala com a convicção de um pastor religioso. Seu deus é o dólar. Um infeliz que ouve seus “conselhos” investe todo o seu dinheiro num negócio que não dá certo. Desesperado, ele invade o estúdio.

“Não quis fazer um filme anticapitalista, seria um pouco demais. Em nosso roteiro, não creio que o sistema seja colocado em xeque. O filme é muito mais sobre as responsabilidades individuais, sobre o oportunismo e o mau-caratismo que dominam as mídias. Hollywood quer nos fazer crer que somos todos cordeiros e necessitamos de super-heróis. Fiz o filme na contracorrente, pensando que o público pode se interessar por um suspense adulto, com personagens complicados, porque a vida é complicada. No limite, é o que me interessa. Falar de gente”, explicou Jodie.

EGOÍSTA
E por que escalar George Clooney? “Porque o personagem tem uma curva, sofre uma evolução. No início, ele é um egoísta fdp que só pensa em si mesmo. Como homem e jornalista, perdeu toda a responsabilidade. O garoto desesperado vai levá-lo a reencontrar sua humanidade. Precisava de um ator que tornasse esse movimento verossímil para o espectador. E George é esse ator”, responde ela.

Muitos filmes têm sido feitos para tentar explicar a crise, mas sempre do ponto de vista das altas finanças. Jodie Foster constrói Jogo do dinheiro do ponto de vista do pequeno investidor: “O mundo financeiro virou um circo. Nenhum analista está sinceramente interessado no que pensam as massas. O grosso das pessoas não entende nada, mas quer fazer parte do sistema. Espero que Jogo do dinheiro reflita isso.”

Para a diretora, seu filme também é uma indagação sobre a cultura moderna. “Não quero passar a impressão de ser nostálgica de coisa nenhuma. Vivemos num mundo virtual. George e Julia creem ser próximos um do outro, mas ela fala com ele pelo fone de ouvido e George a vê através do monitor. São as relações contemporâneas. Estamos perdendo o contato, que é o que nos torna humanos. Não creio que um filme possa ter um efeito tão grande que mude a vida de uma pessoa, que mude o mundo. Mas se o espectador sair do cinema com uma interrogação, se nosso filme conseguir lhe plantar uma dúvida, já terá valido a pena.”

EUA
Jodie comentou também a sucessão presidencial em seu país. “Sinceramente, qualquer pessoa bem pensante tem dificuldade só de imaginar que Donald Trump possa vir a ser o próximo presidente dos Estados Unidos. Mas é um sintoma da raiva que as pessoas estão sentindo face a tantas desigualdades e injustiças. Não é um fenômeno norte-americano. Na França, há Marina Le Pen, Le Front Populaire. O mundo está nos dando uma lição, e não estamos querendo entender”, advertiu a atriz e diretora. (Estadão Conteúdo)

JOGO DO DINHEIRO

(2015, 99min, de Jodie Foster). Classificação: 14 anos.
. BH 7, 12h50, 15h15, 17h45, 20h20 (leg)
. Boulevard 1, 16h20, 21h10 (leg)
. Cidade 6, 14h (dub), 16h10 (leg), 18h20 (dub), 20h30 (leg)
. Contagem 8, 14h (dub), 16h10 (leg), 18h20 (dub), 20h30 (leg)
. Del Rey 7, 14h10, 16h30, 18h20, 20h30 (leg)
. Diamond 3, 17h10, 19h35, 22h (leg)
. Pátio 7, 13h10, 15h45, 18h20, 20h45 (leg)
. Ponteio 1, 14h30, 16h35, 18h40 (leg)

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