Tina Fey faz sucesso pela metade em novo longa

Atriz encarna uma correspondente de guerra distante dos clichês em Uma repórter em apuros. Embora sua atuação tenha sido elogiada, filme fracassou na bilheteria e só chega ao Brasil em plataformas digitais

por Estado de Minas 27/03/2016 10:42

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
AFP
A atriz Tina Fey se diz preocupada com os rumos da eleição presidencial norte-americana (foto: AFP)

Quando lançou o livro de memórias The Taliban shuffle, em 2011, a jornalista Kim Barker recebeu pouca atenção da mídia, já saturada de narrativas sobre a invasão americana ao Afeganistão e o desastre de uma ocupação aparentemente sem data para terminar. A editora de livros do The New York Times, Michiko Kakutani, no entanto, não só dedicou páginas ao livro como afirmou que “Barker se apresentava com uma mulher viciada na adrenalina do teatro de guerra, uma personagem pronta para ser vivida por Tina Fey”.

Seis anos depois, com produção da atriz e comediante que leu a resenha, achou graça na citação de Kakutani e devorou o livro seguidas vezes, Uma repórter em apuros estreou nos cinemas americanos. O filme, que chega ao Brasil em plataformas digitais em setembro, foi, ao mesmo tempo, o que a crítica americana considerou ser o maior desafio da vitoriosa carreira de Fey, por suas nuances cômicas e dramáticas, e um de seus maiores desastres de bilheteria.

Uma crítica divertida ao jornalismo dos tempos das celebridades instantâneas e uma rara tentativa de se apontar, com humor, o ridículo da tragédia das guerras americanas, Uma repórter em apuros conta ainda com Martin Freeman, Margot Robbie, Billy Bob Thornton e Alfred Molina no elenco.

QUATRO PERGUNTAS PARA...
Tina Fey
atriz

Em Uma repórter em apuros, você encarna uma correspondente de guerra que não é uma sabe-tudo destemida, mas passa longe do estereótipo da recruta trapalhona. Foi difícil encontrar o tom da personagem?

Um dos aspectos que mais me tocaram ao ler o livro foi a honestidade da Kim. Ela está ciente das complexidades geopolíticas por trás da invasão americana no Afeganistão, mas isso não a impede de fazer graça consigo mesma. E esse é o tipo de humor que mais me atrai. Ela trata do perigo de cobrir uma guerra, mas revela, sem medo, aspectos estúpidos e até mundanos da cobertura, como o refúgio na bebida como resposta para a ansiedade, os namoros do momento, as fofocas de bastidor.

Você está preocupada com os rumos da eleição para presidente dos EUA neste ano?
Estou, não me simpatizo com a maioria dos candidatos. Mas, quando amigos me dizem que, se determinado candidato – e você sabe de quem estou falando (ela se refere ao pré-candidato republicano Donald Trump)– vencer as eleições eles irão embora dos EUA, aviso logo que daqui não saio, daqui ninguém me tira. É importante permanecer e lutar para melhorar de alguma forma a qualidade do debate político, ainda que em nível familiar, local, na sua comunidade. Isso vale para todos nós, americanos e brasileiros.

Uma repórter em apuros também é crítico ao estado do jornalismo nos dias de hoje. A cena em que sua personagem tenta explicar aos chefes a importância de se cobrir com mais profundidade o Afeganistão apesar da resistência do público é reveladora.

Quando trabalhei no (programa de TV) Saturday night live, o jornalismo da NBC ficava no mesmo andar, então eu me sinto bem próxima dos jornalistas, do modo de pensar de vocês. E esse momento no filme é uma tradução da resistência das pessoas hoje em dia em prestar atenção a reportagens, a grandes investigações e a análises do que acontece no mundo. Não acho que seja um fenômeno norte-americano. E, sim, sou parte do problema. Leio cada vez mais apenas o resumo diário do The New York Times e não o jornal inteiro, por exemplo.

A imprensa americana diz que este foi seu papel mais ambicioso.

Pois é, mas, para mim, esta não foi uma personagem especialmente complicada. Não me senti como o Daniel Day-Lewis “tendo que me transformar” (risos). Na minha cabeça, era uma mulher sã em uma situação absolutamente surreal. No fim, senti que poderia ter me tornado uma Kim se tivesse sido jornalista e não trabalhado com humor e cinema.

(Com Eduardo Graça – Agência Globo)

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE CINEMA