Cineasta Daniel Florêncio vence o National Film Awards do Reino Unido com 'Chasing Robert Barker'

Mineiro radicado em Londres, ele fez longa sobre um paparazzo, mídia e celebridades. Trabalho foi financiado via crowdfunding pela plataforma Kickstarter

por Walter Sebastião 06/04/2016 09:20

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Daniel Florêncio/Divulgação
O cineasta mineiro Daniel Florêncio, que vive em Londres (foto: Daniel Florêncio/Divulgação)
Em 2008, para fazer um curta, o mineiro Daniel Florêncio, de 35 anos, que vive e trabalha em Londres há 12, acompanhou uma noite de trabalho de um paparazzo. Quatro anos mais tarde, às voltas com projeto de seu primeiro longa, decidiu voltar ao tema já que, como observa, o assunto era tão importante que merecia mais do que uma produção de duração breve. E assim surgiu Chasing Robert Barker. Uma produção feita com vaquinha internacional pela plataforma de crowdfunding Kickstarter, que ganhou, na última quinta-feira, o prêmio de Melhor Filme de Ação do National Film Awards UK, na Inglaterra, vencendo Star wars – O despertar da força, 007 contra Spectre em Kingsman: Serviço secreto.

Com humor bem brasileiro, Daniel Florêncio não esconde que vencer gigantes do marketing e da indústria é muito saboroso. “Revela que, mais importante do que o tamanho do filme, é a história que está sendo contada e a relevância social dela”, observa. Chasing Robert Barker foi indicado ao prêmio ainda nas categorias de melhor ator (para Gudmundur Thorvaldsson) e melhor ator coadjuvante (Patrick Baladi). No filme, o diretor aborda tema importante e discutido em todo o mundo: “A questão do noticiário de celebridades, os tabloides sensacionalistas, as relações entre polícia, política e mídia. E, especialmente, da responsabilidade ou falta de responsabilidade do jornalismo e como isso afeta a vida das pessoas”, explica.

O prêmio, conta Daniel Florêncio, foi inesperado, assim como tudo o mais que cercou a indicação. Desde a classificação como filme de ação até troféu para produção que não estreou na Inglaterra (a previsão é o segundo semestre deste ano) e só foi exibido na Islândia. Ainda não há previsão de lançamento no Brasil, mas o filme vai chegar, já que, conta o diretor, muitas doações para a realização do filme saíram do país. Segundo ele, a expectativa é que a premiação ajude a produzir desejo de conhecer o filme.

Chasing Robert Barker é o segundo trabalho de ficção (o primeiro foi o curta Awfully deep, de 2010), em carreira até agora voltada para o documentário. “A ficção veio como modo de ligar história construída com elementos do noticiário que não se referem a um fato específico”, explica.

Ficção é produção complexa: “Voce precisa de uma multidão atuando junto. Mas permite tratar dos temas sem ficar dependendo de uma situação, como é no caso do documentário”, relata, afirmando que o prazer não é de ter a toda equipe envolvida nem é ver o trabalho concluído, mas ver as pessoas gostando do filme. “O reconhecimento de que Chasing Robert Barker é um bom trabalho é também dos atores. Todos estão bem, todos mereciam algum prêmio”, garante, satisfeito com as indicações a prêmio também para o elenco. “O que aprendi, fazendo este longa, foi que o principal foi me cercar de pessoas talentosas e que acreditam na história. Sem elas nada aconteceria”, afirma. Função de diretor, para ele, “é fazer as escolhas certas e, no set, coordenar tudo”.

Daniel Florêncio estudou cinema e rádio na Universidade Federal de Minas Gerais. Saiu de Belo Horizonte direto para Londres. A viagem foi feita com bolsa da União Europeia e o projeto era concluir o mestrado em artes e mídia e voltar a Minas Gerais. Ao fim dos estudos, como ainda tinha visto que permitia mais seis meses na Inglaterra, foi buscar alguma experiência profissional. E conseguiu ser chamado para editar duas temporadas da série animada The secret show, produção da BBC. E, como foram surgindo outros trabalhos, continua morando por lá. “Gosto de filmes com histórias bem contadas e bem-estruturados”, observa. Tem mais projetos de longa na gaveta, desenvolvidos com Maria Nefeli, sua mulher, que foi a roteirista de Chasing Robert Barker.

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