Oscar 2016: Discursos reacendem debates contra temas polêmicos

Apresentador Chris Rock, vice-presidente dos Estados Unidos, Leonardo de DiCaprio e Thomas McCarthy tiveram falas importantes

por Correio Braziliense 29/02/2016 16:30

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(foto: AFP Photo )
Não poderia ser diferente. Após semanas de discussão devido à ausência de indicados negros nas categorias de Melhor Atuação, Direção e Produção, do Oscar o debate sobre igualdade racial conduziu a abertura da cerimônia e as falas do apresentador, o comediante Chris Rock. Entre críticas contundentes e algumas piadas à beira de extrapolar o limite diante de um assunto tão sério e urgente, ele foi o anfitrião da festa pela segunda vez - a primeira foi em 2005.

"Acabei de ver 15 negros na montagem de abertura. Bem-vindos ao White People Choice. Se eles escolhessem os apresentadores, nem eu estaria aqui e, sim, Neil Patrick Harris", disparou, em indireta para o criticado apresentador do ano passado. A provocação foi respaldada pela roteirização da celebração mais famosa da indústria do cinema, com vídeos ao mesmo tempo engraçados e cortantes.

No primeiro deles, atores negros assumiram personagens em trechos de Joy, O regresso (a ursa responsável por ferir o protagonista quase até a morte), A garota dinamarquesa e Perdido em Marte, no qual é solenemente ignorado pelos companheiros de cena. "Uma negra precisaria inventar a cura do câncer para ganhar um telefilme", dispara Whoopi Goldberg, vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 1991, por Ghost, e uma das apresentadoras da cerimônia. Vários negros foram escolhidos para revelar os vencedores das categorias.

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Vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden (foto: AFP Photo )
Com o compromisso de discursos curtos, os premiados se ativeram a agradecimentos às equipes e entes queridos. Coube a Sharmeen Obaid-Chinoy, vencedora de Melhor Documentário em Curta-Metragem por Saving face, trazer à tona a violência contra as mulheres, abordada na produção dela. O tema foi reforçado com a história participação do vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. O útimo a participar Charles Curtis, vice de Herbert Clark Hoover, em 1931.

"Muitas mulheres e homens ainda são vítimas de violência sexual. (...) Podemos mudar essa cultura de concessão. Eles não fizeram nada de errado. Por favor, aceitem esse compromisso", pediu Biden, após prometer intervenção. Ele chamou ao palco Lady Gaga, que interpretou a canção 'Till it happen to you, dela, sobre abuso sexual, derrotada na categoria de Melhor Canção Original por Writing's on the wall, Sam Smith (007 contra Spectre). A cantora e atriz já declarou ter sido abusada e, pelo Twitter, revelou que estaria pensando em Kesha - derrotada na Justiça neste mês em processo contra o produtor, de quem diz ter sofrido assédio sexual.

 

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A comunidade LGBT foi mencionada por Sam Smith. O cantor fez questão de ressaltar o fato de ser gay assumido, apesar de tentar tomar para si, erroneamente, o título de primeiro a encarar tal postura. Além deles, cantaram na festa The Weeknd (Earned it, da trilha de Cinquenta tons de cinza) e Dave Grohl (Blackbird, de Paul McCartney), como trilha sonora para o vídeo de homenagem aos falecidos - Allan Rickman, Ettore Scola, Alex Rocco, David Bowie, Leonard Nimoy, entre outros.

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Concorrente com a maior torcida, Leonardo DiCaprio ressaltou a importância de atentar para o meio ambiente, os milhões de pessoas afetadas pela ganância e os povos nativos, retratados em O regresso. "Não vamos aceitar que o planeta está aqui à nossa mercê". O diretor de Spotlight, escolhido como Melhor Filme, também reforçou a mensagem da produção, sobre os casos de pedofilia na Igreja Católica. "O filme deu voz a muitos sobreviventes, e o Oscar vai ampliar essa voz. Eu espero que se torne um coro, que chegue ao Vaticano", professou Thomas McCarthy.

Paradoxalmente chamado de Oscar da Diversidade, o prêmio mais famoso da história do cinema reconheceu a injustiça histórica também no vídeo Minuto do mês da história negra, com uma sarcástica homenagem ao - branco - comediante norte-americano Jack Black, e na participação de Sasha Baron Cohen. Caracterizado como o personagem Ali G, ele trajou uma luva semelhanta às usadas pelos membros do movimento Panteras Negras. A presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs, reforçou os compromissos de mudanças já proferidos, citou Martin Luther King e alertou o conselho sobre a responsabilidade de um futuro do qual todos se orgulhem.

No ano passado, a gritante desigualdade já fora tema da abertura e o assunto precisou ser retomado, com ainda mais força. "Nesta noite, celebraremos os melhores e mais brancos", satirizou Neil Patrick Harris, em 2015. Ontem, o Oscar riu dos próprios defeitos. Colocou-se em posição delicada e traçou para si uma encruzilhada: trilha o caminho da diversidade ou encara o risco de ser acusada por promessas não cumpridas.

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