Presidente da Academia cita Martin Luther King

Oscar 2016 esteve envolvido em polêmicas de racismo e boicotes

por Mariana Peixoto 01/03/2016 08:00

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(foto: Divulgação)
“Martin Luther King disse uma vez: ‘O real valor de um homem não é onde ele se encontra em momentos de conforto e conveniência, mas onde se encontra em momentos de desafio e controvérsia’.”

Ao terminar seu discurso com uma frase do maior militante pelos direitos civis da história dos EUA, a presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, Cheryl Boone Isaacs (primeira negra a presidir a instituição), buscou dar uma resposta mais ampla à controvérsia que cercou a 88ª edição do prêmio. E mostrou que a Academia tem consciência de suas falhas.

“Nosso público é global e rico em diversidade”, ela disse, antes de completar que a Academia “deveria passar para a ação”. Frente à polêmica racial, a mais ambiciosa das mudanças previstas pela Academia é dobrar, até 2020, o número de minorias e mulheres entre os votantes.

A sobriedade com que a dirigente da Academia tratou a questão foi um contrapeso ao modo como o apresentador Chris Rock falou do tema. Escolhido para comandar a cerimônia antes que a polêmica racial fosse instaurada, o comediante foi muito feliz em alguns momentos e absolutamente desnecessário em outros.

Houve piadas inteligentes – o casal Will e Jada Pinkett-Smith deve ter se mordido com as críticas veladas aos milhões recebidos de cachê – e outras agressivas – a brincadeira com crianças asiáticas sendo exploradas para produzir celulares.

Para o bem e para o mal, Rock conseguiu dar graça a uma cerimônia longuíssima. E, não podemos nos esquecer, o Oscar é entretenimento. A festa, que fora uma mudança ou outra segue a mesma ao longo de décadas, vem sofrendo queda de audiência. Medições iniciais apontaram queda de 6% em relação a 2015 – seria a menor em oito anos. Monotemáticas, as piadas de Rock foram perdendo a força à medida que as horas passavam.

Na reta final, o tom subiu com o discurso ambientalista de Leonardo DiCaprio (“Não podemos ignorar o planeta”) e o de Michael Sugar, produtor de Spotlight – Segredos revelados, esperando que a questão central do filme (pedofilia na Igreja Católica) “ressoe até o Vaticano”.

A Academia entendeu, ainda que à força, como o mundo de hoje é regido pela diversidade. É preciso que essa compreensão chegue aos roteiristas da cerimônia para que a festa tenha a relevância que pretende.

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