Em 'Papéis ao vento', diretor argentino Juan Taratuto enfoca a paixão pelo futebol

Inspirado em romance homônimo de Eduardo Sacheri, filme que estreia hoje mostra amigos que tentam de tudo para emplacar atacante 'pereba'

por Mariana Peixoto 16/03/2016 17:03

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TELEFE/DIVULGAÇÃO
Os quatro amigos são movidos pela paixão em torno do time Independiente, de Buenos Aires (foto: TELEFE/DIVULGAÇÃO )
O futebol é a paixão brasileira até o momento em que se pisa num estádio argentino para assistir a uma partida dos times locais. O comportamento dos torcedores é, invariavelmente, apaixonado, ruidoso, destemperado. E muitos graus acima da atitude dos brasileiros nas arquibancadas.

Papéis ao vento – Uma aposta para toda a vida, dirigido por Juan Taratuto, procura traduzir isso numa comédia dramática que mistura futebol e amizade. Inspirado no romance homônimo de Eduardo Sacheri (autor de O segredos dos seus olhos), que é corroteirista com Taratuto, o longa-metragem trata da história de quatro amigos.

El Mono (Diego Torres) é um ex-jogador que não deu certo na vida; Fernando (Diego Peretti) é seu irmão mais velho, um professor pacato; Mauricio (Pablo Echarri), o bem-sucedido da turma, atua como advogado; e El Ruso (Pablo Rago) dono de um lava-jato sem grandes pretensões além de jogar videogame. Todos já passaram dos 40 anos e são amigos da vida toda. As conversas e bebedeiras são divididas com uma paixão comum: o Independiente, um dos grandes times portenhos.

Depois de uma vida errática, El Mono morre. Separado da mulher, deixa como única herança, para a filha criança, o passe de um jogador da Terceira Divisão do futebol argentino. Acreditou que o atacante Pittilanga valeria os US$ 300 mil investidos, toda sua economia.

Havia comprado o passe quando o jogador veio do exterior, mas ele pouco ficou na Primeira Divisão. Os três amigos/viúvos de Mono o descobrem como um atacante que não faz gols. Decidem recuperar a quantia investida, tornando Pittilanga se não um Messi, pelo menos um atleta digno de ser negociado para um time maior. Dessa maneira, conseguiriam a herança e manteriam ainda contato estreito com a filha de Mono.

Diante de tal argumento, Taratuto descortina o universo masculino de maneira leve e bem-intencionada. Como agentes de futebol, o trio é uma completa negação, o que garante alguns momentos tragicômicos. Logo, os três descobrem que têm que jogar sujo para conseguir fazer com que um jogador que não rende nada apareça no competitivo mercado esportivo. Tornam-se, então, pequenos trambiqueiros, daqueles que não fazem mal a ninguém.

As relações pessoais, algo tão caro ao cinema argentino, se traduzem em diálogos inspirados. Uma das melhores cenas está naquela em que Fernando dispara uma série de impropérios contra a ex-cunhada para, ao final, lembrar-lhe que ela tem uma grande qualidade: ama a filha.

Flashbacks que mostram a vida dos amigos quando eram um quarteto vão costurando a narrativa, que, na parte final, descamba para a pieguice – ajudada por uma trilha sonora excessiva. Tal escorregada não chega a estragar a conclusão da história, em que o título Papéis ao vento é explicado.

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