Filme 'De onde eu te vejo', mostra como é necessário se deslocar para enxergar o óbvio

A comédia romântica de Luiz Villaça aborda as transformações na relação de um casal

por Ana Clara Brant 10/04/2016 07:00

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Quantas histórias cabem em uma história de amor? Esse é o mote do filme De onde eu te vejo, que estreou essa semana. Para o diretor do longa, Luiz Villaça elas são infinitas até porque uma relação amorosa não é necessariamente entre um casal. “Acontece tanta coisa no nosso dia a dia que tudo vira uma história de amor. Seja por alguma coisa, por uma cidade, pelo seu trabalho. A mensagem que quis passar com essa produção é que é muito importante a gente ficar de olhos bem abertos e viva de verdade as histórias de amor”, aconselha.

Depois de 20 anos juntos, o jornalista Fábio, vivido por Domingos Montagner, e a arquiteta Ana Lúcia, papel de Denise Fraga, decidem se separar. Ou quase. Ele se muda para o apartamento em frente ao que dividia com ela e com a filha adolescente, Manu, interpretada por Manoela Aliperti – curiosamente, a atriz também faz a filha de Denise no seriado 3 Teresas, do GNT. Mas o casal percebe que separação não se resume a mudar de endereço. E que uma relação é muito mais que morar sob o mesmo teto. “Quando estavam casados, um não conseguia enxergar o outro. Foi preciso se separarem, morarem um de frente para o outro para se enxergar exatamente como são. O interessante dessa história é que a separação não se dá por causa de um acontecimento, como uma traição, mas por uma vontade de se mexer mesmo”, analisa o diretor.

Villaça conta que a ideia do projeto – uma coproduçao da Globo Filmes com a Warner Bros – surgiu há cerca de cinco anos. Ele tinha acabado de rodar o filme O contador de histórias e já arquitetava o desejo de filmar uma comédia romântica. “Sempre quis contar uma história de amor. E essa é uma história de amor contada através de uma separação. E ao mesmo tempo fiz um paralelo entre a dinâmica da cidade grande, no caso São Paulo, com a dinâmica de um casal”, acrescenta.

SÃO PAULO
 
Alexandre Ermel/Warner Bros/Divulgação
(foto: Alexandre Ermel/Warner Bros/Divulgação)
No filme, a capital paulista é cenário, mas também serve de alegoria para as transformações dos protagonistas e sua relação. “O que acho bonito em São Paulo é exatamente esse dinamismo. Ao mesmo tempo que temos demolida uma cantina que fez parte da história do casal, temos uma ponte super moderna que é a Estaiada e que já virou símbolo paulistano. E, assim como a cidade precisa se ajeitar, se transformar e se adaptar, o mesmo ocorre com o ser humano”, frisa.

A alegoria da mutação é retratada também através da vida profissional do personagem de Domingos Montagner. Repórter de longa data de um diário paulistano, ele e colega Olga (Marisa Orth) são demitidos. “É uma discussão muito importante que quis trazer para o De onde eu te vejo. No filme, eles comentam sobre a coisa da internet, o fim do jornal do papel. É óbvio que não é o fim da profissão, mas, sem dúvidas, ela está passando por uma grande transformação como os próprios protagonistas e a cidade”, pontua.

Denise Fraga – há anos parceira de Luiz Villaça na vida e no trabalho – estava definida para interpretar Ana Lúcia desde a concepção do filme. Domingos Montagner – que estreia amanhã na pele do sertanejo Santo na segunda fase da novela Velho Chico – foi definido a partir de um encontro profissional. Villaça foi gravar um episódio de Retrato falado (antigo quadro de Denise no Fantástico) no Circo Zanni, de Domingos Montagner, e se encantou pelo trabalho do ator. Convidou-o de cara. “Achei muito bacana o que ele fazia e fiquei impressionado com o talento. O Fernando Sampaio, também do circo, faz uma participação no filme como o porteiro. O Domingos topou na hora meu convite e teve uma relação muito próxima com a direção, a edição, o roteiro. E no fim, o resultado ficou bem bacana, teve uma química ótima”, resume.

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